Apesar das preocupações com obesidade infantil, aulas de ginástica são cortadas

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Aula que o professor Ronny Rodriguez ministra no Bronx, em Nova York, está cada vez menos comum
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Aula que o professor Ronny Rodriguez ministra no Bronx, em Nova York, está cada vez menos comum


Mais de meio século atrás, o presidente Dwight D. Eisenhower criou o Conselho do Presidente para a Aptidão da Juventude e hoje o prefeito Michael R. Bloomberg e Michelle Obama estão entre aqueles que fazem da obesidade infantil uma causa pública . Mas mesmo com praticamente todos os Estados realizando reformas escolares significativas, muitos estudantes americanos não estão passando nenhum tempo no ginásio.

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Em sua pesquisa bianual com alunos do ensino médio de todo o país, o Centros de Controle e Prevenção de Doenças informou em junho que quase metade deles não tinha aulas de educação física semanalmente. Em Nova York, cerca 20,5%.

O estudo confirma a percepção da controladoria de Nova York, que encontrou problemas no ensino de educação física em todas as escolas de ensino fundamental visitadas por auditores em outubro. Em São Francisco, pesquisadores da Universidade da Califórnia descobriram que apenas 20% das escolas primárias no sistema local tinham os requisitos mínimos do Estado: 20 minutos por dia de exercícios físicos.

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No Escola Elementar Anatola, em Van Nuys, na Califórnia, nem sequer existem professores de ginástica ou um ginásio. A diretora, Miriam King, conta com assessores que cobram US$ 15 a hora para supervisionar exercícios uma vez por semana em um playground externo para seus 450 alunos.

"Às vezes, quando está chovendo, nós simplesmente cancelamos os exercícios", disse King.

No Distrito Escolar Miami-Dade, na Flórida, as aulas de educação física para alunos do ensino médio foram ameaçadas por uma legislação estatal no ano passado, em face a uma arrecadação de impostos anêmica. Mas a principal educadora de saúde do Estado, Jayne D. Greenberg, ficou grata ao ver um esforço popular conseguir gerar pressão política suficiente para derrotar os cortes propostos.

Ainda assim, segundo Greenberg, ela teve de "dobrar algumas das aulas do ensino elementar".

Mitchell Deutsch, de 7 anos, não gasta suas energias na escola por falta de professor de educação física
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Mitchell Deutsch, de 7 anos, não gasta suas energias na escola por falta de professor de educação física

Em East Harlem, na Scholars TAG, uma escola fundamental e de ensino médio para alunos superdotados, não havia professor de ginástica para alunos do ensino fundamental, de acordo com Patricia Saydah, cujo filho Mitchell Deutsch acaba de terminar o primeiro grau. Professores de arte e orientadores supervisionaram muitas das classes e os próprios estudantes muitas vezes são chamados a demonstrar exercícios de alongamento, disse Mitchell. O ano que vem deve ser ainda mais difícil: uma das quatro escolas que usam o prédio está em expansão e deve tomar mais espaço do único ginásio.

Saydah disse estar preocupada com a capacidade de Mitchell para se concentrar na aula sem atividades físicas.

"Ele sai da escola cheio de energia", disse.

Os diretores mais frequentemente culpam cortes no orçamento e, em Nova York, eles também citam pressões para se dedicar recursos à preparação para exames universitários.

Além de seu valor na luta contra a obesidade, a educação física também tem sido associada em alguns estudos a bons resultados acadêmicos. O Dr. John J. Ratey, professor de Harvard e autor de “Spark: The Revolutionary New Science of Exercise and the Brain” (Spark: A Revolucionária Nova Ciência do Exercício e do Cérebro, em tradução livre) citou um estudo de 2010 sobre o tema realizado pelo Departamento Federal de Saúde e Serviços Humanos.

"Há menos tempo para a educação física e o recreio para as nossas crianças", escreveu Ratey. "Os professores de educação física estão lutando como cães e gatos para manter seus empregos e seu valor, ao mesmo tempo em que tomamos consciência de que perdemos o bonde".

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