Alunos de federais não receberão visto dos EUA para intercâmbio no verão

Por conta da greve, consulado decidiu não permitir que brasileiros sem férias façam programa de trabalho temporário no fim do ano

iG São Paulo |

Estudantes brasileiros de universidades federais aprovados para programas de intercâmbio de trabalho temporário nos Estados Unidos no fim do ano não poderão viajar. Em função da greve dos professores, os Estados Unidos decidiram não conceder o visto de intercâmbio J1, exigido para cumprir este tipo de programa. Pelas redes sociais, os alunos protestam e apelam para que a decisão seja revista.

Depois da greve: Reposição de aulas em universidade pode ir até 2015

Segundo um comunicado enviado pelo consulado americano em São Paulo a agências de intercâmbio na semana passada, o regulamento de imigração define como período apropriado para os programas de verão que incluem trabalho e viagem nos EUA “o longo intervalo entre os anos acadêmicos”. Como o semestre letivo na maioria das universidades seguirá pelos meses tradicionais de férias, os alunos teriam que faltar a aulas para viajar.

“Conforme o regulamento para o SWT (Summer Work & Travel, em inglês) os alunos não têm permissão para faltarem às aulas, já que normalmente eles deveriam cumpri-las”, diz o comunicado do consulado.

Outros problemas: Estudo no exterior reserva armadilhas para brasileiros

Os alunos que já passaram por longos processos seletivos e estavam na expectativa da experiência no exterior ficaram revoltados. Um grupo que foi selecionado para o Disney International College Program, no qual os estudantes trabalham dois meses nos parques de diversões e depois viajam no último, criou um abaixo assinado pela internet e apela ao consulado para que reveja a decisão. Em uma página no Facebook e no Twitter, eles também protestam.

“Todos são merecedores da aprovação no recrutamento e não merecem perder a chance de viver esse sonho por causa de um movimento que lhes foi imposto, a greve de professores que ocorreu esse ano”, diz o chamado para o abaixo assinado que já tinha mais de 3.500 assinaturas na tarde desta terça-feira (9).

A estudante de produção cultural da Universidade Federal Fluminense (UFF) Rafaella Spitz conta que começou o processo seletivo para o programa em maio, quando a greve já havia começado. Desde então, perguntou várias vezes para o STB (Student Travel Bureau), um dos operadores de intercâmbio representantes no Brasil do programa da Disney, se a greve poderia prejudicar o programa. "'Tá tranquilo, vai dar tudo certo' era o que todo mundo dizia", conta Rafaela. A mesma pergunta foi feita na hora de comprar a passagem e pagar o seguro da viagem, mas segundo a estudante, ninguém avisou que poderia ter o visto cancelado. 

Intercâmbio: Cresce interesse por programas de trabalho voluntário no exterior

Nesta terça-feira, o STB  esclareceu que desde o início do processo seletivo e da greve das universidades federais, solicitou ao consulado americano uma orientação sobre a política em relação aos alunos afetados pela paralisação. A resposta veio só na última sexta-feira. Segundo a agência, os estudantes estavam cientes de que, caso ocorresse alguma alteração significativa no calendário acadêmico, a participação no intercâmbio poderia ser afetada. Ainda segundo o STB, os estudantes que não puderem embarcar neste ano para o programa da Disney estarão automaticamente aprovados e convidados a participar da segunda etapa do processo seletivo do programa, desde que atendam aos critérios exigidos. Outros casos serão avaliados pontualmente, informou a agência.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG