Estudantes dizem em debate do iG que cotas geram preconceito

Grupo de 10 alunos de escolas públicas de São Paulo discutiu o ensino médio e os principais problemas dessa etapa. Veja os melhores momentos

iG São Paulo | - Atualizada às

A divulgação dos resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2011 mais uma vez chamou a atenção para problemas do ensino médio brasileiro. Com a nota de 3,7 no País (em 2005, era 3,5), o Ministério da Educação reagiu e anunciou que vai sugerir mudanças para a etapa escolar. Para entender as dificuldades nas escolas, o iG realizou um debate ao vivo com os principais interessados na questão: os estudantes.

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Estudantes debatem o ensino médio no estúdio do iG, em São Paulo

Com mediação do colunista do iG e especialista em Enem Mateus Prado , 10 alunos do ensino médio de São Paulo debateram por uma hora a etapa da educação e outros temas, o resultado do Ideb, as propostas de mudanças no currículo e de substituição da Prova Brasil pelo Enem como exame de avaliação do ensino médio e o projeto que institui cotas sociais em todas as universidades federais do Brasil.

Os estudantes concordaram que as cotas sociais e raciais causam preconceito, mas divergem sobre a sua adoção. “As cotas impõem uma exclusão dentro da própria faculdade”, avaliou Melinda Rodrigues, estudante do ensino médio da ETEC Raposo Tavares.

“(A cota) É um dos poucos meios facilitadores, que conseguem colocar pessoas de classe trabalhadoras, da periferia, no ensino superior. Meu processo, minha caminhada, minha história é muito diferente do aluno de uma escola privada”, defendeu Luis Felipe Chrystian Silva, 17 anos, aluno da Escola Estadual Governador Paulo Sarasate. O estudante também classificou como "uma imbecilidade" as escolas particulares entrarem com uma ação na Justiça contra as cotas nas federais.


Arthur Mello, 15 anos, aluno do Instituto Técnico Federal de São Paulo (IFSP), em Osasco, discorda que a política seja positiva: “Para mim isso é o governo admitindo e se acomodando por ter o pior ensino possível. Não quero ter 50% (de cota), quero ter um ensino de qualidade”.

"Acho que todos deveriam ter acesso ao ensino superior. Sou contra as cotas. Por que eu deveria ser privilegiada se eu tenho a mesma capacidade que meu colega?", declarou Tawany Gabriela de Oliveira, 16 anos, estudante da Escola Estadual Cidade de Hiroshima.

Os estudantes também relataram problemas com infraestrutura e violência nas escolas. “Os professores têm medo. A região da periferia já tem uma fama ruim. Muitos professores são do centro e ficam com medo de nós, da periferia”, declarou Anny Gomes, 17 anos, aluna da Escola Estadual Presidente Café Filho.

“Minha professora de sociologia já levou cadeirada e mesada de alunos do período da noite. De manhã é mais tranquilo”, relatou Mariana Thimoteo da Silva, 17 anos, da Escola Nossa Senhora da Penha.

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