22 continuam detidos na sede da PF em SP após confusão no campus de Guarulhos. Fotos de depredação foram divulgadas

O advogado Pedro Ivo Iokoi, que defende os estudantes da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) presos ontem à noite após confusão no campus de Guarulhos , informou na noite desta sexta-feira que eles obtiveram um habeas corpus do juiz da 1º Vara de Guarulhos e que os alunos foram liberados.

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Os 25 estudantes foram presos pela Polícia Militar , após confronto e quebra-quebra na Diretoria Acadêmica do campus da universidade em Guarulhos. Antes da decisão da Justiça, a previsão era de que eles seriam transferidos na segunda-feira para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros.

De acordo com os depoimentos colhidos pela Polícia Federal, na tarde de quinta-feira os estudantes fizeram uma caminhada pacífica no câmpus, que terminou com atos agressivos na Diretoria Acadêmica. A PF afirma que integrantes do grupo quebraram vidraças, objetos e picharam paredes dentro e fora da Diretoria Acadêmica, incitando a uma nova ocupação do prédio.

Com a chegada da Polícia Militar o grupo reagiu, e 25 pessoas foram encaminhadas para a Superintendência Regional da Polícia Federal, no bairro da Lapa, em São Paulo. Alunos ouvidos pela Agência Estado dizem que o quebra-quebra só começou após os policiais prenderem uma colega e denunciam violência policial . De acordo com os universitários, a polícia utilizou balas de borracha e bombas de gás lacrimogêneo.

Foi realizada uma perícia no local, e a PF constatou danos ao patrimônio da Unifesp. Dos conduzidos até a PF, 22 pessoas foram autuadas em flagrante e responderão pelos crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e formação de quadrilha, cujas penas somadas podem atingir oito anos de prisão. Segundo a PF, 14 pessoas desse grupo haviam sido detidas no último dia 6, quando aconteceu a reintegração de posse do mesmo câmpus, e três estudantes possuem antecedentes criminais por dano e formação de quadrilha.

Vídeo

Um vídeo postado por estudantes mostra o momento em que políciais prendem uma aluna e começam a atirar com bombas de borrachas contra o grupo. As imagens mostram ainda um estudante com o rosto sangrando.

Unifesp

A universidade confirma as depredações feitas por estudantes, iniciadas após uma assembleia, e afirma que a Polícia Militar que faz a segurança do bairro foi acionada por "docentes e servidores acuados na Diretoria Acadêmica para conter os manifestantes e garantir a integridade física de todos os presentes, inclusive de alunos".

A Reitoria diz que está procurando solucionar os problemas de infraestrutura e recolocar o câmpus Guarulhos em situação de normalidade. "Entretanto, a invasão do campus, com depredação do patrimônio público e constrangimento ilegal não é forma de manifestação ou reivindicação. Trata-se de conduta absolutamente contrária ao Estado Democrático de Direito", diz a Unifesp em nota.

Veja as imagens do câmpus divulgada pela PF:

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