Educação Física trata cada vez mais de leitura e matemática nos EUA

Por NYT | - Atualizada às

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De olho nos resultados de índices de aprendizado, escolas tem deixado para trás aulas que focavam na diversão

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Em uma tarde recente, os alunos da terceira série da professora Sharon Patelsky analisavam palavras como "siglas", "sentido horário" e "descendente", assim como conceitos de matemática como maior e menor. E eles faziam tudo isso, durante a aula de educação física.

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Livros e revistas agora fazem parte do material básico das aulas ao lado das bolas

Patelsky, a professora de educação física da escola Everglades em West Palm Beach, Flórida, instruiu os alunos a contarem até quatro à medida que tocavam seus cotovelos em seus joelhos durante um aquecimento. Eles somaram os pontos em pares de dados antes de correr para tapetes redondos impressos com símbolos matemáticos. E, enquanto faziam flexões, equilibrados em um braço, utilizavam o outro ("Alternem!" pediu Patelsky. "Essa é uma das palavras do vocabulário.") para empilhar enormes blocos de Lego em colunas rotuladas "unidades", "dezenas" e "centenas".

"Eu não trabalho para o Departamento de Parques e Recreação", disse Patelsky, explicando sua abordagem pouco ortodoxa para o que tem sido, tradicionalmente, um dos poucos intervalos na rotina acadêmica. "Eu sou uma professora em primeiro lugar."

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Mark Roche e uma aluna de seis anos em aulas que não são mais focadas em diversão

Estimulados por um foco que visa melhorar as notas dos alunos em testes de matemática e inglês, assim como o desejo de incorporar mais informações sobre saúde e bem estar, mais distritos escolares estão incentivando os professores de educação física a ir além do futebol e do tênis para incluir leitura, escrita e aritmética como parte do ensino. Novas normas para inglês e matemática que foram adotadas por 45 Estados e no Distrito de Columbia recomendam que os professores de todas as disciplinas incorporem alfabetização e incluam mais "textos informativos" no currículo.

Mas alguns pais se opõem à forma como os testes estão cada vez mais tomando conta da vida escolar. E alguns educadores temem que ao incluir contextos acadêmicos nas aulas de educação física os professores possam acabar com seu principal objetivo.

Em todo o país, professores de educação física agora publicam listas de vocabulário em paredes de seus ginásios e solicitam aos alunos testem as Leis do Movimento de Newton ao atirar bolas.

Na Escola Deep Creek Elementary em Chesapeake, Virgínia, as crianças contam em diferentes idiomas durante exercícios de aquecimento e salto sobre esteiras de letras para soletrar palavras durante a aula de educação física.

Em alguns casos, deveres de casa e testes têm acompanhado o novo conteúdo das aulas de educação física. No ano passado, o Distrito de Columbia adicionou 50 questões sobre saúde e educação física para seus testes padronizados no final do ano. Nem todos os pais estão satisfeitos com as mudanças.

"Eu acho que isso é um pouco exagerado", disse Kathleen Oropeza, co-fundadora do Fundo de Educação Agora, um grupo sem fins lucrativos de educação pública, na Flórida. "Se você tem crianças que estão aprendendo a ser um goleiro ou aprendendo que querem participar de uma equipe, por que é que isso tem de ser ofuscado pelo duro ambiente de testes?"

E em um momento de aumento na obesidade infantil e na diminuição do tempo de recesso, alguns educadores querem manter o foco na atividade física. Professores de educação física disseram que não estão simplesmente transformando a aula de educação física em outra aula de preparação para o teste.

Ao invés disso, disseram eles, a aula de educação física ajudam os alunos a aprender sobre os hábitos de vida de praticar uma atividade física e outros assuntos previamente ensinados nas aulas de saúde. Os alunos estudam os sistemas muscular e respiratório, aprendem a usar pedômetros e calcular taxas de batimentos do coração.

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Uma aluna busca palavras relacionadas a atividade durante aula de educação física

Um corpo de pesquisa mostrou que a atividade física pode ajudar a melhorar a função cognitiva. "Algumas crianças aprendem melhor através de mais movimento do que se sentarem em uma mesa", disse Janis Andrews, diretora acadêmica chefe em Palm Beach."Algumas crianças conseguem aprender não na sala de aula, mas sim praticando uma atividade física."

Alguns pais disseram que, dada a quantidade de coisas que os alunos precisam aprender em um tempo limitado durante o dia, espalhar algumas lições acadêmicas durante as aulas de educação física faz sentido. "Eles têm a oportunidade de brincar durante o recesso", disse Renee Kelleher, mãe de quatro meninos gêmeos. "Continua sendo válido como uma sala de aula."

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