Conheça a magia da escola verde, na Indonésia

Por Porvir |

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Instituição construída em bambu e com 80% da energia elétrica captada através de painéis solares atrai alunos e visitantes do mundo todo

Uma escola no meio da floresta ao norte da cidade de Ubud, na ilha de Bali, conhecida como mais verde do mundo, atrai visitantes e alunos de vários países. Educadores e pesquisadores se interessam não só pela impressionante e belíssima estrutura, feita quase totalmente de bambu, mas pela metodologia da escola internacional, que oferece uma formação baseada na visão holística, no aluno e na consciência ambiental.

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Cerca de 15 mil pessoas já visitaram a Green School desde a sua inauguração, em 2008, para conhecer o projeto. O bambu, abundante na ilha da Indonésia, é o principal material usado na construção dos prédios da escola, em formato de espiral. As classes não têm paredes (inclusive externas), as carteiras não são quadradas e até mesmo o quadro negro é feito de bambu.

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Salas de aula na Green School não tem paredes

Oitenta por cento da eletricidade utilizada pela escola vêm de painéis solares, os banheiros são de compostagem e todo o lixo é reciclado ou composto. Hortas orgânicas e criações de animais permeiam o campus e a comida servida vem da produção própria ou de agricultores locais. “A Green School ainda não é 100% sustentável, mas estamos fazendo o nosso melhor em todos os sentidos”, diz Ben Macrory, responsável pela comunicação da instituição.

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Os estudantes têm à disposição na hora do almoço dois pequenos buffets. Um deles tem comida mais ocidentalizada e pode ter macarrão, ou algum tipo de fritura. Do outro lado, um buffet de comida balinesa, onde figuram pratos como o Gado-Gado, um cozido vegetariano com um molho com base de amendoim. As refeições são servidas sobre folhas de bananeira, o que leva praticamente a zero o resíduo não biodegradável. Refrigerantes ou comida industrializada não são admitidos e quase tudo que é servido vem do próprio câmpus, que na Green School, é cheio de hortas.

Currículo integra 4 dimensões

A escola tem hoje cerca de 200 alunos entre o jardim da infância até o ensino médio completo. Existe um plano para que 20% destes alunos sejam bolsistas da Indonésia, mas este numero hoje chega a 10% do total. Não é uma escola barata (mensalidades em média custam US$ 1.000), a língua usada nas salas de aula é o inglês e em várias classes o bahasa – idioma local – é ensinado.

A escola procura integrar os conteúdos acadêmicos tradicionais com a aprendizagem ambiental e experiencial, baseada em práticas sustentáveis e centrada no aprendizado individual do aluno. No ano passado, os estudantes do ensino fundamental 1 aprenderam sobre o ciclo do arroz na cultura balinesa. Pouco antes do fim de semestre, todas as classes plantaram campos de arroz na escola. Este ano, eles irão colher e comer o alimento. “Em todas as aulas há habilidades essenciais e conteúdos cobertos. A diferença é que, sempre que possível, damos às crianças a oportunidade de aprender em seu próprio ritmo”, afirma Ben.

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O currículo é baseado num estudo de Alan Wagstaff, que trabalha de forma integrada com quatro dimensões simultaneamente, são elas: emocional/social, espiritual, intelectual e sinestésica. Essas dimensões devem estar presentes nas aulas de forma absolutamente sinérgica ao tema que se está trabalhando. Todos os dias, os alunos passam por um momento de estudos, um momento de reflexão e um momento imerso no campus, fora da sala de aula.

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Alunos da escola na Indonésia são de várias partes do mundo

Somente em 2012, a Green School recebeu 6 mil visitantes. Entre eles, está Eduardo Shimahara, do blog Educ.ação, que pretende visitar 12 escolas inspiradoras em todo o mundo e relatar a experiência em um livro. Eduardo ficou impressionado com a convivência “pacífica da estrutura com a liberdade”. “Ouvi o coordenador pedagógico dizendo que os professores têm um cardápio de temas para escolher, ao mesmo tempo em que têm liberdade por criar seu próprio tema. Os alunos contam, com visível orgulho da escola onde estão, que a professora de ‘green studies’ (literalmente “estudos verdes”) não gosta de avaliações, então ela não trabalha com nenhum tipo de teste”, relata no blog.

A Green School foi criada pelo canadense John Hardy, morador de Bali desde 1975. Após assistir o documentário “Uma Verdade Inconveniente”, do norte-americano e ex-candidato à Presidência dos Estados Unidos, Al Gore, que mostra as urgências ambientais decorrentes do aquecimento global, John viu sua vida “arruinada” – no melhor sentido. Alguma coisa deveria ser feita. E sua mudança começou localmente, pela educação. “Temos que ensinar as crianças que o mundo não é destrutível”, afirmou John em sua palestra no TED, evento de disseminação de ideias, na Califórnia, Estados Unidos.

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