Mercadante diz não ver motivo para greve nas federais

Professores de 44 das 59 instituições federais de ensino superior estão paralisados. Ministro faz apelo para que voltem a dar aula

iG São Paulo |

O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fez um apelo nesta quarta-feira (23) para que os professores das universidades federais suspendam a greve declarada na última quinta-feira (18) e que já conta com a adesão de 44 das 59 universidades federais (veja a lista completa abaixo). De acordo com o governo, há prazo para que as negociações sobre a reestruturação da carreira, principal reivindicação dos docentes, seja concluída a tempo de ser incluída no Orçamento de 2013.

Resposta do sindicato : "Greve está forte e vai continuar"

Agência Brasil
O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, fala em entrevista coletiva sobre a greve dos professores das universidades federais
No ano passado o governo fechou um acordo com a categoria que previa um aumento de 4% a partir de março, incorporação de gratificações e reestruturação do plano de carreira para 2013. Uma medida provisória publicada na semana passada garantiu o aumento retroativo a março e a incorporação das gratificações, segundo o ministro. A principal pendência ainda é a revisão do plano, mas Mercadante argumenta que há prazo legal para que essa negociação seja concluída, já que o orçamento de 2013, que irá custear as mudanças, só será fechado em 31 de agosto.

“Não vejo o porque de uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo e há tempo para negociar”, disse. O acordo firmado entre o governo e a categoria no ano passado previa que as definições sobre o novo plano de carreira fossem concluídas até março. Segundo o ministro, há um “atraso político”, mas não um atraso legal.

Segundo Mercadante, a demora na negociação do plano se deu em função da morte do secretário executivo do Ministério do Planejamento, Duvanier Costa, que era responsável pela negociação salarial de todo o serviço público federal.

“Até encontrar um substituto para o cargo tivemos um certo atraso que prejudicou a negociação, mas não traz nenhum prejuízo material ao docente, porque o acordo previa mudanças na carreira a partir de 2013”, disse. O ministro lembrou que foi fundador do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes) e disse que é um direito legítimo dos trabalhadores reivindicarem melhorias, mas condenou o momento escolhida para a greve.

Os docentes também pedem melhorias das condições de trabalho nos novos campi, que foram criados nos últimos anos por meio do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni). Segundo Mercadante, os problemas na entrega das obras dos 132 novos campi são “pontuais” e não são a justificativa para a paralisação.

Resposta do sindicato

A greve dos professores das instituições federais de educação superior continua, apesar da fala do ministro. A afirmação é da presidenta do sindicato da categoria (Andes), Marina Barbosa. Segundo ela, não é verdade que os docentes tenham iniciado a greve com as negociações em andamento porque desde dezembro de 2010 o governo não muda a proposta. "A fala do ministro só vale como mensagem de que a greve está forte e assim vai continuar", diz.

Segundo a Andes, a medida provisória publicada na semana passada não trata da reestruturação do plano de carreira para 2013 e, portanto, retrocede a campanha dos professores para o que estava acertado em dezembro de 2010.

A pendência é a revisão do plano, que segundo os docentes é o que mais impacta na valorização dos profissionais. Mercadante argumenta que há prazo legal para que essa negociação seja concluída, já que o orçamento de 2013, que irá custear as mudanças, só será fechado em 31 de agosto. “Não vejo o porque de uma greve neste momento, neste cenário em que o governo demonstra todo interesse em cumprir o acordo e há tempo para negociar”, afirmou o ministro.

* Com informações da Agência Brasil

Veja lista completa de instituições que aderiram a greve :

1. Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
2. Universidade Federal de Roraima (UFRR)
3. Universidade Federal Rural do Amazonas (UFRA)
4. Universidade Federal do Pará (UFPA)
5. Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)
6. Universidade Federal do Amapá (Unifap)
7. Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
8. Universidade Federal do Piauí (UFPI)
9. Universidade Federal do Semi-Árido (Mossoró) (Ufersa)
10. Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
11. Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)
12. Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
13. Universidade Federal de Alagoas (UFAL)
14. Universidade Federal de Sergipe (UFS)
15. Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM)
16. Universidade Federal de Uberlândia (UFU)
17. Universidade Federal de Viçosa (UFV)
18. Universidade Federal de Lavras (UFLA)
19. Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop)
20. Universidade Federal de São João Del Rey (UFSJ)
21. Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
22. Universidade Federal do Paraná (UFPR)
23. Universidade Federal do Rio Grande (FURG)
24. Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
25. Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ)
26. Universidade Federal dos Vales Jequitinhonha Mucuri (UFVJM)
27. Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR)
28. Instituto Federal do Piauí
29. Centro Federal de Educação Tecnológica de Minas Gerais
30. Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB)
31. Universidade do Vale do São Francisco (Juazeiro) (Univasf)
32. Universidade Federal de Goiás (Catalão) (UFG)
33. Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
34. Universidade Federal do Acre (UFAC)
35. Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio)
36. Universidade Federal do Rondônia (Unir)
37. Universidade de Brasília (UnB)
38. Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF)
39. Universidade Federal do Pampa (Unipampa)
40. Universidade Federal de Alfenas (Unifal)
41. Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)
42. Universidade Federal Fluminense (UFF)
43. Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
44. Instituto Federal do Sudeste de Minas Gerais

Fonte: Sindicato Nacional dos Docentes de Ensino Superior (Andes-SN), balanço de 23/5

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