Brasileiros em Portugal exaltam bolsa de estudo, mas reclamam da adaptação

Estudantes contemplados com bolsas de estudo do programa Ciência sem Fronteira em Portugal afirmam ser privilegiados, mas sentem falta de comida brasileira e reclamam do frio

Agência Brasil |

Agência Brasil

Os dados mais recentes do programa do governo federal Ciência sem Fronteira indicam que 17.134 estudantes brasileiros fazem intercâmbio em universidades e instituições de ensino superior de 38 países. O principal destino destes universitários é Portugal, o que se explica, em parte, pela facilidade de adaptação.

Os bolsistas brasileiros que vão para lá recebem uma ajuda de custo significativa. Cada brasileiro recebe 870 euros mensais (cerca de R$ 2.400), além de auxílio-instalação de 1.320 euros (cerca de R$ 3.645) e seguro-saúde de 70 euros mensais (cerca de R$ 190). Os estudantes também recebem passagens aéreas de ida e volta, no começo e no término do intercâmbio de 12 meses. Nesse período, devem dedicar de nove a dez meses aos estudos em tempo integral e o restante, a estágio na área de atuação.

“Vir para cá é um privilégio. Por isso, o mais importante é o comprometimento. É o que eu quero levar de volta”, diz Gabriel dos Passos Gomes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e bolsista da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Intercâmbio: Cortes em verba para educação em Portugal não ameaçam brasileiros

Gomes critica, entretanto, a falta de comprometimento de colegas brasileiros. “Muitos não estão levando a sério. Isso é um desrespeito tremendo com o povo. Pagamos muitos impostos no Brasil”.

De acordo com o estudante, há alunos matriculados em poucas disciplinas e com muitas faltas. “Outras pessoas queriam vir e poderiam estar fazendo melhor”, disse ao lembrar que a seleção para uma bolsa em Portugal foi uma das mais concorridas do programa.

Agência Brasil
Frio e saudade da culinária brasileira incomodam, apesar dos benefícios oferecidos aos bolsistas

Estudante da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e também bolsista na Universidade de Lisboa, Maiara Sakamoto Lopes endossa a crítica. “Quando o [ministro da Educação Aloizio] Mercadante anunciou o programa, disse que as pessoas vinham para aprender e conhecer novas tecnologias. Mas há pessoas gastando o dinheiro do programa sem cursar as disciplinas”, critica. “Ainda vão voltar para o Brasil e reclamar que o país não se desenvolve.”

Portugal: Universidade de Coimbra é o principal destino do Ciência sem Fronteiras

Para a presidenta da Associação de Pesquisadores e Estudantes Brasileiros em Coimbra (Apeb-Coimbra), Viviane Carrico, é possível se divertir sem prejudicar o desempenho acadêmico. “Estudantes que vêm com um propósito tem que se organizar. O dia tem 24 horas e ninguém precisa ir a todas as festas”, aconselha.

O pagamento de bolsas está sujeito à fiscalização administrativa das agências pagadoras, assim como da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Tribunal de Contas da União (TCU).

Adaptação

Os estudantes brasileiros que conseguiram uma bolsa para cursar parte da graduação em Portugal, por meio do Programa Ciência sem Fronteira, começaram a chegar ao país em setembro, pouco antes do início do outono no Hemisfério Norte e da queda da temperatura na região. Atualmente, os termômetros em Lisboa têm marcado em torno de 10 graus Celsius (ºC).

A temperatura deverá cair ainda mais nos próximos dois meses com a chegada do inverno. “É um vento gelado e o sol não esquenta”, descreve Aline Pacheco Albuquerque, que estuda química industrial na Universidade Estadual da Paraíba (Campina Grande) e é bolsista na Universidade de Lisboa.

Ciência sem Fronteiras:  Abertas chamadas para bolsas na Suécia, Hungria e Noruega

O frio também incomoda Jéssika Hirata, que cursa engenharia civil na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e se prepara para o inverno em Coimbra. “Já sinto saudade de temperaturas mais altas, mas não daquele calor de Cuiabá”, diz. A maior preocupação da estudante, no entanto, não é a mudança de clima, mas de alimentação. “A comida é muito diferente.”

Leia mais: Ciência sem Fronteiras é alvo de ação na Justiça Federal

Aline Pacheco Albuquerque, aluna da Universidade Estadual da Paraíba, sente falta da carne bovina. “Aqui eles comem mais peixe e carne de porco”, descreve. O Brasil é o maior produtor e exportador de carne do mundo, enquanto Portugal tem o bacalhau como um dos símbolos da sua gastronomia.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG