Escolas estaduais de Minas Gerais colocam placas com nota do Ideb

Unidades de ensino do estado de Goiás e do município do Rio de Janeiro já adotam a medida, que divide especialistas

Todos pela Educação |

As escolas da rede pública de ensino de Minas Gerais começaram a receber, nesta semana, placas contendo informações sobre os resultados do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). A proposta é que, até o início do ano letivo de 2013, as mais de três mil unidades de ensino administradas pelo estado recebam e instalem o painel – já foram contempladas, até a presente data, 21 escolas.

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De acordo com a Secretaria de Educação de Minas Gerais, cada escola tem autonomia para escolher o local onde deseja fixar a placa, desde que seja num ponto em que haja grande fluxo e de fácil visualização. Os índices mostrados referem-se aos resultados do Ideb no ciclo I e II do Ensino Fundamental, uma vez que o Ideb do Ensino Médio é calculado de forma amostral.

A medida não é inédita. Em agosto do ano passado, a rede estadual de Goiás também afixou placas com as notas do Ideb nas escolas. Com a divulgação do índice de 2011, os painéis estão sendo atualizados e fixados em um poste na calçada dos estabelecimentos de ensino. O prédio da Secretaria de Estado da Educação de Goiás também tem, em sua fachada, uma placa com os índices totais da rede.

Medida controversa

A medida gera controvérsia, dividindo opiniões sobre o impacto pedagógico e na gestão escolar. Alguns especialistas acreditam que a comunicação dos dados mobiliza a comunidade. Outros, por outro lado, negam a eficácia da ação. Para eles, a medida estigmatiza as unidades de ensino, impondo um rótulo que pode ser maléfico para a evolução dos processos de ensino e de aprendizagem.

“Não se deve expor. Os resultados das avaliações externas devem ser públicos, mas não dessa forma. Eles devem motivar projetos que melhorem a qualidade do ensino”, afirma Ruben Klein, consultor da Fundação Cesgranrio, membro da comissão técnica do Todos Pela Educação e presidente da Associação Brasileira de Avaliação Educacional (Abave).

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Estudos apontam que as escolas com Ideb baixo normalmente atendem alunos de perfil socioeconômico baixo, que dificilmente se engajariam nas mudanças necessárias. “Os pais não vão resolver tudo”, opina Klein.

O pesquisador também teme que a “etiqueta” do Ideb desmotive, além de alunos e pais, os profissionais que atuam na escola: professores, coordenadores e gestores. “Isso pode puxar todo mundo para baixo. Temos que apender a trabalhar os dados diagnósticos com as famílias sem criar esses rótulos”, diz.

No Rio de Janeiro

Há dois anos, o município do Rio de Janeiro adota a medida. As placas - fixadas em áreas internas da escola, e não na porta - contêm os resultados consolidados do Ideb e do IDE-Rio, avaliação própria da rede, além de expor as metas estabelecidas pela avaliação nacional e municipal. Para Claudia Costin, secretária municipal de Educação do Rio de Janeiro, o Ministério da Educação (MEC) já enviava às escolas uma espécie de placa com os resultados do Ideb, sugerindo que fosse impressa e fixada na escola.

“Nós vimos e achamos a política interessante, antes de começar todo esse debate em torno da ideia”, afirma. “O Ideb é um grande avanço da Educação brasileira, que dá um retorno de como a escola se encontra perante à comunidade e como ela evolui em relação a ela mesma”, completa Costin.

A secretária garante que as placas ajudaram a trazer o tema da avaliação para o debate entre professores e famílias. “Isso foi tematizado na reunião de pais, que ocorre uma vez a cada bimestre. Eles se identificaram com a medida e mencionam o Ideb, que agora faz parte da linguagem deles. É uma medida que faz sentido para eles e permite que eles participem mais”, afirma, completando que “nossas melhores escolas, com os resultados mais altos hoje, são as que colocam as placas em todos os lugares. Há casos de colégios que fixaram em todos os andares do prédio”.

Diagnóstico

O Ideb da rede estadual mineira para os anos iniciais do Ensino Fundamental atingiu a nota 6,0 em 2011, média que em que estão os países da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). A nota também é a meta que todo o Brasil deve atingir até 2022.

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Minas Gerais também é a Unidade da Federação que tem a maior porcentagem de municípios com índice igual ou superior a 6 para essa fase da etapa de ensino: 36,7%, taxa que representa 284 cidades.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, o Ideb da rede é de 4,4, o segundo maior do País (a média nacional ficou em 4,1). Já para o Ensino Médio, é de 3,9, enquanto o índice do País é de 3,7.

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