Crescimento no número de estudantes na graduação é mais lento em 2011

Censo da Educação Superior mostra que, no ano passado, número de matrículas aumentou 5,7%, chegando a 6,7 milhões de alunos. Em 2010, aumento foi de 6,7%

Priscilla Borges iG Brasília |

O número de estudantes matriculados em cursos de graduação no País não cresceu na proporção que esperava o Ministério da Educação no ano passado. O Censo da Educação Superior de 2011, divulgado nesta terça-feira, mostra que, em 2011, o País tinha 6.739.689 universitários. A quantidade representa um crescimento de 5,7% em relação às matrículas de 2010.

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No entanto, entre 2009 e 2010, o aumento no número de matrículas foi de 6,7% . Em novembro do ano passado, quando os dados do censo de 2010 foram divulgados, o então secretário de Educação Superior, Luiz Cláudio Costa, hoje presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, disse que esperava um crescimento maior nos anos seguintes por causa da expansão das federais, ainda não concluída.

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De fato, a quantidade de alunos nos cursos de graduação das federais aumentou 10%. Em 2011, 1.032.936 estudantes se matricularam nessas instituições. A rede pública como um todo aumentou o número de universitários em 7,9%, quase o dobro do crescimento observado na rede privada (4,8%), que, mesmo assim, continua responsável pela maioria dos estudantes: 4,9 milhões. O total de alunos nas universidades públicas é de 1,7 milhão.

Evolução de matrículas na graduação

Entre 2010 e 2011, a quantidade de estudantes matriculados em cursos de graduação aumentou 5,7%. Rede federal cresceu 10%. Confira número de alunos por cada rede

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Inep/MEC

Para o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, esse crescimento menor de 1 ponto percentual na evolução das matrículas na graduação não é preocupante. Segundo ele, a ampliação tem sido feita com qualidade. “Estamos correndo atrás de um prejuízo de duas décadas de estagnação nos investimentos em educação superior e os dados nos mostram que as políticas de inclusão adotadas pelo governo são indispensáveis”, afirmou.

Os dados apresentados por Mercadante revelam que, em 1997, apenas 1,8% dos jovens negros do País com idade entre 18 e 24 anos – a faixa etária considerada ideal para cursar o ensino superior – estavam frequentando cursos de graduação. Entre os pardos, apenas 2,2% da população estava representada nas universidades. Em 2011, os percentuais aumentaram: 8,8% dos jovens negros e 11% dos pardos estão em cursos de graduação.

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As estatísticas também mostram que os jovens mais pobres do País estão mais representados no ensino superior. Em 1997, somente 0,5% dos brasileiros pobres (entre os 20% de menor renda) com idade entre 18 e 24 anos frequentavam um curso de graduação. Em 2011, o percentual ainda é pequeno, mas aumentou oito vezes (4,2% dessa faixa da população).

“Por isso, as políticas de inclusão, como as cotas, o Prouni e o Fies vão ajudar a mudar e melhorar esses indicadores na próxima década”, ressaltou o ministro.

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