Os dois ciclos desta etapa tiveram a mesma nota que em 2009. Índices paulista e nacional divergem apesar de terem metodologia semelhante

O ensino fundamental da rede estadual paulista manteve em 2011 o mesmo patamar alcançado há dois anos no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). As séries iniciais tiveram nota 5,4 e as finais 4,3, acima da meta, mas exatamente os mesmos índices de 2009. 

Para João Cardoso Palma Filho, secretário-adjunto da Educação do Estado de São Paulo e especialista em política educacional da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp), a rede consolidou o seu desempenho. “Em termos de país é uma média boa, e quando se atinge esse patamar, tem se que adotar novas medidas educacionais para avançar”, diz. Palma filho destacou os programas de recuperação da rede entre as políticas públicas implantadas para melhorar o desempenho.

O Estado está em 4º lugar no Ideb dos anos iniciais e em 3º nos anos finais do ensino fundamental. No ensino médio, avançou 0,3 pontos e ficou em 2º lugar, com Ideb 3,9, atrás de Santa Catarina, que teve 4,0. Para bater as metas de 2013 terá que crescer 0,1 ponto nos anos iniciais e 0,3 pontos nos anos finais. O ensino médio já atingiu a próxima meta.

Ideb x Idesp

A rede estadual de São Paulo tem seu próprio índice de qualidade, o Idesp, que, assim como o Ideb, é calculado com base no fluxo escolar e no desempenho dos estudantes em português e matemática. Os resultados da avaliação estadual, o Saresp, são passíveis de comparação com aqueles da avaliação nacional (Saeb e Prova Brasil, que compõem o Ideb).

Apesar de terem sido calculados no mesmo ano, avaliando as mesmas turmas de estudantes, Ideb e Idesp diferem nos resultados. Entre as escolas que ficaram com os maiores índices, há divergências de até 2,5 pontos percentuais entre as notas. A escola Coronel Joaquim de Toledo Piza e Almeida, por exemplo, teve Idesp 8,28, nos anos iniciais, o 5º maior da rede paulista. Já no índice nacional, atingiu Ideb 5,8 – cerca de 400 escolas tiveram notas mais altas.

Palma Filho afirma que a diferença entre os índices vem sendo observada nas últimas edições e que os resultados deveriam ser mais próximos, por trabalharem com as mesmas variáveis. “Minha hipótese é de que a avaliação do Ideb está mais compatível com o currículo das escolas, por ter um número menor de competências. O Saresp trabalha com um número maior de competências”, destaca, ponderando que maiores análises ainda precisam ser feitas.

A escola paulista melhor avaliada no Ideb foi a Marechal Mallet, com 7,3, nos anos iniciais do ensino fundamental. No índice paulista, o desempenho foi semelhante, 7,57 e 15ª posição no Idesp.

Já a primeira colocada no Idesp, a escola Reverendo Augusto da Silva Dourado, com nota 9,3, teve 4,8 no índice nacional – cerca de 1.350 escolas da rede estadual tiveram desempenho superior. A unidade, no entanto, está sendo investigada por suspeita de fraude no Saresp , o exame paulista.

Em abril, o iG revelou a denúncia de que estudantes teriam recebido ajuda de professores durante a avaliação. Uma comissão de averiguação da Secretaria de Estado da Educação identificou indícios de autoria e materialidade (quem foram os responsáveis e o que fizeram) da fraude. O caso é agora investigado pela Procuradoria Geral do Estado.

A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo destaca que os índices utilizam formas diferentes para o cálculo de desempenho dos alunos. Enquanto o Ideb faz uso da média simples dos resultados obtidos, o Idesp utiliza a média ponderada, dividida em níveis de proficiência. No ensino fundamental a Prova Brasil é aplicada a todas as turmas com mais de 20 alunos e no ensino médio a avaliação nacional é feita de forma amostral, diferentemente do Saresp, que trabalha com o universo total das escolas estaduais paulistas. “Além disso, as questões aplicadas nas avaliações são distintas”, aponta a pasta.

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