Critério racial para entrar na faculdade nos EUA vai a julgamento

Caso de estudante branca recusada pela Universidade do Texas será analisado pela Suprema Corte

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Abigail Fisher tinha um bom histórico acadêmico, mas a universidade na qual ela gostaria de se matricular, onde seu pai e sua irmã haviam estudado, a rejeitou. "Fiquei arrasada", ela explicou em sua primeira entrevista desde que foi recusada pela Universidade do Texas, em Austin, quatro anos atrás.

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A jovem, agora com 22 anos, é branca, recém-formada pela Universidade Estadual de Louisiana e disse que sua raça foi o que a impediu de ser aceita. Nesta quarta-feira, dia 10, a Suprema Corte vai ouvir o seu caso, chamando novamente atenção para a legalidade ou não da preferência racial por parte das universidades públicas dos Estados Unidos na hora de tomar decisões admissionais.

"Eu espero", disse ela, "que eles retirem a questão de raça quando se trata de admissões e que isso possibilite que todo mundo seja capaz de entrar na faculdade que quiser, sem importar qual é a sua raça, mas com base no mérito e se estudaram muito para isso."

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Abigail Fisher processa universidade nos EUA por ter sido recusada por ser branca

Segundo a universidade, Abigail não teria sido admitida mesmo se a questão de sua raça não tivesse tido nenhuma influência no processo e questiona se ela sofreu o tipo de lesão que lhe dê legitimidade para entrar com um processo judicial. Além disso, a maior defesa da universidade é que ela deve ser livre para montar um corpo estudantil diversificado como parte de sua missão acadêmica e social. A Suprema Corte endossou essa visão por 5 votos a 4 em 2003, no caso Grutter vs Bollinger.

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A maioria, no caso Grutter, relatado pela juíza Sandra Day O'Connor, rejeitou o uso de cotas raciais nas decisões de admissão, mas disse que a raça poderia ser usada como um fator entre muitos, como parte de uma "revisão integral". O'Connor se aposentou em 2006 e sua substituição pelo juiz Samuel A. Alito Jr. pode abrir caminho para uma decisão que minimize tais políticas de admissão baseadas na raça, ou até mesmo as elimine de uma vez por todas.

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Estudantes participam de debate na Universidade do Texas, que defende liberdade para formar corpo estudantil diversificado

Oficiais de admissões nas faculdades e universidades quase universalmente apoiam a ideia de que os estudantes de diversas origens estão aptos para aprender uns com os outros, superar estereótipos e, assim, preparar-se para assumir posições de liderança na sociedade. Muitos críticos das ações afirmativas, no entanto, dizem que talvez possa existir uma correlação bem fraca entre raça e os pontos de vista apresentados em sala de aula. E outros defendem que a Constituição não permite que o governo classifique as pessoas por raça, não importa o quão digno seja seu objetivo.

"Embora a diversidade racial nas universidades seja benéfica, não pode ser alcançada através da discriminação racial", disse Edward Blum, assessor de Fisher e uma força motriz por trás do caso Fisher.

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