Audiência pública questiona retirada de cursos do Ciência sem Fronteiras

Em novembro, foram retirados do edital do programa 24 cursos das áreas de humanas e saúde. Estudantes prejudicados criaram o movimento "Ciência com Fronteiras"

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Estudantes e deputados questionaram, nesta quinta-feira, 13, os critérios utilizados pelo Programa Ciência sem Fronteiras na concessão de bolsas de estudos de pós-graduação. No último edital da instituição, 24 cursos das áreas de humanas e saúde foram deixados de fora - em 2012, o programa concedeu cerca de 21 mil bolsas para cursos no exterior.

A questão foi debatida em audiência pública – cujo autor do requerimento foi o deputado Izalci (PSDB-DF) - realizada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. O parlamentar apresentou à comissão questionamentos de estudantes sobre o fato de o programa de mobilidade internacional do governo federal ter concedido tão poucas bolsas de pós-graduação a estudantes das áreas de ciências humanas e, principalmente, o motivo da retirada dos cursos desta área do último edital.

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Para Geraldo Nunes, coordenador do programa Ciência sem Fronteiras, a escolha dos cursos foi uma determinação da presidente Dilma Rousseff. “Então houve uma retirada: jornalismo, administração, comunicação, etc. A presidenta solicitou que os próximos editais contemplassem exclusivamente as áreas que fossem com enfoque exclusivo tecnológico”, disse.

“Ciência com Fronteiras”

O deputado Izalci, que presidiu a reunião, concedeu parte de seu tempo à estudante de Biblioteconomia da Universidade de Brasília Maria Luiza dos Santos, que expressou sua frustração ao relatar que se preparou o ano todo para concorrer à vaga e soube, somente em novembro, que seu curso havia sido cortado da lista.

A estudante contou que alunos de todo o país se juntaram em um movimento de protesto batizado de Ciência com Fronteiras e acionaram o Ministério Público .

"Ainda falam que é questão de área prioritária, mas no meu caso de editoração e publicações eletrônicas, isso envolve tecnologia”, disse Maria Luiza. “E por que enfermagem e fisioterapia foram retirados e medicina continuou? O que faz um curso melhor do que o outro? O que faz um aluno melhor do que o outro?”, questionou a estudante.

Pagamento difícil

Sobre o fato de existirem estudantes brasileiros na Europa sem receber a bolsa há vários meses, Geraldo Nunes explicou que o Banco do Brasil não sabia que haveria dificuldades em efetuar o pagamento para estudantes de pequenas cidades europeias, onde os bancos são locais.

“O Banco do Brasil se deparou com essa dificuldade agora. Nós estamos cotidianamente nos reunindo com o banco para resolver isso. Nós não sabíamos que esses bancos não têm nem código internacional para recepção de recursos externos”, afirmou.

O coordenador do Ciência sem Fronteiras reconheceu que é preciso fazer ajustes no programa. Ele informou que haverá uma reunião ainda nesta quinta-feira, em que já podem ser decididas mudanças nos critérios do programa.

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