Enem e alfabetização na idade certa são apostas para combater evasão

Mercadante diz que aumento no número de jovens que estão fora da escola preocupa governo

Tatiana Klix - iG São Paulo |

O Ministério da Educação trabalha em várias frentes para combater o abandono escolar, que segundo dados divulgados nesta sexta-feira, dia 21, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísca (IBGE), cresceu de 2009 para 2011 . A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) revela que a quantidade de adolescentes de 15 a 17 anos longe dos bancos escolares era de 14,8% em 2009 e representa 16,3% em 2011, o que corresponde a 1.722.000 de jovens. Segundo o ministro Aloizio Mercadante, a queda nas matrículas está concentrada na Região Sudeste, mas o governo está analisando todos os números e conversando com os Estados, responsáveis pela maioria das escolas públicas de ensino médio, para "entender o que está acontecendo".

Dados do PNad 2011:
- Número de jovens de 15 a 17 anos fora da escola aumentou
Taxa de analfabetismo funcional fica estagnada entre 2009 e 2011

Para enfrentar o problema, que não é novo, o ministério aposta em ações em duas etapas. Para Mercadante, há dois momentos cruciais para a evasão – a sexta série do ensino fundamental, quando os alunos deixam de ter um professor para ter vários, e o primeiro ano do ensino médio. Ao chegar nestas etapas, as crianças que não tiveram um bom desempenho e não aprenderam o que deveriam, acabam desistindo.

Agência Brasil
Mercadante firmou convênio com Febraban e Eletrobras para o Ciência sem Fronteiras, em SP

O programa de Alfabetização da Idade Certa , que vai oferecer capacitação para professores, bolsas para docentes e materiais didáticos específicos com o objetivo de objetivo garantir que todas as crianças estejam alfabetizadas até os 8 anos, é uma aposta para universalizar o aprendizado. O investimento em creches também, pois se acredita que a criança que foi bem atendida na primeira infância terá mais facilidade de aprender a ler e escrever depois. “O aluno desiste porque não aprendeu”, explica Mercadante.

As outras iniciativas dizem respeito ao ensino médio, que segundo o ministro tem que ficar mais atraente. A ampliação do ensino técnico, mudanças curriculares , escolas com ensino inovador e, principalmente, o aumento da importância do Enem são fatores que estimularão o jovem a não abandonar os estudos, segundo ministro.

Soluções:  Mercadante defende revisão curricular no ensino médio

“O jovem tem que entender que nem sempre o melhor caminho é o mais curto”, afirmou em evento na Febraban em São Paulo. “Quem estuda escolhe o que vai fazer, quem não estuda, só pode ser escolhido”, disse.

Mercadante defende que a importância que o exame tem para o jovem atualmente vai fazer com que a totalidade dos alunos queiram prestá-lo. Ele cita que o exame é válido para adquirir bolsas do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Ciência sem Fronteiras , financiamento estudantil facilitado (Fies) e, nos próximos anos, para disputar  50% das vagas em universidades federais reservadas a alunos de escolas públicas . “As pessoas vão sentir que a vida vai mudar (através do Enem)”, afirmou.

Analfabetismo

Outro dado apresentado pelo Pnad nesta sexta-feira é motivo de comemoração para o Ministério da Educação. A queda no analfabetismo de 9,7% da população com mais de 15 anos em 2009 para 8,6% em 2011 mostra que o País está no caminho certo para atingir a meta para 2015, de chegar a uma taxa de 6,7%. Em relação ao analfabetismo funcional, que estagnou de 2009 para 2011 em 20,4% dos brasileiros, o ministro diz que isso aconteceu porque mais crianças foram incluídas no ensino fundamental. Para Mercadante, os jovens que entraram na escola são os que têm mais dificuldades e por isso ainda não têm desempenho satisfatório.

Ciência sem Fronteiras

O ministro da Educação e da Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp, estiveram em São Paulo nesta sexta para assinar convênio com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e com a Eletrobras para bolsas do programa Ciência sem Fronteiras. A Febraban doará 6.000 bolsas e investirá US$ 108,8 milhões, e a Eletrobras fornecerá 5.000 bolsas. O programa Ciência sem Fronteiras pretende enviar ao exterior 101 mil estudantes até o ano de 2014 (75 mil com bolsas do governo e 26 mil bolsas serão concedidas com recursos da iniciativa privada).

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