Cursos na periferia de SP descentralizam formação de médicos

Em Itaquera, zona Leste, curso recém-inaugurado terá parceria com programa Saúde da Família. Na zona sul, estudantes fazem estágio em três hospitais públicos

Marina Morena Costa - iG São Paulo |

Nos extremos de São Paulo, cursos de Medicina procuram estimular a fixação de médicos e aumentar a oferta de profissionais no atendimento à população local. O recém-inaugurado curso da Faculdade Santa Marcelina, em Itaquera, zona leste, tem como objetivo formar médicos generalistas conscientes da importância de atuarem na periferia. “Vamos contribuir com a formação de profissionais que conheçam bem a região, que tem um IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) baixo, e queiram se fixar aqui. Tanto na graduação, quanto na residência médica”, diz Pedro Felix Vital Júnior, coordenador do curso.

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Na outra ponta da cidade, na Cidade Dutra, na zona sul, um curso de medicina procura fazer isso há 44 anos. Atualmente, os alunos da faculdade da Universidade de Santo Amaro (Unisa) fazem estágio em três hospitais públicos da região – Hospital Municipal M'boi Mirim, Hospital do Campo Limpo e Hospital Geral do Grajaú – e nas unidades básicas de saúde.

Para a coordenadora do núcleo de Saúde Coletiva e Mental da Unisa, Jane Armond, o atendimento em regiões do extremo sul de São Paulo, como Capela do Socorro e Parelheiros, estimula os estudantes formados a se fixar na região. “Há pouco tempo era difícil ter médicos que quisessem fazer parte Saúde da Família nessa região. Hoje os nossos ex-alunos buscam o programa”, relata.

Outro ponto destacado é o intercâmbio entre profissionais e estudantes no atendimento ao público. “O estudante promove uma troca importante com os preceptores que estão nos hospitais. Ele pergunta, questiona, traz informações novas e assim o profissional tem que se reciclar, obrigatoriamente”, aponta Jane.

A Faculdade Santa Marcelina firmou uma parceria com o departamento de Saúde da Família da Universidade de Toronto, no Canadá, para elaborar o currículo do curso. “Queremos mostrar para os alunos que nos países mais desenvolvidos o desenho da assistência médica é diferente e a base de tudo está na atenção primária”, afirma Pedro.

Marina Morena Costa
Nicole e Geisa se mudaram de cidade para estudar Medicina na zona leste de São Paulo

Primeira turma

Alessandra Rodrigues Silva, de 20 anos, aluna da Santa Marcelina, pretende trabalhar na região após a formatura. “Nasci na zona leste e não quero sair daqui”, diz a moradora do Tatuapé, que deseja ser pediatra. A parceria do curso com os Doutores da Alegria, grupo de palhaços que há 21 anos promove recreações com crianças internadas em hospitais, foi um diferencial que estimulou Alessandra a escolher a faculdade. Os estudantes terão aulas com os profissionais do grupo sobre como humanizar o tratamento dos pacientes.

As colegas Nicole de Moraes Fechio, 19 anos, de Matão (SP), e Geisa Garcia Viana, de 23 anos, de Campestre (MG), se mudaram para a zona leste de São Paulo para cursar a faculdade, assim como outros 30 estudantes da nova turma de 50 alunos que não são de São Paulo. “Quero trabalhar aqui depois de formada. Não sei em qual região, mas não voltaria para Minas”, afirma Geisa.

Lucas Augusto Monetta da Silva, 18 anos, morador da Chácara Klabin, na zona sudeste de São Paulo, cruza a cidade para estudar na instituição na qual seu pai fez residência. “Eu já conhecia a história e a infraestrutura do hospital”, alega o estudante.

A estudante mais jovem da turma Pamella Mikaelly dos Santos Viterbino, 16 anos, é também a que veio de mais longe. Pamella se mudou de Altamira, no Pará, com os pais e o irmão mais novo, de 13 anos. “Soube da faculdade pela internet e me interessei no trabalho deles de transplante de medula óssea do hospital”, conta.

Em junho deste ano, o Ministério da Educação (MEC) anunciou a criação de 2.415 novas vagas de Medicina a partir do segundo semestre de 2012, 1.615 em universidades federais e 800 em particulares. A decisão foi criticada pelo Conselho Federal de Medicina, que defende que o problema não está na quantidade de médicos, mas na distribuição dos profissionais pelo território.

Veja a localização das faculdades de Medicina nos extremos sul e leste de São Paulo :

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