Faculdades de São Paulo aprovam exames para médicos

Unicamp, Unesp, USP, Ufscar, Unifesp, Santa Casa e UMC defendem a avaliação como um mecanismo para que as instituições conheçam suas falhas

iG São Paulo |

As principais escolas de Medicina do Estado de São Paulo apoiam a decisão do Conselho Regional de Medicina (Cremesp) de tornar obrigatória a realização de uma prova para avaliar os médicos recém-formados. Para obter o registro no Cremes, necessário para necessário para exercer a profissão, os médicos terão que participar da prova, mas não precisarão ser aprovados.

Leia também:  Cremesp institui exame obrigatório para formados em Medicina

Exame de 2011 : 46% dos formandos são reprovados em prova do Cremesp

100 anos : Veja o antes e depois da Faculdade de Medicina da USP

Diretores das faculdades de Medicina da Unicamp, Unesp, USP , Ufscar e Unifesp defendem a avaliação: dizem que ela é necessária porque será mais um mecanismo para que as instituições conheçam suas falhas e criticam a expansão de vagas nos cursos de Medicina - o governo federal anunciou em junho a criação de 2,5 mil novas vagas em cursos de medicina de universidades federais e particulares.

O professor Mario Saad, da Unicamp, diz que uma prova de múltipla escolha ao final do curso pode não ser a melhor forma de avaliar se um aluno realmente aprendeu tudo o que deveria. "Nem sempre quem responde bem a um teste é quem melhor atende num hospital. O ideal seria existir um mecanismo de avaliação ao final do 2º, do 4º e do 6º anos, incluindo uma avaliação prática e uma prova discursiva."

O professor Joaquim Edson Vieira, da comissão de graduação da USP, segue o mesmo raciocínio. Ele apoia a existência da avaliação, mas avalia que o exame poderia ser mais completo, como uma prova de residência médica (que inclui questões discursivas e prova prática). "Nossos alunos não faziam a prova quando era voluntária por considerar que esse modelo de exame não contribui para o exame da residência médica, que eles obrigatoriamente fazem quando se formam. Não é questão de ser melhor ou pior. Mas são exames diferentes", diz.

Silvana Artioli Schellini, da Unesp, e Bernardino Geraldo Alves Souto, da Ufscar, dizem que os resultados serão uma ferramenta a mais para a melhoria do ensino. "A proposta é muito inteligente porque mantém o sigilo do aluno, não tem caráter punitivo e fornece os resultados por área para a faculdade", afirmou o professor Souto.

O professor Antonio Carlos Lopes, da Unifesp, classifica como oportuna a medida, mas lamenta que a prova não tenha força para filtrar profissionais. "A decisão do Cremesp é apenas política. Serve de estatística, mas infelizmente não tem validade para impedir o indivíduo de exercer a profissão", avalia.

Para o diretor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa, Valdir Golin, a iniciativa vem a se somar com a análise feita pelo Enade, do Ministério da Educação (MEC), que avalia os universitários no primeiro e no último ano de curso. "A regra é corajosa e absolutamente salutar. Faz um diagnóstico. Mas o ideal seria termos algo em todo o Brasil."

Para a professora Cibele Retele Duch, da Uniara, de Araraquara, ainda é cedo para se pensar num exame de ordem nacional. "Ainda precisa de maturidade. Essa evolução tende a ocorrer, mas assim já vai forçar as instituições a repensarem seu ensino."

Henrique George Naufel, da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), reforça a importância da participação de todos. "Como é obrigatório, mas não é excludente, pode ser que algumas instituições boicotem e prejudiquem o objetivo real do exame."

Repercussão

A Associação Médica Brasileira (AMB) e a Associação Paulista de Medicina (APM) também se declararam favoráveis à aplicação da prova. Em nota, o CFM diz concordar com a adoção de medidas que contribuam e estimulem a avaliação de estudantes e escolas, mas diz não ter um consenso sobre a melhor abordagem para enfrentar o problema.

A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que aplica exame semelhante para conceder o registro necessário para exercer a advocacia, apoia a medida do Cremesp. Para o presidente da instituição, o exame obrigatório "funciona como uma resistência por parte da sociedade civil brasileira e da Medicina em defesa da vida".

O Cremesp afirma contar com o apoio dos sindicatos, dos conselhos regionais de Minas Gerais e Santa Catarina e de pelo menos 16 das 28 instituições de ensino superior do Estado de São Paulo que formam médicos neste ano.

O Exame

A prova já existe há sete anos, de forma voluntária, mas a adesão caiu no decorrer dos anos, prejudicando a amostra e a avaliação. Na última edição, apenas 16% dos formandos daquele ano participaram da avaliação.

Ao torná-la obrigatória, a intenção do Cremesp é ampliar a base de participação e assim ter um retrato mais fiel do problema, além de avançar o debate da instituição (via lei federal) de um exame nacional cuja aprovação seja requisito obrigatório para o exercício da Medicina no País, como já ocorre com os advogados.

A norma já vale para os formandos de 2012 e para os médicos que ainda não têm registro no Cremesp e não iniciaram o processo de inscrição. O exame será realizado no dia 11 de novembro e será composto por 120 questões de múltipla escolha sobre as 9 principais áreas da Medicina, que incluem pediatria, clínica médica, obstetrícia e saúde pública. No ano passado, 46% dos alunos voluntários foram reprovados .

* Com informações da AE e do jornal O Estado de S.Paulo.

    Leia tudo sobre: MedicinaCremespfaculdades de Medicina

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG