Proibidos os vestibulinhos, escolas selecionam por parentesco e histórico

Por Cinthia Rodrigues - iG São Paulo |

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Impedidas de submeter crianças a teste, instituições particulares de São Paulo disputadas colocam filtros antes de disponibilizar vagas por sorteio, ordem de inscrição ou nascimento

Sem poder aplicar vestibulinho para selecionar os melhores alunos, escolas particulares de São Paulo com mais interessados do que vagas apelam para árvore genealógica e histórico escolar para distinguir novos alunos. Critérios isentos como sorteio e ordem de inscrição são adotados apenas para vagas remanescentes.

Desde 2006, o Ministério Público Federal tenta impedir as escolas paulistas mais renomadas de submeter crianças a testes. Em abril do ano passado venceu a ação e a Justiça Federal condenou o Estado de São Paulo e a União a uma multa de R$ 2 milhões por omissão no processo seletivo.

As três escolas citadas no processo, Colégio Visconde de Porto Seguro, Gracinha (Nossa Senhora das Graças) e Santa Cruz deixaram de ter a prova e dão exemplos do novo método de seleção que passou a imperar nas instituições mais disputadas. Todos dão lugar primeiro a quem tem na família estudantes ou ex-alunos.

Arquivo pessoal
Ronaldo conseguiu vaga para a filha no Albert Sabin por sorteio. O caçula terá prioridade por parentesco

No Colégio Santa Cruz, 120 das 165 vagas no Pré 1 são para crianças com vínculo familiar com a instituição. O edital determina uma pontuação por parentesco para determinar quem tem mais vínculo entre os inscritos. Irmãos formados, por exemplo, valem 15 pontos e em caso de empate será considerado o número de primos de primeiro grau matriculados. Só para as demais 45 vagas há sorteio entre os inscritos.

O Porto Seguro também adota o critério de parentesco e atende primeiro irmãos de alunos e filhos de ex-alunos. Depois, a matrícula é oferecida por ordem de inscrição, mas antes é feita uma avaliação pedagógica que passa por dinâmica de grupo entre as crianças e avaliação do portfólio. Só então o colégio conversa com os pais sobre as possíveis necessidades do candidato e os responsáveis decidem se o filho fica.

O Gracinha foi o único citado que fez um acordo com o Ministério Público logo no início da ação e já não faz vestibulinho desde 2006. Agora, o processo se baseia em histórico familiar e escolar. As primeiras vagas são para filhos de professores e funcionários, depois entram irmãos de alunos matriculados e, em seguida, filhos ou netos de ex-estudantes. Os próximos prioritários são crianças que fizeram o ensino infantil em uma das 12 escolas consideradas parceiras. “São instituições que tem projeto e atividades alinhados com os nossos”, explica a orientadora pedagógica do Ensino Fundamental do Gracinha, Paula Torres.

Só as vagas restantes são oferecidas para a lista de espera que neste caso é atendida conforme a data de nascimento da criança, começando pelos mais velhos.

Fila por vaga

O analista de negócios Ronaldo Silva dos Santos, 40 anos, começou a busca por uma vaga no 1º ano do ensino fundamental para a filha de 5 anos, Carolina Novaes, em julho do ano passado. Fez várias visitas e gostou mais do Colégio Albert Sabin, mas mesmo com um semestre de antecedência teve de ficar em uma fila.

Acabou fazendo matrícula em mais dois locais enquanto esperava. “Isso é ruim porque quem deveria garantir uma educação de qualidade é o Estado. A gente não confia na escola pública e vai para a privada, mas daí não temos como exigir nada”, lamenta.

Em novembro foi convocado a matricular Carolina. O caçula, Rodrigo Novaes, 3 anos - que inscreveu desde já para evitar reviver a apreensão -  não foi chamado. “Tudo bem porque no caso dele não temos pressa e, no ano que vem, ele passa na frente. Vai ter parente na escola.”

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