Desigualdades regionais, sociais e raciais no atraso escolar diminuem

Dados do IBGE mostram que distorção entre a idade série de estudantes ainda é grande, mas negros, pobres e a região Nordeste evoluíram mais entre 2001 e 2011

Priscilla Borges - iG Brasília |

O desafio do Brasil para que a população jovem curse a série adequada para sua idade continua grande. Apenas metade (51,8%) dos brasileiros com idade entre 15 e 17 anos está no ensino médio, etapa considerada ideal para essa faixa etária. Ao longo dos anos, o aumento desses índices tem sido lento. A boa notícia é que o maior salto nessa direção ocorreu entre os tradicionalmente mais excluídos: os negros, pobres e moradores da região Nordeste.

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Dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, na última década, o número de jovens pretos e pardos de 15 a 17 anos que estudam no ensino médio saltou mais de 20 pontos percentuais. Em 2001, apenas 24,4% da população com essas características estudava na série adequada. Em 2011, a Síntese dos Indicadores Sociais registra 45,3%. Entre os brancos, a evolução foi de 49.5% em 2001 para 60% em 2011.

Desigualdade diminui, mas ainda é grande

Taxa de frequência líquida entre jovens de 15 a 17 anos aumentou na última década, especialmente para a população negra e no Nordeste. Mas números ainda são baixos (em %)

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Síntese dos Indicadores Sociais 2011/IBGE

O número ainda é bem distante do ideal, mas reflete uma queda nas desigualdades, que sempre tiveram um caráter racial e regional. A região Nordeste obteve a maior taxa de crescimento na taxa de escolarização líquida (que mede quanto dos alunos estão frequentando a escola na série adequada) do País na última década. O número de adolescentes de 15 a 17 anos matriculados no ensino médio mais que dobrou na região.

Em 2009: Só metade dos brasileiros entre 15 e 17 anos está no ensino médio

Em 2001, a taxa era de 20,9% no Nordeste. Agora, 43%. Em seguida, aparece a região Centro-Oeste com crescimento maior. Saltou de 37,5% para 57%. No Norte, o aumento foi de 27% para 41,3%. No Sudeste, saiu de 48,2% no início da década para 59,8% em 2011. O Sul teve a mudança mais discreta, passando de 48,2% para 55,5%. Os mais pobres foram os mais incluídos. A taxa entre os 40% mais pobres cresceu mais de 20 pontos percentuais.

O crescimento lento representa outras fragilidades na inclusão desses jovens no ambiente escolar. Os primeiros dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011, divulgados em setembro, revelaram que o número de brasileiros de 15 a 17 anos que não estudava havia aumentado . Em 2008, 84,1% dessa população estava matriculada em alguma etapa escolar. Em 2009, aumentou para 85,2% e, em 2011, caiu para 83,7%. Deles, apenas 51,8% frequentam o ensino médio. Mais de 1,7 milhão está longe da escola.

Atraso escolar

O impacto do atraso escolar, que começa ainda nas primeiras séries do ensino fundamental, pode ser percebido pelos dados da repetência escolar. Calculadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), as taxas de reprovação divulgadas na Síntese de Indicadores Sociais de 2011 revelam que 7,2% das crianças que frequentavam do 1º ao 5º ano do ensino fundamental naquele ano foram reprovadas.

Nas séries finais (6º ao 9º ano), a taxa subiu para 12,4%. Nas regiões Norte e Nordeste, em média, o dobro de estudantes foi reprovado em comparação com o Sudeste nos anos iniciais. No Rio de Janeiro, 10,7% das crianças deste ciclo tiveram de fazer a série que cursavam novamente. No ensino médio, a taxa média brasileira é de 13,1%. Na rede pública, as taxas são duas vezes maiores, pelo menos, do que na rede privada de ensino em todas as etapas.

O atraso que começa ainda na infância se reflete em toda a trajetória escolar dos brasileiros. De acordo com o relatório do IBGE, metade dos jovens estudantes de 18 a 24 anos de idade, que já deveria ter concluído a educação básica e ingressado na universidade, ainda não estava no ensino superior (49%). Um percentual de 8% dessa população ainda tentava concluir o ensino fundamental. A diferença entre estudantes brancos e negros é de quase o dobro.

Enquanto apenas 4,5% dos estudantes brancos de 18 a 24 anos ainda tentam terminar o ensino fundamental e a grande maioria (65,7%) já cursa o ensino superior, 11,8% dos jovens pretos e pardos frequentam o ensino fundamental. A maioria (45,2%) ainda está no ensino médio e 35,8% chegou à faculdade. “Isso é uma evidência de que o crescimento substancial na frequência líquida dos estudantes de cor ou raça preta ou parda no ensino médio não foi suficiente para reverter os efeitos do atraso escolar desse grupo ao longo dos últimos dez anos”, afirma o documento do IBGE.

A proporção de jovens dessa faixa etária que abandonou os estudos sem nem completar o ensino médio diminuiu 11,5 pontos percentuais na última década, passando de 43,8% para 32,2%. Em 2011, o abandono escolar precoce atingia mais da metade dos jovens de 18 a 24 anos de idade pertencentes ao grupo dos 20% mais pobre do País, enquanto no grupo mais rico a proporção era de apenas 9,6%.

Os jovens na educação brasileira

A distribuição dos estudantes de 18 a 24 anos de idade por nível de ensino mostra desigualdades entre brancos e negros (em %)

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Síntese dos Indicadores Sociais 2011/IBGE

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