Ensino médio: o jeito mineiro de manter os alunos na sala de aula

Para reduzir a evasão escolar, Minas Gerais inclui na grade disciplinas extras com foco em empregabilidade

Brasil Econômico - Priscilla Arroyo |

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Do Oiapoque ao Chuí, o desafio dos educadores é evitar a evasão dos alunos matriculados no ensino médio. A dificuldade é ainda maior em instituições públicas localizadas nas áreas mais carentes do país, onde grande parte dos estudantes que não têm perspectiva de prestar o vestibular e vê mais sentido em dedicar seu tempo ao trabalho , para ajudar nas despesas de casa, do que marcar presença na escola.

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A situação não é diferente em Minas Gerais, onde a taxa de evasão no ensino médio foi de 47% em 2011, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Com o objetivo de diminuir a desistência, a Secretaria de Educação do Estado elaborou o programa “Reiventando o Ensino Médio”, que teve o projeto piloto implantado em 11 escolas públicas neste ano e será estendido para mais 122 instituições em 2013.

O programa consiste em agregar à grade obrigatória três opções de disciplinas extracurriculares (Turismo, Tecnologia da Informação ou Comunicação Aplicada). “Todas com foco em empregabilidade, o que estimula o interesse dos alunos, pois facilita a colocação no mercado de trabalho”, explica Ana Lúcia Gazzola, secretária de Educação de Minas Gerais.

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No começo do ano letivo, os estudantes participaram de um seminário no qual as novas matérias foram apresentadas. Dentre as três opções, eles puderam escolher uma matéria para cursar. “Apresentamos os pormenores das disciplinas e ajudamos os alunos a escolher a melhor opção de acordo com as competências naturais de cada um”, conta Fernanda Moreira de Araujo, coordenadora do programa na Escola Estadual Professora Maria Coutinho, localizada em Belo Horizonte.

Tecnologia da Informação foi a disciplina escolhida por Brenda Kelly Nascimento, 15 anos, matriculada no 1º ano da Escola Maria Coutinho. “Tenho facilidade em mexer com computadores, então acho que me encaixo bem nessa área”, conta. A garota destaca que o projeto mudou a atitude tanto dos alunos, quanto dos professores. “Hoje estamos nos entendendo melhor e também damos mais valor aos materiais de apoio, como ao laboratório de computação e à sala de vídeo”.

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No colégio Maria Coutinho, assim como nas outras instituições em que o programa foi implantado, os próprios professores foram habilitados para aplicar as novas disciplinas. A mudança enfrentou bastante resistência por parte dos professores no início. “Tivemos que abandonar nossa zona de conforto. Mas quando o projeto foi se desenhando, houve aceitação maciça”, conta a coordenadora Moreira, que deixou de dar aulas de artes plásticas para assumir o posto de coordenadora do programa.

Próximos passos

Os dados de evasão referentes a 2012 ainda não foram compilados. “Mas com certeza houve maior interesse dos alunos por todas as disciplinas, o que diminuiu o número de faltas”, afirma Moreira.

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No ano que vem, o programa será estendido para 122 escolas e a meta é que atinja as 2.206 unidades de Minas Gerais nos próximos anos. Três novas disciplinas serão oferecidas nessa nova fase: Empreendedorismo e Gestão, Meio Ambiente e Recursos Naturais.

“Além disso, algumas atividades das escolas devem ser incorporadas à comunidade. A ideia é que os alunos de Comunicação Aplicada, por exemplo, produzam placas novas de sinalização para os bairros”, conta Ricardo Fenati, um dos elaboradores do projeto.

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