Colégio em SP suspende alunos após protesto contra câmeras de vigilância

Alunos não concordam com instalação de equipamentos em sala de aula. Diretora diz que punição é pela atitude e não pela reivindicação

Tatiana Klix - iG São Paulo |

Um protesto contra a instalação de câmeras de vigilância em sala de aula provocou a suspensão de 107 alunos do colégio Rio Branco, no bairro Higienópolis, em São Paulo. Em defesa da privacidade, um grupo de estudantes do terceiro ano do ensino médio aproveitou o horário do recreio na segunda-feira para realizar a manifestação, que durou duas horas. À tarde, os pais foram informados pela orientadora educacional da escola, por telefone, que os filhos não deveriam comparecer à aula no dia seguinte.

O protesto, em que alunos se recusaram a voltar para as salas após o intervalo e impediram outros alunos de fazer o mesmo, foi o terceiro em um período de 12 dias por motivos diferentes. Segundo a diretora da escola, Esther Carvalho, a suspensão não ocorreu pelo conteúdo da reivindicação, mas pela atitude reincidente dos alunos. Na primeira e segunda vez em que os estudantes se manifestaram no intervalo, os orientadores e a própria diretora explicaram que aquele não era o canal adequado para expor reivindicações.

“Ficou claro que não toleraríamos este tipo de coisa. Ontem, por motivo das câmaras, eles atuaram da mesma forma”, relatou a diretora. “Não vou mais conversar dessa forma”, completou.

A diretora diz que a instalação das câmeras faz parte de um projeto de segurança que começou há quatro anos e que vários ambientes da escola, como laboratórios, já são vigiados. Embora não tenha sido discutido com a comunidade escolar, agora chegou a vez das salas de aulas receberem o equipamento.

Os alunos não concordam com a medida e dizem que ninguém foi consultado ou avisado. Um jovem que enviou email para o iG , mas preferiu não se identificar, afirmou: “O assunto é extremamente delicado, não pela suspensão dos 107 dos 150 alunos da 3ª série do ensino médio do colégio, mas sim pela polêmica que gira em torno das câmeras em salas de aula. É permitido por lei? O que os pais acham disso?”.

Esther diz que além de garantir a segurança, num segundo momento as imagens poderão ser usadas para aprimorar o trabalho do professor. Ao iG , afirmou que o tema pode ser melhor explicado e debatido na comunidade escolar, mas que o projeto não será revertido.

Nesta quarta-feira, os alunos suspensos retornam às aulas.

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