Vencedores da Olimpíada de Língua Portuguesa comemoram em Brasília

Além de medalhas, 20 estudantes, seus professores e a escola ganharam computadores. Durante mais de um ano, educadores receberam formação

Priscilla Borges - iG Brasília | - Atualizada às

Vinte estudantes de escolas públicas de 13 Estados brasileiros venceram nesta segunda-feira a Olimpíada de Língua Portuguesa Escrevendo o Futuro. Eles receberam medalhas de outro por textos escritos e reescritos ao longo de um ano de trabalhos em escolas dos mais variados municípios do País. Os professores e os colégios desses alunos também serão premiados.

Todos os 152 finalistas que participaram da cerimônia esta tarde em Brasília receberam tablets. Os 20 alunos e seus respectivos professores vencedores da etapa nacional receberam medalhas e notebooks. As escolas onde estudam, por sua vez, vão receber dez computadores, impressora, projetor e telão para montar laboratórios de informática e livros para a biblioteca.

Alan Sampaio / iG Brasília
Estudantes e professores foram premiados em Brasília: notebooks e medalhas. As escolas ganharam laboratórios de informática completos

Criado em 2002 pela Fundação Itaú Social, com a coordenação técnica do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec), o prêmio pretende servir como estímulo para a leitura e desenvolvimento de competências de escrita a alunos de diferentes níveis de escolaridade. Em 2008, com o apoio do Ministério da Educação, se transformou também em um grande projeto de formação de professores.

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Os estudantes e professores premiados nesta tarde se inscreveram em 2011. Ao todo, foram 7 milhões de alunos participantes e 239 mil professores de mais de 60 mil escolas públicas. Os textos foram divididos em quatro categorias: poema (5º e 6º anos do ensino fundamental), memórias literárias (7º e 8º anos do ensino fundamental), crônica (9º ano do ensino fundamental e 1º ano do ensino médio) e artigo de opinião (2º e 3º anos do ensino médio).

Maria Alice Setúbal, diretora-presidente do Cenpec, ressaltou que a qualidade dos textos impressionou os jurados. “O texto de cada um mostrou a força da palavra e a importância da inclusão das vozes das crianças e dos adolescentes nas políticas públicas”, afirmou. “Um professor comprometido com a aprendizagem do aluno pode fazer muita diferença”, disse.

Emoção e realização

Professores e alunos premiados não conseguiram conter lágrimas, gritos, choros e muitos sorrisos emocionados com os resultados. A professora Maria Gisélia Bezerra Gomes, de 52 anos, ganhou duas medalhas de ouro. Uma na categoria poema e outra na de memórias literárias. “Para quem ficou lá, isso é motivação. Para quem veio e ganhou, realização”, disse.

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Maria Gisélia trabalha na rede pública da cidade de Alto Santo, no Ceará, há 24 anos, e se prepara para aposentar. Em todas as edições da Olimpíada, desde 2004, algum aluno dela faturou alguma medalha. O segredo do sucesso, segundo ela, é simples. “Eu trabalho para conseguir aprendizagem e não medalhas. Acompanho de perto as dificuldades. Se precisar, estudo com eles em casa. Mas tem de me mostrar resultado”, contou.

Alan Sampaio / iG Brasília
Lamaira Condack e a professora Argelia Peixoto ganharam a primeira medalha na Olimpíada de Língua Portuguesa da cidade onde moram, Espera Feliz (MG)

Argelia Peixoto, outra professora premiada, só que da cidade de Espera Feliz, em Minas Gerais, acredita que as medalhas têm um significado muito importante para as crianças do interior. “Tudo parece muito distante. Mas quando um colega consegue, eles percebem que também podem conseguir”, comentou. Lamaira Condack, 11 anos, sua aluna medalhista, defende que os resultados servem de incentivo para estudar ainda mais.

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Lívia da Silva dos Santos, 16 anos, cursa eletrotécnica no Instituto Federal de Pernambuco, ficou muito emocionada com a premiação. Para ela, a conquista vai estimular que outros colegas de instituição – tão tradicional na área de exatas – valorizem a leitura e a escrita. “É surreal tudo o que está acontecendo. Passei o ano todo escrevendo e reescrevendo esse texto”, admirou-se a jovem, entre lágrimas.

Mesmo para quem não conquistou a vitória, participar da cerimônia já foi um prêmio. Ademário Nogueira dos Santos Neto, 15 anos, veio à Brasília pela primeira vez. Ele mora em Eirunepé, no Estado do Amazonas, cidade a 1.250 quilômetros de distância da capital Manaus. “Tenho muito orgulho de estar aqui representando a minha cidade”, comemorou.

O prêmio

Na primeira edição do prêmio, que é bianual, 7 mil docentes e 368 mil estudantes se inscreveram. Na edição seguinte, realizada em 2004, o número de professores e alunos inscritos subiu para 25.377 e 1,5 milhão, respectivamente. A primeira edição da Olimpíada em 2008 recebeu 202.280 inscrições de professores e envolveu 6 milhões de alunos.

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Pelo modelo da Olimpíada, os anos pares são reservados para a mobilização e a premiação de professores, alunos e escolas. Nos ímpares, os professores e os educadores das várias secretarias municipais e estaduais de educação recebem cursos de formação presencial e à distância. Além disso, materiais sobre todos os gêneros literários são enviados às escolas.

Antes de chegar à final, os 125 semifinalistas de cada categoria participaram de encontros regionais para realizar oficinas, fazer passeios culturais e conhecer os 38 finalistas. As semifinais foram realizadas nas cidades de Fortaleza (poemas), São Paulo (memórias literárias), Natal (crônica) e Belo Horizonte (artigos de opinião).

Confira os nomes dos ganhadores em cada categoria

Poema
Ana Letícia Oliveira Dutra e professora Maria Gisélia Bezerra Gomes – Escola Municipal Urcesina Moura Cantídio, Alto Santo, Ceará

Lamaira Condack Gonçalves e professora Argelia Peixoto – Escola Estadual Interventor Júlio de Carvalho, Espera Feliz, Minas Gerais

Ulisses Gallo de Lima e professora Carla Amábili Gallo Gimenez Lima – Escola Municipal Monsenhor Celso, Astorga, Paraná

Henrique Douglas de Oliveira e professora Simone Bispo de Moura Costa – Escola Municipal Ariamiro Germano da Silveira, José da Penha, Rio Grande do Norte

João Pedro Artifon Canton e professora Salete Inês Lecardelli – Escola Professor Claudino Locatelli, Ipumirim, Santa Catarina

Memórias literárias
Isabela Kethyes Bezerra Bessa e professora Maria Gisélia Bezerra Gomes – Escola Municipal Urcesina Moura Cantídio, Alto Santo, Ceará

Bruno Marques da Silva e professora Elizate Vilela de Faria Silva – Escola Municipal Otávio Olímpio de Oliveira, Divinópolis, Minas Gerais

Beatriz Aparecida Melo Garcia e professora Maria Inês Resende – Escola Municipal Antônio Francisco da Silva, Santa Bárbara do Tugúrio, Minas Gerais

Nathalya Cristina Trevisanutto e professora Vanicléia de Oliveira Sousa Rebelo – Centro Educacional Dr. Duílio T. Beltrão, Tamboara, Paraná

Jhonatan Oliveira Kempim e professor Alan Francisco Gonçalves Souza – Escola Municipal Teobaldo Ferreira, Espigão D’Oeste, Rondônia

Crônica

Roberta Oliveira Morim e professora Rosangela Aparecida Morim – Escola Estadual Anita Ramos, Douradoquara, Minas Gerais

Pedro Henrique Siqueira de Sousa e professora Núbia Silvana Lima Machado Franchini – Escola Municipal Tancredo Neves, Novo Progresso, Pará

Lívia da Silva dos Santos e professora Tatiana Simões e Luna, Instituto Federal de Pernambuco, Recife, Pernambuco

Mara Domingos da Silva e professora Lucilene Aparecida Spielmann Schnorr –Centro Educacional São Pedro, São Pedro do Iguaçu, Paraná

Elias dos Santos Marinho e professor Luciano Acciole Gomes – Escola Municipal Vereador João Prado, Japaratuba, Sergipe

Artigo de opinião
Paulo Renan de Souza Figueiredo e professora Maria Iracilda Gomes Cavalcante Bonifácio – Escola Estadual Professor José Rodrigues Leite, Rio Branco, Acre

Ana Lina Souza de Oliveira e professora Lilian Torres Chaves – Escola Estadual Rivanda Nazaré da S. Guimarães, Macapá, Amapá

Patrícia Vieira de Queiroga e professora Sandra Regina de Oliveira Lúcio – Estadual Estadual Monsenhor Vicente Freitas, Pombal, Paraíba

Taiana Cardoso Novais e professora Ladmires Luiz Gomes de Carvalho – Escola Estadual Professor José F. Machado, Natal, Rio Grande do Norte

Carloci D’Ávila Menezes Junior e professor Luiz Carlos Leivas Saldanha – Escola Estadual Marechal Hermes, Santa Margarida do Sul, Rio Grande do Sul


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