Cotistas terão programa de assistência e apoio pedagógico

Proposta que prevê bolsa permanência, tutoria e testes de nivelamento está em discussão entre Ministério da Educação e reitores das federais, mas ficará pronta para 2013

Priscilla Borges - iG Brasília |

Os estudantes aprovados pelo sistema de cotas das universidades federais em 2013 vão participar de um programa de apoio à permanência nas instituições. Segundo o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, as propostas estão sendo discutidas com os reitores das universidades e institutos federais. O projeto será definido ainda este ano.

Regulamentação: Lei das cotas nas universidades é publicada no Diário Oficial

Ministro: Mercadante diz que Lei de Cotas vai contribuir para melhorar ensino público

Mercadante disse que esse programa nacional de assistência para cotistas será colocado em prática já no início do ano que vem. Em 2013, as universidades e os institutos federais de educação vão receber os primeiros estudantes de escolas públicas a serem selecionados pelo sistema de cotas criado pela Lei nº 12.711.

Abr
Mercadante diz que propostas para receber cotistas são discutidas com reitores

O projeto sancionado pela presidenta Dilma Rousseff em agosto , conhecido como Lei das Cotas, determina que, 50% de vagas das federais sejam destinadas a egressos da rede pública. Além disso, metade desse percentual será destinada a estudantes de famílias com renda igual ou inferior a um salário mínimo e meio per capita.

Nos dois casos, as vagas ainda terão um recorte racial de acordo com a proporção de pretos, pardos e indígenas na população do Estado onde está a instituição. A regulamentação do projeto, reivindicação dos reitores para que a adequação de editais de processos seletivos seja feita, foi publicada nesta segunda-feira no Diário Oficial da União.

O ministro, que detalhou o decreto que regulamenta as cotas nesta tarde, afirmou que, entre as possibilidades discutidas entre MEC e universidades, uma já foi definida. Os cotistas – especialmente os com renda inferior a um salário mínimo e meio – serão prioridade na distribuição de bolsas-permanência. O programa de assistência estudantil, que já existe, ganhará mais recursos em 2013. O montante vai subir de R$ 500 milhões para R$ 600 milhões.

A segunda preocupação é com o acolhimento dos aprovados pelas cotas nas instituições federais. O programa deve contemplar o financiamento de projetos de tutoria. Os cotistas receberiam apoio pedagógico nas disciplinas que têm mais dificuldade de alunos da pós-graduação ou professores. Para isso, é possível que algumas instituições adotem testes de nivelamento dos estudantes.

Outra possibilidade cogitada pelo ministro é a de criação de um portal, com vídeo aulas e exercícios, em que os alunos pudessem aprimorar os conhecimentos necessários para seguir na graduação sozinhos. “Há uma experiência coreana de muito sucesso nesse sentido. O aluno tem um atendimento individualizado e, a partir das dificuldades dele, o próprio programa virtual recomenda as aulas que ele deve assistir”, contou.

Interação com a educação básica

Mercadante acredita que o sistema de cotas vai fortalecer os laços entre as universidades e as escolas de ensino médio. De acordo com o ministro, há discussões entre o ministério e as universidades para criar programas de formação – como MBA – para formar diretores e professores da rede pública.

“Estamos dando um passo histórico hoje. Os alunos das escolas públicas se sentirão mais estimulados a estudar e chegar às universidades. Como a política é progressiva, teremos tempo de investir na qualidade da educação do ensino médio, nosso maior desafio”, afirmou.

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