Khan Academy ganha versão offline para população sem acesso à internet

Iniciativa criada por estagiário pretende levar videoaulas para zonas rurais e presídios

Porvir |

Uma nova versão da Khan Academy, metodologia online de educação , ganhou agora uma versão offline. Os vídeos curtos criados pelo indiano Salman Khan, majoritariamente sobre assuntos de matemática e ciências foram assistidas mais de 200 milhões de 2004 para cá, mas com uma limitanção que incomodou um de seus estagiários: como revolucionar a educação no mundo se apenas 35% das pessoas têm acesso à internet? Como resposta, Jamie Alexandre lançou, na semana passada, aKhan Academy Lite, uma versão offline da plataforma que reúne vídeos e exercícios e funciona sem a necessidade de conexão constante.

Outras plataformas: Sem barreiras ao conhecimento, vídeo-aulas se multiplicam na web

Reprodução
Aula de divisão da Khan Academy já traduzida para o português

A iniciativa foi recebida com entusiasmo pela Khan Academy, que anunciou o feito de Alexandre em seu blog. O site desenvolvido pelo jovem e os voluntários que arrebanhou em muito se parece com o da Khan e apresenta um passo a passo sobre como a versão offline funciona. Primeiro, o interessado deve seguir as instruções e baixar para um computador a Khan Academy Lite, um aplicativo leve que contém os vídeos e os exercícios da plataforma tradicional. Essa máquina, mesmo que seja rudimentar, funcionará como um servidor local e o conteúdo que ela carrega poderá ser acessado por outros dispositivos, em vez de ser necessário o acesso à internet.

“Uma das principais virtudes da ‘revolução online da educação’ que estamos vivendo é a redução de barreiras geográficas e financeiras de acesso à educação para populações menos privilegiadas. Apesar da penetração em países desenvolvidos, apenas cerca de 35% da população global é classificada como ‘usuária de internet’. Fora do mundo desenvolvido, esse número cai para 30%”, diz Alexandre em seu blog pessoal. Apesar da perspectiva de que, em dez anos, a internet vá se tornar universal, continua ele, deixar os que não têm acesso à web para trás seria perder mais uma geração. “Os países onde a internet funciona pior também são os que vivem em pior situação sob diferentes aspectos, inclusive educação.”

Com o KA Lite, Alexandre espera conseguir fazer com que as videoaulas e os exercícios da plataforma cheguem a regiões rurais de todo o mundo. O jovem conta que já está em contato com a Numeric, uma organização que leva a Khan Academy para a África do Sul e enfrenta dificuldades por ter de contar com conexões muito instáveis. Outro uso que ele diz ter descoberto apenas no decorrer de sua empreitada é em sistemas prisionais dos EUA, onde o acesso à internet é controlado por motivo de segurança. “Mal posso esperar para ver onde o KA Lite vai ser usado e as coisas já começaram a acontecer”, diz.

No Brasil: Vídeos com aulas de americano são traduzidos para o português

No Brasil, a Fundação Lemann está traduzindo os vídeos e levando a Khan Academy para escolas públicas. De acordo com Daniela Caldeirinha, coordenadora de projetos da instituição, o acesso à internet estável ainda é um problema no país e a iniciativa pode ajudar a democratizar o acesso aos vídeos. Mas faz um alerta: muitas das funcionalidades que a Khan tem se esforçado em desenvolver dependem da internet – como o mapa de aprendizagem e as interações entre os usuários – e a versão offline não conta com elas.

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