MEC formaliza “pacto” para melhorar ensino médio com secretários

Grupo de trabalho criado nesta terça-feira vai criar propostas para redesenhar currículos. MEC também estuda trocar Prova Brasil por Enem no Ideb

Priscilla Borges - iG Brasília |

Secretários estaduais de educação, responsáveis pelas redes que cuidam do ensino médio no País, e o Ministério da Educação firmaram um pacto para melhorar a qualidade educacional da etapa. Gestores e técnicos do MEC vão discutir, até outubro, um projeto para “valorizar o ensino médio”, de acordo com o ministro Aloizio Mercadante.

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No mês de outubro, os secretários têm uma reunião marcada, na qual esse grupo de trabalho deve apresentar propostas para tornar os currículos do ensino médio mais flexíveis . O ministério espera que as sugestões integrem mais as disciplinas obrigatórias dessa etapa, se adequando às áreas avaliadas no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

A medida, acredita o ministro, tornaria a grade curricular dos jovens mais atraentes – já que os conteúdos aprendidos nas aulas de Física e Química seriam conectados – e com mais sentido na vida prática. O próximo passo será trocar o indicador que avalia os estudantes do ensino médio. O Enem se tornaria o principal objeto para mensurar a proficiência da etapa.

O ensino médio voltou a preocupar o governo após a divulgação do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O indicador criado pelo ministério em 2005 combina dois critérios para medir a qualidade de ensino oferecida nas redes públicas: proficiência dos estudantes em português e matemática (com a Prova Brasil) e o índice de aprovação nas escolas.

Consulte as notas do Ideb 2011 das escolas públicas brasileiras

Desde a criação do índice, as médias da última etapa da educação básica estagnaram . Em 2011, o Brasil alcançou a modesta meta global de 3,7 (em 2005, a nota era 3,5) para o ensino médio. Onze Estados, no entanto, não atingiram as notas propostas para o ano passado. O desempenho em matemática e português é o mesmo desde 2009.

Na época da divulgação, Mercadante ponderou que as notas representavam apenas uma amostra da população estudantil, já que somente 70 mil alunos participaram da Prova Brasil, que mede a proficiência, em 2009. Apesar da validade estatística da amostra e da série histórica de avaliação construída a partir dela, o ministro defendeu mudanças no critério.

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Mercadante quer que as notas do Enem passem a ser consideradas na composição do Ideb para o ensino médio. Segundo ele, a ideia recebeu apoio dos secretários estaduais de educação, que se reuniram com ele nesta tarde. “O Enem é mais amplo na avaliação, por isso é um indicador muito mais consistente que a Prova Brasil”, afirma.

Nos próximos 60 dias, uma equipe do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) vai estudar a viabilidade estatística de trocar as medidas sem prejudicar a série histórica de avaliações. Segundo o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa, apenas as notas de português e matemática seriam consideradas para ser semelhante ao atual modelo.

Mudança de medida e tendência

Com a alteração nas medidas que compõem o Ideb do ensino médio, a “tendência” do desempenho dos estudantes melhora. Dados divulgados nesta tarde pelo ministro Mercadante mostram que as notas dos estudantes que fazem o Enem têm melhorado nos últimos anos, ainda que pouco.

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Em 2009, a média dos concluintes do ensino médio na rede pública em Matemática era 477,1. No ano seguinte, subiu para 480,2 e, em 2011, 492,9. Um total de 15,8 pontos em três anos. Em português, o crescimento também foi semelhante, um total de 25,8 pontos. A média saiu de 477,9 em 2009, passou para 490,6 em 2010 e chegou a 503,7 em 2011.

“Não queremos minimizar os problemas que temos. O sinal amarelo já foi dado, agora queremos saber qual caminho devemos seguir. Com o Enem, isso será mais preciso”, garante o presidente do Inep, Luiz Cláudio Costa. Hoje, de acordo com Costa, 1,5 milhão de concluintes do ensino médio participam do Enem, de um total de 1,8 milhão que concluem a etapa.

Ensino médio: a pior etapa da educação do Brasil

Além das mudanças curriculares e na aferição da qualidade, Mercadante anunciou mudanças no plano nacional do livro didático para o ensino médio, que se adequará para selecionar mais obras que atendam essas mudanças de currículo. Os Estados também vão se unir para trocar experiências e materiais didáticos por meio digitais, como sites.

Outra novidade é a criação de um programa de intercâmbio para diretores de escolas. Mercadante diz que conhecer as melhores experiências do País é uma demanda dos gestores. O ministro também garantiu que a Prova Nacional para Ingresso na Carreira Docentes, concurso público para selecionar professores dos anos iniciais do ensino fundamental, será realizada no ano que vem.

Conheça os governadores reprovados no Ideb:

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