Manifestação acontece nesta terça-feira, às 18h, em frente à reitoria. Protesto é contra as mudanças que seriam impostas pela Unicsul, nova proprietária da instituição

Estudantes da Universidade da Cidade (Unicid), de São Paulo, realizarão um protesto nesta terça-feira, 27, às 18h, em frente à reitoria da faculdade, contra as possíveis mudanças na grade curricular, o aumento de mensalidades e demissões de docentes promovidas pelo Grupo Cruzeiro do Sul Educacional - que recentemente adquiriu a Unicid. A manifestação faz parte de uma mobilização de alunos que já promoveu outros protestos nas últimas semanas.

Outro caso: Alunos reclamam que faculdade troca aula presencial por à distância

Segundo Juliana Aparecida de Almeida, estudante de pedagogia, os estudantes reivindicam que a matriz curricular permaneça inalterada. A Unicid utiliza o método pedagógico EpC (Ensino para Compreensão), valendo-se de um currículo modular, diferente do modelo disciplinar convencional, utilizado pela maioria das universidades.

Alunos da Unicid protestaram, na última sexta-feira, contra as possíveis mudanças que seriam impostas pela Unicsul na matriz curricular da instituição
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Alunos da Unicid protestaram, na última sexta-feira, contra as possíveis mudanças que seriam impostas pela Unicsul na matriz curricular da instituição

“O currículo modular faz a união da teoria com a prática e os professores tem horários coletivos, dando, sempre, continuidade às disciplinas, que são chamadas de unidades curriculares. Defendemos este modelo, que é um diferencial de nossa universidade. Com a aquisição por parte da Unicsul, teremos um retrocesso, voltando a ser adotado, aqui, o modelo disciplinar, engessado, que não condiz com nossa linha pedagógica”.

Outra reclamação vem da parte dos estudantes de Medicina, que afirmam ser abusivo o reajuste da mensalidade para o primeiro semestre de 2013. Após ser divulgado, no site da universidade, que a mensalidade teria um aumento de 18%, sendo elevada de R$ 4.830 para R$ 5.613, os alunos protestaram, na última sexta-feira, 23, contra o que consideram ser um abuso. O reitor Luiz Henrique Amaral, então, afirmou tratar-se de um erro no site e que o valor correto da mensalidade seria de aproximadamente R$ 5.200, um reajuste de 9%. Porém, até a presente data, o valor da mensalidade no site permanece sendo o de R$ 5.613.

Além dessas duas reivindicações, os universitários ganharam na segunda-feira um motivo a mais para protestar: quatro docentes, que apoiavam os protestos dos estudantes e se posicionavam contra as mudanças impostas pelo Grupo Cruzeiro do Sul Educacional, foram demitidos. São eles: Liliam Ferreira Manocchi (coordenadora da Pedagogia e Matemática), Débora Regina Machado Silva (coordenadora da Engenharia Ambiental, Segurança e Ciências Biológicas), Marco Antonio Sampaio de Jesus (coordenador da Administração) e Denise Aparecida Campos (Pró-Reitora de Graduação).

“O Grupo Cruzeiro do Sul ignorou os professores, eles foram obrigados a mudar o método”, afirma a estudante de pedagogia, ressaltando que aqueles que não aceitaram as imposições foram demitidos. Ela afirma que não tem havido diálogo com o reitor Luiz Henrique Amaral, que insiste em afirmar que as mudanças serão benéficas. “Ele tem se mostrado despreparado nas reuniões”, diz.

Juliana expõe uma crítica que é comum aos outros manifestantes. “Quando entramos na universidade, recebemos um currículo que é seguido e respeitado durante a graduação. Escolhemos a Unicid pelo diferencial pedagógico que ele nos dá. Não dá pra ser alterado assim, no meio do processo”, afirma a estudante, completando que “a Unicid é inovadora”.

A possibilidade da adoção do ensino à distância também preocupa os alunos. “O pessoal que estuda na Unicsul nos disse que em dois dias da semana eles não têm aulas na faculdade. O ensino à distancia seria promovido e isso é consequência da mudança”.

Diga não à regressão

Os alunos que protestam contra as mudanças na Unicid criaram, em 29 de outubro, um grupo no Facebook chamado “Diga Não à Regressão”. Até a tarde desta terça-feira, 27, a página contava com 787 “curtidores”. Também foi criada, na internet, uma petição pública contra a alteração da matriz curricular da universidade que continha, também até a tarde desta terça, 1160 assinaturas.

Na página do Facebook, os alunos afirmam que “as consequências das mudanças propostas, como todos nós sabemos, não são somente de cunho curricular, mais envolve a qualidade de ensino, a relação aluno professor, a formação ética e principalmente a relação de confiança estabelecida na contratação do serviço, inadmissível quando se trata de uma instituição de ensino. Diante disso, reafirmamos: recusamos firmemente a grade imposta pela Cruzeiro do Sul Educacional S\A para os alunos veteranos de todos os cursos, assim como exigimos que seja mantido o corpo docente como garantia de qualidade de ensino prestado até o momento".

O outro lado

Em nota divulgada à reportagem do iG , a Unicid afirma que a reitoria da universidade está em contato com representantes dos alunos de todos os cursos desde o dia 8 de novembro “para dirimir dúvidas e esclarecer os flagrantes mal entendidos em relação à organização curricular para 2013”.

Ainda segundo a nota, “não há mudanças previstas nem no conteúdo programático e nem no quadro de docentes da Unicid para o ano de 2013, exceção feita à rotatividade de praxe”. Sobre a demissão dos professores, “a Unicid ressalta que contratações e demissões são atribuições da instituição, como acontece nos demais segmentos”.

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