São Paulo paga bônus de 2012 errado a agentes escolares transferidos em 2013

Por Tatiana Klix - iG São Paulo | - Atualizada às

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Funcionários reclamam que receberam valores referentes ao desempenho das escolas em que trabalham este ano, mas metas eram para trabalho realizado no ano passado

O pagamento do bônus para professores e funcionários de escolas estaduais de São Paulo causou dúvidas e desconforto aos agentes de organização escolar que mudaram seu local de trabalho este ano. Na quinta-feira anterior ao feriado da Semana Santa, quando o valor foi depositado na conta sem explicações, muitos profissionais que foram transferidos de escola em 2013 não entenderam os valores recebidos – ou não recebidos – pelo trabalho realizado no ano passado. A conclusão a que chegaram depois de alguns cálculos e conversas com colegas leva a um erro no pagamento: o bônus foi depositado de acordo com o resultado da nova escola, na qual chegaram para trabalhar apenas no dia 28 de fevereiro.

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A bonificação para professores e funcionários de escolas é concedida no último dia útil de março, mas é referente a metas estabelecidas em relação ao desempenho das instituições no ano anterior. O iG recebeu a denúncia sobre o problema nos pagamentos de Edson Ferreira da Silva, agente escolar do Estado de São Paulo desde 1992. Ele relata que no ano passado era funcionário da escola Professora Sylvia Ribeiro de Carvalho, de Marília, cujo resultado do ensino médio no Índice de Desenvolvimento da Educação do Estado de São Paulo (Idesp) foi superior à meta estabelecida pelo governo para pagamento de bônus. Este ano, ele foi removido para a escola Nasib Cury, na mesma cidade, que não atingiu a meta. Assim como seus novos colegas, Edson ficou sem bônus.

O agente escolar, que tem um blog e organizou uma mobilização contra o que considera um erro e uma injustiça via Facebook, entrou em contato com o Fale Conosco da Secretaria de Educação para pedir explicações e recebeu a orientação de procurar sua diretoria de ensino. “Liguei para eles, mas nem sabiam do que se tratava, não tinham recebido nenhuma orientação sobre isso”, disse Edson ao iG.

Segundo Edson, o problema é generalizado e também aconteceu na forma inversa. Embora o coro das reclamações nas redes sociais seja de funcionários que deixaram de receber o bônus, há agentes que foram removidos para instituições que atingiram metas e ganharam sem ter contribuído para isso. “E agora, será que vão ter que devolver o dinheiro?”, pergunta.

Marcus Alexandre Fogaça, 35 anos, também foi aprovado em concurso para mudar de escola e ainda tenta entender exatamente o que aconteceu. Tendo trabalhado em 2012 na escola Professor Wilson Ramos Brandão, em Sorocaba, e se transferido para a Doutor João Machado de Araújo este ano, recebeu apenas R$ 115 a mais em sua conta na semana passada. “Pelo que falei com o povo de lá (da escola Wilson Ramos), eles receberam mais de R$ 1000 de bônus. Acho que recebi por essa escola que estou agora”, contou. A instituição na qual trabalha atualmente cumpriu apenas 5,88% do índice de cumprimento de metas. “Não sei quem eu procuro, se advogado ou sindicato”, diz.

Aguardando resposta

Os agentes, ainda confusos, estão cobrando explicações do governo por telefone, email e internet. Após as reclamações, o chefe de gabinete da secretaria da Educação, Fernando Padula, chegou a responder na quinta-feira via Twitter: “já pedi p verificarem”. Mas para os funcionários, não está claro que vai ocorrer.

Vanessa Dourado da Silva, de 22 anos, também prejudicada pela remoção, disse ao iG que é “evidente que há um problema”. “É injusto, porque não é pouca a diferença e não são poucos os atingidos”, diz a agente escolar que nem chegou a trabalhar na Amaral Wagner, em Santo André, escola para a qual foi transferida e pela qual recebeu um bônus correspondete a 29,45% da meta. Ela saiu da Escola Alberto Francia Gomes Martins, que atingiu 120% dos objetivos. “Eu recebi um bônus de uma escola em que nem trabalhei”, conta, ansiosa por um retorno do governo.

O iG questionou a Secretaria da Educação sobre os pagamentos, que informou que Coordenadoria de Gestão de Recursos Humanos detectou o equívoco e solicitou à Prodesp um levantamento do número de servidores que não receberam o valor correto da bonificação. Em nota, prometeu analisar todos os casos e retificar os pagamentos até o dia 5º dia útil de maio.

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