Estudantes da Unifesp protestam na avenida Paulista

Alunos repudiam ação policial que prendeu 25 e pedem melhorias no câmpus Guarulhos. Grupo que foi preso assinou Termo de Compromisso com a Justiça

iG São Paulo | - Atualizada às

Cerca de 150 estudantes fizeram uma manifestação nesta segunda-feira na avenida Paulista, centro da capital. Os manifestantes se concentraram no vão livre do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MASP), por volta das 16h, e depois seguiram em passeata em direção à rua da Consolação, ocupando duas faixas, e deram a volta na avenida. A caminhada durou pouco mais de uma hora e terminou por volta das 19h30.

O ato foi em repúdio a ação policial que prendeu 25 alunos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) , no câmpus Guarulhos, na noite da última quinta-feira. Vinte e dois estudantes foram autuados em flagrante pelos crimes de dano ao patrimônio e intimidação de professores e funcionários (constrangimento ilegal).

Greve nas federaisReunião entre governo e sindicato de professores federais é cancelada

Os estudantes do câmpus Guarulhos estão em greve há 88 dias, por melhores condições na infraestrutura da unidade. “O movimento é para expor as falhas do nosso câmpus. Faltam salas de aula, não temos moradia, nem restaurante universitário”, afirma Michael Melchiori,25 anos, estudante de Filosofia da Unifesp.

Bruno Maciel Athanasio, 24 anos, estava entre os estudantes que foram presos. Aluno de Ciências Sociais, ele vê a ação da Polícia Militar como um “ataque”. “No vídeo (feitos por estudantes) dá pra ver que a gente não estava fazendo nada, estávamos só protestando”, afirma. Bruno conta que colegas foram agredidos com tapas no rosto e jogados dentro das viaturas da PM, ainda dentro do câmpus da Unifesp.

Alexandre Leão Mariano Alves, 26 anos, aluno de Ciências Sociais, já foi preso três vezes em manifestações estudantis e responde por formação de quadrilha. “Isso é um absurdo é como se a gente se associasse para cometer um crime e não para protestar por uma educação melhor”, declara.

Os estudantes estão em liberdade provisória e se apresentaram na polícia nesta segunda-feira para assinar um Termo de Compromisso com a Justiça, no qual se comprometem a comparecer a todos os atos processuais que serão realizados no caso.

Para o juiz federal Jorge Alberto de Araújo, que concedeu a liberdade ao grupo, apesar de haver indícios de autoria (quem foi) e materialidade (o que foi feito) dos crimes, não cabe prisão preventiva, uma vez que todos são estudantes mantêm vínculo com a universidade, não têm antecedentes criminais e não representam risco.

Documentos apresentados pela Unifesp à Justiça Federal de São Paulo apontam que parte das reivindicações feitas pelo movimento estudantil está sendo atendida, como início da construção do prédio central, moradia para estudantes, garantia de diversidade e qualidade de alimentação, transporte, entre outras.

De acordo com os estudantes, um procurador da Unifesp afirmou que será instalada uma sindicância contra os estudantes, cuja a pena máxima é a expulsão da universidade.

Tércio Teixeira/Futura Press
Protesto de estudantes da Unifesp na avenida Paulista repudiou prisão de estudantes do câmpus Guarulhos


* Com reportagem de Alexandre Dall'Ara

    Leia tudo sobre: Unifespestudantes presosgreve nas federais

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG