Professores da PUC-SP suspendem greve. Alunos devem aderir nesta quinta

Decisão já estava prevista no início do movimento grevista. Segundo docentes, a luta pela renúncia da reitora Anna Cintra, no entanto, deve seguir

André Carvalho - iG São Paulo | - Atualizada às

Um dia depois de a Justiça conceder liminar determinando o afastamento da reitora Ana Cintra do cargo na PUC-SP , os professores decidiram suspender a greve que teve início no dia 13 de novembro. O movimento realizado em conjunto com estudantes e funcionários da instituição foi deflagrado para reivindicar a anulação da posse da reitora Anna Cintra, determinada pela Fundação São Paulo, entidade mantenedora da PUC. Os alunos, também paralisados, devem aderir à suspensão em Assembleia que será realizada nesta quinta-feira.

Leia também: 
- Nova reitora assume cargo na PUC-SP, mas greve continua
- Conselho Universitário da PUC tenta impedir posse de nova reitora
- Após ocupação da reitoria, estudantes da PUC-SP fazem greve
Professores aderem à greve e paralisação prossegue na PUC, em São Paulo
- Alunos lançam manifesto contra greve na PUC-SP
- Nova reitora assume cargo na PUC-SP, mas greve continua

A suspensão da greve, e a consequente volta às atividades, segundo os professores, já estava prevista no início do movimento grevista - que pede a renúncia de Anna Cintra e a posse do professor Dirceu de Mello, ex-reitor e primeiro colocado na lista tríplice definida nas eleições diretas ao cargo.

Os docentes afirmaram que, neste momento, a manutenção da greve prejudicaria os alunos, pois o ano letivo está chegando ao fim (a PUC entra em recesso no próximo dia 20) e é preciso dar continuidade no processo de avaliações finais. Eles reafirmam, no entanto, a continuidade da luta pela renúncia da nova reitora com organização de novas manifestações. A tendência é que a greve seja retomada no início do próximo ano letivo, com ações sendo realizadas junto aos calouros.

Terceira colocada

Alice Vergueiro / Futura Press
O Conselho Universitário da PUC-SP reuniu-se nesta quarta-feira, 12, no campus de Perdizes, em São Paulo

Anna Cintra foi a candidata menos votada na eleição para o cargo, mas o cardeal arcebispo de São Paulo, Dom Odilio Scherer, responsável por referendar o reitor, a escolheu para assumir a universidade, a despeito de a docente ter assinado um documento se comprometendo a não assumir o cargo caso não fosse a mais votada no pleito - fato que revoltou a comunidade puquiana (apenas as faculdades de Administração e Artes do Corpo não aderiram à greve).

Nesta quarta-feira, ratificando a determinação da liminar impenetrada no dia anterior, o Conselho Universitário (Consun) suspendeu a lista tríplice enviada ao arcebispo para a escolha do reitor – decisão que havia sido definida em reunião no dia 28 de novembro -, mas a Fundação São Paulo manteve Anna na função. Um dia antes, na terça-feira, 11, alunos e professores impediram a reunião do novo Consun, com representantes indicado pela reitora.

Vitória dos professores nos tribunais

Na tarde desta quarta-feira, a Fundação São Paulo sofreu nova derrota nos tribunais. A entidade havia impenetrado ação no Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo contra a greve dos professores, mas a ação foi julgada improcedente, afirmando a legalidade do movimento grevista - foram indeferidos, por unanimidade, todos os requerimentos da Fundação São Paulo. A decisão final afirma que, com a nomeação de Anna Cintra para o cargo, “quebrou-se o consenso, a história e a tradição” da PUC, completando que “a Fundação São Paulo não é a PUC”.

Para os representantes da Associação dos Professores da PUC-SP (Apropuc), a vitória é histórica. Na opinião da professora Priscila Cornalbas, da Faculdade de Educação, “mais uma vez, marcamos a história desse país”.

Para Victória Weischtordt, professora do departamento de inglês da Faculdade de Filosofia, Comunicação, Letras e Artes e presidente da Apropuc, “o TRT deu um voto histórico, desconsiderando as formalidades exigidas em uma lei retrógada, e avaliou a real dimensão do movimento grevista, levando em consideração a tradição democrática da história da PUC ao invés de se prender às questões formais”.

“Conjuntura de vitórias”

O impedimento da reunião do Conselho Universitário indicado por Anna Cintra, a ratificação da decisão de invalidar a lista tríplice (invalidando a posse da reitora) e as vitórias nos tribunais, fatos ocorridos nesta semana, foram celebrados em um grande ato, na noite desta quarta-feira, na quadra da PUC, pelos alunos e representantes de fora da universidade, solidários à greve.

Para Roberto de Oliveira, estudante de Jornalismo e representante da Comissão de Imprensa da Greve da PUC, “a intenção do ato é reafirmar as vitórias conquistadas nesta semana neste dia que marca um mês da deliberação da greve”. De acordo com o estudante, a tendência é que o corpo dicente adira à suspensão da greve, fato que não deverá gerar um arrefecimento na luta pela queda de Anna Cintra. “A greve não é um principio, e sim um instrumento de luta”, afirmou.

A Fundação São Paulo

Em nota, a Fundação São Paulo afirma que “a informação veiculada de que a liminar concedida pela 4ª Vara Cível do Foro Central de São Paulo teria cassado o mandato da Reitora nomeada pelo Grão-Chanceler é equivocada. Isso porque a medida liminar apenas restabeleceu os efeitos da Deliberação do CONSUN nº 65/2012, possibilitando o julgamento do recurso interposto naquela instância”.

Segundo a entidade mantenedora da PUC-SP, “a deliberação do Conselho Universitário pela suspensão da lista tríplice, decorridos quase 90 (noventa) dias de sua unânime homologação pelo mesmo Colegiado, é no mínimo incoerente”.

A Fundação ressalta, ainda, diz que “sendo a PUC-SP uma universidade comunitária-privada, somente o Grão-Chanceler, como instância de deliberação máxima, tem poderes para revogar a nomeação da Reitora, nos termos dos seus Estatutos. Assim, a PUC-SP informa que a nomeação da Profa. Anna Maria Marques Cintra está mantida, pois foi feita pelo seu Grão-Chanceler, a quem compete essa prerrogativa, em estrita observância às normas estatutárias”.

    Leia tudo sobre: PUC-SPgreveAnna Cintra

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG