Alunos da Unifesp Guarulhos são soltos após decisão da Justiça

Prisões ocorreram após um protesto estudantil em frente à diretoria acadêmica do campus

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A Justiça mandou soltar um grupo de 22 alunos do campus Guarulhos da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que estava preso desde quinta-feira na sede da Polícia Federal, zona oeste da capital paulista. O alvará de soltura chegou à PF por volta das 23 horas e, logo depois, os alunos foram liberados.

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As prisões aconteceram na noite de quinta-feira, quando houve um protesto estudantil em frente à diretoria acadêmica do campus de Guarulhos. Os estudantes dessa unidade estão em greve há quase três meses para pedir melhorias na infraestrutura. A Polícia Militar foi chamada por funcionários da Unifesp, entre eles o diretor do câmpus, Marcos Cezar de Freitas, para conter os alunos, que estariam depredando o prédio e ameaçando funcionários.

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Estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), presos durante um protesto no campus de Guarulhos, na Grande São Paulo, são soltos

Segundo a Unifesp, eles haviam pichado paredes e quebrado vidros, móveis e computadores. Um grupo estava concentrado em frente ao prédio e, segundo Freitas, intimidando-o e ameaçando ocupar o edifício.

Os 22 alunos foram autuados em flagrante por dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e formação de quadrilha, cujas penas podem chegar, somadas, a oito anos de prisão. A PF fez uma perícia no câmpus. O advogado Pedro Ivo Iokoi, que defende os estudantes, conseguiu um habeas corpus do juiz da 1º Vara de Guarulhos. Segundo ele, eles foram liberados sob a condição de comparecer na próxima segunda-feira (18) à sede da Justiça Federal de São Paulo.

Os alunos dizem que o quebra-quebra só começou após os policiais prenderem uma colega. Houve confronto e a PM utilizou balas de borracha e bombas de efeito moral. Uma estudante foi levada ao pronto-socorro com ferimento na perna e um vídeo postado pelos universitários mostra um rapaz com o nariz sangrando após ser atingido por policiais.

Segundo a aluna de Ciências Sociais Janaína Sant'Ana de Andrade, de 21 anos, que estava no protesto, não dá para saber se foi a PM ou os estudantes que depredaram o prédio. Na sexta-feira, ela teve uma audiência com o reitor e pediu que ele retirasse as acusações contra os presos.

O reitor da Unifesp, Walter Albertoni, diz que a polícia agiu "com critérios". "Não quero ver ninguém preso, mas os estudantes têm de responder pelos atos que cometeram", disse Albertoni, em entrevista nesta sexta-feira à tarde. Segundo ele, que classificou o ato como "depredação", a situação "saiu do controle", porque "o confronto foi deliberado pelos estudantes".

Para o reitor, os detidos infringiram termos de um mandado de segurança assinado dia 6, quando ocorreu a reintegração de posse do câmpus, invadido por alunos. Os alunos haviam ocupado a diretoria acadêmica em maio, mas saíram do prédio quando souberam da preparação da polícia para fazer cumprir ordem judicial de reintegração de posse.

O câmpus de Guarulhos não tem prédio oficial, prometido desde 2007, quando foi inaugurado. A universidade usa salas de aula de uma escola municipal vizinha. O pró-reitor de Assuntos Estudantis, Luiz Leduino de Salles Neto, disse "repudiar" o que chamou de "ação violenta" da PM. Ele cogita deixar o cargo.

Segundo a PF, dos 22 detidos, 14 já haviam sido conduzidos à superintendência no último dia 6. Os alunos só não foram transferidos nesta sexta-feira para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros por falta de tempo.

Veja vídeo feito por estudantes da Unifesp que mostra momento em que políciais prendem uma aluna e começam a atirar com bombas de borrachas contra o grupo :


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