“Os brasileiros vão mudar o perfil dos universitários nos EUA”, diz embaixador

Chefe da missão diplomática dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon Jr., acredita que brasileiros formarão maior grupo de estrangeiros em câmpus no país em cinco anos

Priscilla Borges - iG Brasília |

Os estudantes brasileiros são cada vez mais numerosos nos câmpus das universidades norte-americanas. Com a crescente criação de programas de intercâmbio entre os dois países, o perfil dos universitários nos Estados Unidos vai mudar. Essa é a opinião do embaixador do país no Brasil, Thomas Shannon Jr., líder de grande parte dos projetos em andamento.

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Em entrevista ao iG , Shannon disse acreditar que os brasileiros vão liderar um novo movimento nas instituições americanas, especialmente nos cursos de ciência e tecnologia. “Os brasileiros formarão, no século 21, o primeiro grande grupo de estudantes estrangeiros nas universidades de prestígio dos Estados Unidos”, afirmou.

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Shannon comemora o número de estudantes do Brasil que participa de programas de intercâmbio no dia da divulgação dos escolhidos para mais uma caravana de jovens que partirá para os Estados Unidos. O embaixador anunciou, nesta terça-feira, com exclusividade pelo iG , os 37 Jovens Embaixadores de 2013, projeto criado pela embaixada no Brasil e que já se espalhou no continente.

O programa é dedicado exclusivamente a estudantes do ensino médio, da rede pública de ensino, que nunca estiveram nos Estados Unidos e exerçam papéis de liderança e voluntariado nas comunidades onde moram ou nas escolas onde estudam.

“Esse é um momento muito emocionante para nós”, ressalta. O programa leva, todos os anos, estudantes de escolas públicas para conhecer escolas e projetos sociais nos Estados Unidos. Para Shannon, o sucesso do projeto está na capacidade desses alunos de aprender e replicar conhecimento em suas comunidades. “Isso indica a grandeza do Brasil e do jovem brasileiro”, comenta.

Alan Sampaio
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Leia a entrevista com o embaixador:

iG: Qual a importância do programa Jovens Embaixadores para a missão diplomática?
Thomas Shannon: Para nós, é sempre um momento emocionante o dessa divulgação. O programa começou há 11 anos e o interesse do jovem brasileiro por ele cresce a cada ano. Recebemos quase 17 mil inscrições nesta última edição. É mais do que um programa de intercâmbio, turismo ou estudo. Os jovens entendem bem que vão representar o Brasil nas comunidades, nas escolas e nas famílias onde vão morar e visitar. Esse é o aspecto mais interessante e fascinante do programa. Eles mostram o que é ser brasileiro no mundo contemporâneo. São pontes de ação entre o Brasil e os Estados Unidos. Esse programa é um sucesso porque é impressionante o que esses jovens fazem nas comunidades deles, nas universidades onde estudam. Eles transformam essas experiências que tiveram em algo de valor não só para eles, mas também para suas comunidades. Isso indica a grandeza do Brasil e do jovem brasileiro. Esse é um país rico em recursos humanos, precisamos encontrar esses jovens.

iG: Existe a possibilidade de esse programa crescer mais nos próximos anos?
Shannon: Essa é nossa esperança. Isso depende muito do nosso orçamento e de nossos parceiros. Infelizmente, até o momento, estamos limitados. O programa foi criado aqui na embaixada, há 11 anos, mas obteve tanto sucesso que outras embaixadas dos Estados Unidos na América do Sul e na América Central já têm programas semelhantes e o Departamento de Estado já contribui com recursos e estrutura administrativa para o programa.

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iG: De acordo com o governo, a falta de fluência na língua inglesa é um dos grandes empecilhos para o Ciência sem Fronteiras . Um novo projeto será lançado em breve para financiar cursos para jovens brasileiros. O governo dos Estados Unidos vai ajudar nisso?
Shannon: Temos uma excelente relação com o Ministério da Educação e com outras entidades envolvidas com o Ciência sem Fronteiras e o ensino de inglês no Brasil. Acabamos de assinar um acordo com a Capes para mandar para os Estados Unidos mais de 500 professores de inglês da rede pública, que vão passar seis semanas melhorando sua capacidade de ensinar. Estamos abertos a todas essas iniciativas para melhorar a capacidade de ensinar e aprender inglês. Mas, no Jovens Embaixadores, é incrível a capacidade que eles têm com a língua. Eles são muito criativos e muitos aprenderam sozinhos.

Alan Sampaio
Segundo embaixador americano, maior dificuldade para aumentar o número de universitários brasileiros nos Estados Unidos é o inglês

iG: O governo americano possui programas para todos os atores – alunos, professores e diretores – da escola. É importante para o País olhar a educação como um todo?
Shannon: Uma das nossas prioridades aqui no Brasil é a educação. Construímos quase uma diplomacia de educação e a usamos para melhorar o entendimento entre os dois países. É importante entender que, para nós, essa relação é recíproca. Há muitos jovens brasileiros indo para os Estados Unidos, mas estamos trabalhando para procurar americanos que queiram estudar aqui no Brasil e também nossa capacidade de ensinar português. A ideia é termos mais alunos falando português. No Ciência sem Fronteiras, estamos construindo parcerias entre universidades para facilitar o intercâmbio de estudantes, professores, administradores e pesquisadores, que vão enriquecer essa troca intelectual e educativa.

iG: Há uma meta do número de estudantes brasileiros que o governo americano deseja levar para suas escolas e universidades?
Shannon: Temos uma meta e é grande. Nosso desejo é receber quantos alunos pudermos: vamos trabalhar para receber 60 mil, 100 mil. No caso do Ciência sem Fronteiras, queremos que a maioria das bolsas seja oferecida no nosso país. Temos essa capacidade nas nossas universidades. Há mais de 2 mil alunos do programa nos Estados Unidos agora, que estudam em mais de 200 universidades. Nós somos um dos poucos países que têm uma estrutura universitária de excelente qualidade em todos os cantos, prontos para receber brasileiros e isso nos ajuda muito nesse processo.

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iG: Hoje qual a maior dificuldade que vocês enfrentam para atingir essa meta ambiciosa?
Shannon: É o inglês, mas inglês é algo que se pode ensinar (risos). O governo do Brasil entende isso e está trabalhando conosco para melhorar a capacidade do ensino e aprendizagem de inglês. É um problema que vamos resolver logo. Depois disso, precisamos construir as relações entre as universidades para acelerar o movimento de estudantes para os Estados Unidos. Hoje, a maior parte dos estudantes estrangeiros nas universidades americanas, especialmente na pós-graduação em ciência, tecnologia e engenharia, vem da Ásia. Os brasileiros vão formar, no século 21, o primeiro grande grupo de estudantes estrangeiros em universidades de prestígio, como MIT, Michigan, que não virá da Ásia. Em cinco ou dez anos, isso vai mudar o perfil dos universitários que estudam nos Estados Unidos e convencer outros países da América do Sul, como Argentina, Peru, Colômbia e Chile a mandar mais estudantes para lá.

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