Avaliação educacional para América Latina será definida até fevereiro

No início do próximo ano, seminário será realizado na Argentina para discutir propostas de indicadores de qualidade apresentadas por cada país

Priscilla Borges - iG São Brasília |

Os países do Mercosul deram mais um passo hoje rumo à criação de uma avaliação educacional específica para a América Latina. Reunidos no Ministério da Educação na tarde desta sexta-feira, representantes da Argentina, Chile, Uruguai, Bolívia e Equador aprovaram a organização de um seminário para definir os critérios da nova avaliação, que vem sendo discutida desde 2011, ainda na gestão do ex-ministro Fernando Haddad.

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No encontro, que será realizado em Buenos Aires, na Argentina, em fevereiro, gestores e especialistas de todos os países que serão convidados para o evento deverão dividir as experiências de avaliação da qualidade de ensino em cada país e apresentar propostas para indicadores comuns. Além disso, um documento com sugestões de alteração na metodologia do Programa de Avaliação Internacional de Estudantes (Pisa) também será produzido.

Os educadores dos países que discutem essa proposta há dois anos estão convencidos de que a avaliação internacional mais popular na aferição da qualidade de ensino no mundo, o Pisa, não é capaz de medir as especificidades da região. Por isso, não contribui de forma efetiva para melhorar o aprendizado das crianças e dos adolescentes desses países. As dificuldades de inclusão, além do contexto socioeconômico das crianças, não aparecem no Pisa.

“Acho que precisamos pensar em temas complementares para uma avaliação regional, que não estão contempladas no Pisa hoje. O conceito de qualidade educativa precisa ser mais amplo. Temos uma história que não aparece nesses dados”, enfatizou o ministro da Educação da Argentina, Alberto Sileoni. O vice-ministro do Uruguai, Luis Garibaldi, reforçou que a nova proposta de avaliação deve contemplar mais do que resultados de aprendizagem.

Aloizio Mercadante, ministro da Educação brasileiro, ressaltou que não há definições sobre quais indicadores serão usados para compor a nova avaliação. Certo é que não será exclusivamente uma prova. “Ainda é cedo para falarmos em fazer uma nova prova. Queremos criar uma metodologia específica e abrangente, mas vamos estudar propostas agora e definir propostas no seminário”, disse.

Intercâmbio

Além das definições sobre a nova avaliação, o encontro definiu outras parcerias entre os países do Mercosul. Os representantes querem criar 3 mil bolsas de estudos para estudantes de graduação, pós, docentes e pesquisadores desses países. Eles querem que os R$ 26 milhões necessários para financiar o projeto saiam do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem).

O programa de mobilidade seria destinado aos cursos já acreditados pelos países – que têm o aproveitamento de créditos cursados fora do país de origem garantidos. Hoje, há 78 cursos nessa condição, mas as bolsas seriam destinadas às áreas de Agronomia, Economia, Arquitetura, Engenharia, Enfermagem, Veterinária, Medicina e Odontologia. Além de licenciaturas em Espanhol e Língua Portuguesa.

Além disso, os países participantes do encontro decidiram criar um banco virtual com materiais pedagógicos, especialmente digitais, produzidos pelos países para ajudar os outros na inclusão digital e uso de tecnologias em sala de aula.

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