UnB discutirá adesão ao Enem e Sisu

Proposta do Decanato de Graduação de substituir o vestibular será debatida por conselho. Programa seriado e cotas seriam

Priscilla Borges, iG Brasília |

A substituição do vestibular pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e a participação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) serão temas de novos debates na Universidade de Brasília (UnB). Hoje, a instituição federal não distribui vagas pelo Sisu e só utiliza as notas do Enem para preencher vagas remanescentes de seus próprios processos seletivos.

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O decano de Graduação da Universidade de Brasília (UnB), José Américo Garcia, vai apresentar a nova proposta da reitoria ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (Cepe). É o colegiado que define os rumos acadêmicos da universidade. Para ele, é hora de professores e estudantes discutirem novamente a possibilidade de ingresso da UnB no Sisu.

Marcos Brandão/OBrittoNews
UnB só utiliza Enem para vagas que sobram do vestibular. Debate sobre substituir o vestibular pelo exame volta à tona
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A proposta é substituir o vestibular completamente pelo Sisu. O Programa de Avaliação Seriada (PAS) continuaria mantido – hoje, 25% das vagas anuais da UnB são destinadas ao programa – assim como o sistema de cotas. Do total de vagas oferecido em cada vestibular, 20% são reservadas a estudantes negros e pardos. Alvo de ação, o programa foi julgado constitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 26 de abril.

Os últimos debates sobre o tema ocorreram em 2010. À época, os integrantes do conselho optaram por continuar de fora da seleção feita pelo Ministério da Educação a partir das notas do Enem. Agora, Garcia acredita que o cenário é diferente. Com o sistema estável, ele defende a participação da universidade no processo.

“Nosso vestibular não está ultrapassado, mas podemos ganhar muito com as vantagens que o Sisu promove. Primeiro, a democratização da distribuição das nossas vagas. Muitos estudantes que não podem vir de longe teriam a chance de concorrer às nossas vagas. A mobilidade acadêmica beneficia as discussões teóricas, as práticas e pesquisas da instituição”, afirma.

Na opinião do decano, a polêmica e a resistência dos conselheiros durante as primeiras discussões sobre o tema não ocorrerão na tarde desta quinta-feira, quando ele apresentará a proposta. “O sistema está consolidado tecnologicamente, as técnicas foram aprimoradas”, diz. Ele aposta que o tema ainda será bastante discutido pelo Cepe e outros colegiados da UnB.

Enem

À época dos primeiros debates sobre a utilização do Enem, muitos professores foram contra a ideia por causa da qualidade das provas. Eles alegavam que o vestibular da UnB atendia mais as necessidades da instituição. Hoje, Garcia acredita que as opiniões serão diferentes. O Centro de Seleção e de Promoção de Eventos (Cespe), que elabora as seleções da UnB, também é responsável pelo Enem.

“A metodologia é muito similar ao do nosso vestibular . Além disso, o Sisu permite que a UnB atribua pesos diferentes às avaliações de cada área, de acordo com cada curso. E podemos optar por não oferecer todas as vagas pelo sistema, apenas parte delas”, defende.

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