Educação paulistana cresce abaixo da média nacional

Entre 2005 e 2011, que compreende gestões de Serra e Kassab, capital paulista teve evoluções menores no Ideb e também na nota de matemática da 1ª à 8ª série

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A nova secretária municipal de Educação de São Paulo, Cleuza Repulho, confirmada pela equipe de Fernando Haddad (PT), terá o desafio de promover um salto de qualidade no ensino dado pela rede. A capital paulista teve desempenho no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica ( Ideb ) menor que a média do Brasil, das capitais e das redes municipais da região metropolitana. Pouco para a cidade mais rica do País.

Mesma nota que em 2009: Ensino fundamental estadual de São Paulo estaciona no Ideb

Entre 2005 e 2011 - que compreende as gestões de José Serra (PSDB) e Gilberto Kassab (PSD) -, as escolas da cidade tiveram evoluções menores não só no Ideb, mas também na nota de matemática nos dois ciclos (da 1ª à 4ª série e da 5ª à 8ª série).

O índice é composto pela taxa de aprovação das escolas e notas da Prova Brasil, que avalia português e matemática. O desempenho em matemática é considerado referencial, por ser conhecimento basicamente escolar.

A rede municipal de São Paulo tem a quarta pior nota de matemática no primeiro ciclo do ensino fundamental (até 4ª série) entre as 39 cidades da região metropolitana. A cidade teve média de matemática de 197,53 nessa fase, ficando à frente apenas de Carapicuíba, Jandira e Itaquaquecetuba. A ONG Todos Pela Educação considera como adequado notas acima de 225 nessa fase.

O resultado representou uma evolução de 24,7 pontos do registrado em 2005, inferior à variação média das cidades da região metropolitana. O aglomerado teve incremento de 27,8 pontos. Em 2005, por exemplo, São Paulo tinha a terceira pior nota e só subiu uma posição na comparação.

Guarulhos, a segunda maior cidade do Estado, teve um incremento de 30 pontos. Foi uma das 15 cidades com evolução maior que a de São Paulo, sendo que 9 não tinham nota em 2005.

As redes municipais do Brasil tiveram crescimento médio de 31,28 pontos, enquanto as escolas municipais da capitais tiveram salto de 57,1 pontos. Ambos os resultados foram melhores que São Paulo.

Nos anos finais (até 8.ª série), a variação de São Paulo entre 2005 e 2011 em matemática foi de 1,75 ponto, abaixo da região metropolitana, Brasil e capitais. Em 2011, a nota nessa etapa ficou em 240,45. O adequado é 300.

Segundo a professora da USP Paula Louzano, olhar a variação permite comparar as redes. "São Paulo ainda precisa fazer um esforço grande para alcançar o Brasil, o que é uma vergonha. Devíamos estar na frente, por conta da riqueza da cidade."

A pesquisadora ressalta que a culpa não é só da rede. "A diferença socioeconômica enorme influencia."

São Paulo tem o maior orçamento municipal do País, na casa dos R$ 42 bilhões. Mas são grandes as dificuldades na educação, pelos quase 1 milhão de alunos e abismos sociais entre regiões. Mas isso não explica tudo.

Dados da Prefeitura mostram diferenças em resultados em bairros com a mesma realidade. Escolas da subprefeitura de Cidade Ademar, na zona sul, tinham em 2010 a maior taxa de reprovação, com 7,98%. É mais que o dobro da subprefeitura com o melhor aproveitamento: a vizinha Parelheiros, com 3,04%.

Metas

O Ideb estabelece metas para cada escola e cidade. São Paulo não bateu as suas em 2011, mesmo avançando 0,1 nos dois ciclos. Nos anos iniciais, ficou com 4,8; nos finais, 4,3. As metas eram de 4,9 e 4,6, respectivamente.

No ranking do Ideb das redes municipais da capitais, São Paulo está em 13º no anos iniciais - apesar de ter a 6ª pior variação entre 2005 e 2011. Nos finais, ocupa a 8ª posição entre redes que oferecem o ciclo. Mas tem a 5ª pior evolução entre 2005 a 2011.

Especialistas ponderam que as médias no Ideb são relativas - a mesma nota não representa a mesma realidade de escolas diferentes. "Mas as crianças que têm 6 sabem mais que as que têm 4", diz Paula Louzano.

Segundo o pesquisador Simon Schwartzman, escolas e prefeituras precisam se debruçar sobre suas realidades. "O Ideb é um indicador, mas ainda não existe algo claro que identifique onde está o problema, onde atacar", diz.

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