USP terá de quintuplicar número de negros para cumprir programa de cotas

Apenas 7,3% dos 10.733 estudantes da instituição são pretos, pardos e indígenas

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A USP terá de quintuplicar o número de alunos pretos, pardos e indígenas de escolas públicas até 2016 para cumprir o porcentual de 35% de suas vagas reservadas a esses cotistas, prevista no programa apresentado nesta quinta-feira para as universidades paulistas . Hoje, a instituição tem apenas 7,3% com esse perfil, representado por 793 do total de 10.733 alunos.

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Com porcentuais um pouco superiores, Unesp e Unicamp também deverão multiplicar seus números. Na primeira, o índice de negros é de 9,8% - o que corresponde a 697 dos 7.094 estudantes - e na instituição de Campinas ele fica ainda um pouco abaixo: apenas 8,5% das 3.554 vagas são ocupadas por negros que saíram de escolas públicas. Por lá, eles somam 305.

Ao se considerar apenas os cursos mais concorridos desses três vestibulares, o porcentual tende a cair ainda mais. Neste ano, a graduação em Medicina no câmpus de Botucatu da Unesp, por exemplo, não tem nenhum aluno de escola pública, branco ou preto, em suas 90 vagas. O mesmo acontece com a graduação em engenharia mecânica do câmpus de Guaratinguetá, que, dos 30 calouros de 2011, não tinha nenhum oriundo de escola pública.

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Esses índices correspondem apenas aos negros oriundos de escolas públicas. Se forem considerados os que também saem dos colégios privados, o porcentual dobra.

Isso significa que, mesmo sendo exceção nas instituições, metade dos estudantes pretos, pardos e indígenas da USP, Unesp e Unicamp estudou em escolas particulares e, portanto, não estaria contemplada pela política de cotas anunciada nesta quinta-feira (20) pelo governador. Só na USP há 718 negros que são egressos de colégios privados. Na Unesp são 697 e, na Unicamp, 305.

A situação mais extrema está na Faculdade de Medicina de Marília (Famema). Lá, das 120 vagas, somente 11 são ocupadas por negros, nenhum deles egresso do ensino público.

O melhor cenário de equidade, por outro lado, está na Faculdade de Tecnologia (Fatec), cujos negros representam 23,7% do total de matriculados, sendo que 85,8% deles cursaram o ensino médio em escolas públicas. É a instituição que mais se aproxima do previsto pelo Pimesp.

De acordo com as regras anunciadas nesta quinta-feira pelo governo, metade das vagas do colégio comunitário serão destinadas para negros, pardos e indígenas.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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