Municípios com notas mais baixas do Ideb 2009 na Bahia melhoram no ranking

Depois de dois anos, cidades com desempenho ruim visitados pelo iG aumentaram notas e não estão entre os piores no País

Priscilla Borges - iG Brasília |

Há dois anos, Zaira Dias dos Santos Silva entrou em um turbilhão que parecia não ter fim. Ela representava todos os cidadãos do pequeno município de Apuarema , na Bahia, nas ligações que recebia dos repórteres que questionavam o fracasso da cidade no ensino das crianças. Em poucos minutos, ela precisava encontrar justificativas para o desempenho ruim das quatro escolas da cidade no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb).

Consulte as notas do Ideb 2011 das escolas públicas brasileiras

Apesar de secretária municipal de educação, Zaira não compreendia sequer o significado do Ideb – como a maioria da população – e não sabia como explicar a nota 0,5 divulgada à época. Era a pior nota entre as séries iniciais do País. Hoje, ao receber a ligação da reportagem, a sensação era bem diferente. “Agora, estamos mostrando o que nós realmente somos”, afirmou Zaira. Apuarema ficou com média 3,4.

A história de Apuarema foi contada pelo iG em 2010. Em agosto daquele ano, após a divulgação do Ideb, o iG percorreu mais de 1 mil quilômetros na Bahia , Estado que tinha alguns dos municípios com médias mais baixas do País, em busca de conhecer a realidade por trás das estatísticas e de respostas para explicar o sucesso e o fracasso de escolas e municípios no processo de educar.

O município virou notícia nacional por causa do desempenho, que não era “aceito” por professores, alunos e pais da comunidade. Já em Brasília, durante entrevista sobre o tema, representantes do Ministério da Educação identificaram um erro na composição da nota de Apuarema. Um ano depois, a nota foi corrigida – cresceu para 2,4, uma nota ruim também– mas professores e gestores se uniram para mudar as práticas pedagógicas nas escolas do município.

“A gente precisa reconhecer que o que nos impulsionou foi o índice ruim que recebemos aquele ano. Mesmo com o erro corrigido, nós continuamos com o objetivo de trabalhar o sentido do Ideb com professores, diretores, coordenadores, pais e alunos”, conta a secretária. “Estamos ouvindo os alunos e lutando contra a evasão, um problema sério para nós ainda. Usamos uma coisa ruim para melhorar”, define.

Os dados das três escolas da cidade mostram que a instituição com mais dificuldade tem um índice de reprovação maior e as médias de português e matemática são, pelo menos, 20 pontos inferiores às das demais. É para acabar com essas fragilidades que a rede prepara mais mudanças.

Conheça os prefeitos de capitais que não passaram no Ideb

Os professores de Apuarema passaram a utilizar questões da Prova Brasil como modelo para exercícios e testes. Além disso, se preocupam mais em contextualizar atividades. Aulas de reforço estão sendo realizadas para garantir a aprendizagem de todos os alunos. Reuniões regulares tentam manter orientações para os projetos pedagógicos das escolas. Cada docente tem procurado formas de capacitação – coisa que o município ainda não consegue oferecer.

“Essa é uma falha, que queremos mudar. Conseguimos nos regularizar nos programas do MEC novamente, inauguramos uma quadra de esportes e estamos montando laboratórios de informática. Mas ainda sofremos com a falta de espaço”, enumera. Com a nota de 3,4, a meta determinada pelo MEC para o município em 2013 foi atingida. “Mas queremos mais”, diz.

Melhora da Bahia

Não foi só Apuarema que conseguiu melhorar o próprio desempenho na Bahia. No Ideb 2009, entre as 11 cidades com as cinco piores notas nas séries iniciais da rede pública (havia empates), seis eram baianas. Além de Apuarema, os municípios de Pedro Alexandre, Manoel Vitorino, Nilo Peçanha, Dário Meira e Pilão Arcado apareciam na lista dos piores desempenhos, com notas que não ultrapassavam 2,2. A média nacional era 4,6.

Desses, o único município que continua na lanterninha do Ideb nos anos iniciais é Pedro Alexandre. A média da cidade subiu de 2,0 para 2,7. Um avanço razoável, mas ainda longe da meta proposta para 2011, que era de 3,4. Pilão Arcado subiu 1 ponto, ficou com nota 3,2, mas não alcançou a meta de 3,6. Dário Meira, outro município visitado pela reportagem do iG em 2010, também aumentou sua média para de 2,2 para 3,8.

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Nilo Peçanha foi o município com maior crescimento: subiu dois pontos. Saiu de 2,2 para 4,2. Além de notas mais altas em português e matemática, o município melhorou os índices de aprovação das crianças. Até 2009, metade dos alunos das séries iniciais era reprovada. Em 2011, a aprovação subiu para 78%.

Para o Ministério da Educação, responsável pela criação do índice, esse é um bom dado quando acompanhado de crescimento na proficiência. No Ideb, a evolução é medida se as duas variáveis crescerem juntas. O indicador, que é divulgado a cada dois anos, prevê metas individuais para cada escola, município e Estado. Só são divulgados os resultados das redes em que metade dos estudantes matriculados tiver sido avaliada.

Leia a série do iG sobre o Ideb na Bahia em 2009

Nas séries finais, a Bahia também tinha alguns municípios entre os piores em 2009: 13 cidades reuniam as notas mais baixas, todas com menos de dois pontos no índice (a média nacional era 4,0). Deles, cinco da Bahia: Itapitanga, Itatim, Jussari, Aramari e Ibirataia. Esses melhoraram e outros municípios baianos acabaram entrando para lista das notas mais baixas. Todas, porém, estão acima de 2,0 (uma nota ainda ser distante da média nacional de 4,1).

Jussari, município também visitado pelo iG , saltou da nota de 1,8 para 2,7, alcançando a meta proposta para 2011. A cidade, que só tem uma escola que oferece turmas de anos finais, conseguiu corrigir parte dos problemas de fluxo, aumentando a aprovação de 57% para 65% e alcançando médias mais altas em português e matemática (as médias subiram 35 pontos e 26 pontos, respectivamente).

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