Apesar do trauma, Escola Municipal Tasso da Silveira obteve desempenho acima da média nacional em avaliação de 2011

Estudantes em sala de aula na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo
George Magaraia
Estudantes em sala de aula na Escola Municipal Tasso da Silveira, em Realengo

Desde o massacre que vitimou 12 crianças, a Escola Municipal Tasso da Silveira , localizada no bairro de Realengo, na zona oeste do Rio, vem tentando superar as marcas deixadas pela tragédia. Uma ampla reforma foi realizada e as normas de segurança em suas dependências ficaram mais rígidas, por exemplo. Agora, um novo número mostra que os esforços têm sido bem sucedidos.

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Nova fachada da Escola Municipal Tasso da Silveira
George Magaraia
Nova fachada da Escola Municipal Tasso da Silveira

O resultado do último Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) aponta que, mesmo convivendo com os traumas deixados pelo massacre, a instituição de ensino registrou um aumento na sua nota final em 2011. Nos anos iniciais (até o 5º ano do ensino fundamental), o acréscimo foi de 14%. A nota que em 2009 era 4,9 saltou para 5,6. Já nos anos finais (do 6º ao 9º ano do ensino fundamental), o aumento foi de 29%, indo de 3,8 para 4,9.

Em ambos os casos, os resultados obtidos pela Tasso da Silveira ficaram acima da média nacional. Nos anos iniciais, a nota no Brasil foi 5,0. Nos anos finais, a marca chegou a 4,1. O resultado da escola de Realengo até o 5º ano do ensino fundamental também ficou bem próxima da marca definida pelo governo federal como meta a ser alcançada pelas instituições do País até 2021: 6,0 - média correspondente à qualidade do ensino em países desenvolvidos.

Criado em 2007, o Ideb mede a cada dois anos a qualidade das escolas no País. Para chegar à nota final, o MEC utiliza a taxa de aprovação na instituição de ensino e o desempenho dos alunos em provas aplicadas pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Quanto menos repetências e desistências a escola registrar e quanto maior forem as notas de seus estudantes no teste, melhor será sua nota no Ideb.

George Magaraia
"Com essa nota no Ideb, mostramos que a escola está viva" diz o diretor Luís Marduk

Aprovação x reprovação

No caso da Tasso da Silveira, o índice de aprovação em 2011 contribuiu para a nota final no Ideb. Segundo o diretor Luís Marduk, uma estratégia pedagógica adotada orientou os professores a “não pesarem a mão” nas avaliações escolares no momento pós-massacre. A medida resultou na proporção de seis estudantes reprovados a cada 100. “No momento da tragédia era importante ter o aluno confiando na escola, trazê-lo de volta com segurança e tranquilidade para aprender”, informou ele.

As notas da Escola Municipal Tasso da Silveira no Ideb ficaram acima da média nacional
George Magaraia
As notas da Escola Municipal Tasso da Silveira no Ideb ficaram acima da média nacional

No entanto, a prática não deve tirar o mérito da instituição de ensino. Os resultados dos alunos nas provas de português e matemática do Inep, outra variante utilizada para compor a nota final do Ideb, também ficaram acima da média do País. Nos anos iniciais, os estudantes atingiram 5,95 e, nos anos finais, 5,26. As marcas brasileiras foram 5,43 e 4,97, respectivamente.

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Para Marduk, essas notas refletem o empenho e a preparação dos alunos. Iniciadas durante o período letivo, as obras na instituição de ensino reduziram a carga horária escolar e por isso poderiam atrapalhar a aprendizagem. Mas o que aconteceu foi o contrário. “A concentração do tempo acabou dando uma qualidade maior à aula. Não tinha recreio ou intervalo. O tempo que os alunos estavam na escola era sempre aproveitado ao máximo com trabalhos e exercícios. Isso acabou interferindo”, avaliou.

Superação de traumas

De acordo com o diretor da Tasso da Silveira, a boa classificação no Ideb veio coroar a cooperação montada na instituição para superar a tragédia do dia 7 de abril de 2011. “Esse índice é positivo porque nesse momento de reconstrução tudo o que precisamos é de confiança. Mesmo com as dificuldades, tivemos uma melhora. Com essa nota, mostramos que a escola está viva”, avaliou.

Mural ao fundo foi feito após obras para marcar o recomeço da escola pós-massacre
George Magaraia
Mural ao fundo foi feito após obras para marcar o recomeço da escola pós-massacre

A psicóloga Maria Luiza Bustamante, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), explica que superações como a da escola municipal não são frequentes. Isso porque traumas decorrentes de fatos como o massacre de Realengo diminuem a criatividade e a produtividade intelectual. O esforço das pessoas para superá-lo pode, entretanto, acarretar em uma produção superior à anterior do fato.

“Tudo depende da interação entre a ocorrência do trauma e a sociedade que foi vítima dele. Como exemplo, podemos citar países que foram destruídos por guerras e reagiram de uma maneira que conseguiram superar o ocorrido”, comparou.

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