Colégio no Colorado é cenário de disputa de direitos de transgêneros

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Nascido menino, Mathis Coy, 6 anos, se porta como menina e tem crises de ansiedade quando alguém o trata como garoto

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Mathis Coy nasceu menino. Mas depois de apenas alguns anos, a biologia sucumbiu a uma força mais poderosa. Ele parou de cortar o cabelo. Jeans cederam espaço para vestidos cor de rosa. E suas bochechas enchiam de lágrimas quando alguém se referia a ele como menino. No meio do jardim de infância, após uma consulta com os médicos, os pais de Coy informaram a escola que ele se identificava como sendo uma menina e que deveria ser tratado como uma – seja utilizando pronomes femininos para descrevê-la ou em deixar com que Coy vestisse seus vestidos favoritos.

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Mathis Coy: "Eles querem me tratar como menino, mas eu sou menina"


"Ficou muito claro que não era apenas um caso de gostar de coisas cor de rosa ou mais femininas", disse Kathryn Mathis, mãe de Coy, contando como Coy tinha ataques de ansiedade quando as pessoas a tratavam como um menino. "Era o jeito dela nos mostrar que ela era uma menina."

Em dezembro, no entanto, quando Coy, na época com 6 anos de idade, havia recém entrado para a primeira série, os Mathises a tiraram da escola depois de saber que ela já não podia usar o banheiro feminino, mas poderia usar um banheiro de gênero neutro.

Uma carta de um advogado do Condado Escolar Fonte-Fort Carson explicou que "à medida que Coy cresce e seus órgãos genitais masculinos se desenvolvem junto com o resto do seu corpo, alguns pais e alunos tendem a ficarem desconfortáveis com seu uso do banheiro feminino."

Agora, o caso de Coy se encontra no centro da disputa jurídica que provavelmente deverá testar a legislação anti-descriminação do Colorado, que ampliou proteções para pessoas transexuais em 2008. É uma questão que tem se tornado mais comum nos últimos anos, à medida que grupos de defesa buscam garantir que os distritos escolares estejam mais sintonizados com as necessidades das crianças transexuais.

De acordo com o Fundo de Defesa e Educação Legal de Transgêneros, que entraram com uma queixa com a divisão do grupo dos direitos civis do Colorado em nome dos Mathises, 16 Estados e o Distrito de Columbia oferecem alguma forma de proteção legal para as pessoas transexuais.

Em muitos casos, essas proteções se estendem para as escolas, onde ações como ir ao banheiro e usar um vestiário podem ser especialmente traumáticos para os alunos transexuais. Recentemente, mesmo nos Estados onde não existem proteções, os distritos escolares tornaram-se mais propícios a buscarem uma solução quando surge um problema, disse Michael Silverman, diretor-executivo do grupo.

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No centro dos trigêmeos, Coy que é aceita como menina por toda a família


No entanto, os conflitos sobre identidade de gênero são, compreensivelmente território sensível para administradores, estudantes transexuais e suas famílias.

O Departamento de Massachusetts do Ensino Fundamental e Ensino Médio recentemente emitiu orientações sobre o tratamento de estudantes transexuais, dois anos após a Assembleia Legislativa ter aprovado uma lei que proíbe a discriminação com base na identidade de gênero.

As orientações explicam a nova lei e descrevia situações que as escolas poderão enfrentar. "Nossa principal preocupação é ter a certeza de que cada criança terá um ambiente de aprendizado seguro e de apoio", disse Jonathan Considine, um porta-voz do departamento.

Ainda assim, defensores dos homossexuais e transexuais disseram que estudantes transexuais, embora sejam normalmente uma pequena minoria, são particularmente vulneráveis ao assédio moral e assédio físico. Em um estudo de 2012 pela organização Byard, muitos alunos do ensino fundamental relataram ter ouvido comentários de colegas sobre como meninos e meninas devem agir e se vestir.

Cerca de um terço dos professores entrevistados disseram que alunos do ensino fundamental que não estão em conformidade com as normas de gênero se sentem desconfortáveis em suas escolas. O caso de Mathis chamou mais atenção, de acordo com defensores, pois Coy é tão jovem e o distrito escolar do Colorado colidiu com os pais sobre o que era melhor para sua criança.

Nesse caso, a divisão do Estado dos direitos civis está investigando se o distrito escolar do Colorado violou alguma lei ao proibir Coy de usar o banheiro feminino. 

Na casa dos Mathises, os pais disseram que ainda estavam perplexos sobre o que fez com que o distrito escolar mudasse sua opinião, especialmente porque inicialmente os administradores da escola pareciam não ter problemas nenhum com a situação.

"Isso não faz nenhum sentido para mim", disse Jeremy Mathis, um Fuzileiro Naval veterano e pai de Coy, observando que a criança tinha feito muitos amigos e estava visivelmente mais feliz desde sua identificação como sendo uma menina. "Este é o ensino fundamental, e você está querendo isolar essa garota ao dizer que ela tem que usar um banheiro especial?"

Enquanto isso, Coy, sua irmã e irmão - trigêmeos - estão sendo educados em casa. Embora estejam divididos sobre essa opção, os Mathises disseram que não os colocariam de volta na escola até que Coy possa usar novamente o banheiro feminino.

No quintal, Coy brincava alegremente com sua bicicleta, sujando de terra seu rosto e suas botas cor de rosa. Ela disse que preferia estar na escola com seus amigos, mas está ciente do porque ela não está lá. "Eles estão sendo maldosos comigo", disse ela. "E eles estão me dizendo que eu sou um menino quando na verdade eu sou uma menina."

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