Professores elogiam programa de cotas de São Paulo

Uso do mérito e colégio comunitário são diferenciais do projeto que vai reservar vagas nas universidades estaduais paulistas

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Apesar de, historicamente, as universidades estaduais serem contrárias à adoção de cotas, professores consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo aprovaram o projeto anunciado nesta quinta-feira (20) . O programa será debatido nas unidades (faculdades e institutos) e, depois, levado aos conselhos universitários.

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Para o professor Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, mesmo os cursos de ponta não devem sofrer queda de qualidade com a política de cotas atrelada ao colégio comunitário. Ele se diz curioso, no entanto, para sentir a reação interna. "Quero saber como será a reação da Faculdade de Medicina a essa notícia. Mas eu estou otimista e quero ver como será a experiência dessa inserção que não despreza o mérito", afirmou.

A docente de Arquitetura Maria Lucia Refinetti, também da USP, acha que a decisão é "justa e pertinente", mas acredita que se deva tomar dois cuidados primordiais. O primeiro é evitar a discriminação dessa população e, o outro, garantir que a qualidade do ensino não seja diminuída. "Na verdade, uma coisa está relacionada à outra. Se os alunos tiverem em nível de igualdade de conhecimento, eles não serão discriminados."

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É exatamente o uso do mérito, diz o sociólogo Simon Schwartzman, o que faz o programa paulista melhor que o federal . Mesmo assim, alerta, é preciso cautela. "Seria melhor não assumir metas tão ambiciosas antes de que tudo fosse testado", diz.

Docente da Escola Politécnica da USP, a Poli, o engenheiro Jorge Leal Medeiros pondera o tamanho do porcentual. "Não sei se precisaria ser tão radical, como fizeram as universidades federais." Apesar da ressalva, no entanto, ele diz ser favorável às cotas sociais, principalmente as raciais. "Precisamos prestigiar as classes menos favorecidas e, no caso dos negros, nós temos uma dívida histórica."

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O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, explica que, da forma como foi desenhado o projeto paulista, não faz sentido acreditar que ele dará espaço a candidatos mal preparados. "As pessoas acham que assim serão admitidos candidatos piores. Mas não. Nesses cursos, a diferença de nota entre o classificado em centésimo como o que ficou na posição 800 é ínfima. Não dá para dizer que um é melhor que outro", diz.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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