Criador do IDH minimiza importância de índices

Em encontro no Rio de Janeiro, Amarya Sen diz que alunos cotistas tendem a se tornar profissionais mais preocupados com sociedade

Tatiana Klix, enviada ao Rio de Janeiro |

O indiano Amarya Sen, prêmio Nobel em economia em 1998 e coocriador do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) afirmou nesta quinta-feira, em encontro com educadores no Rio de Janeiro, que índices não conseguem medir com precisão a vida das pessoas.

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Para Sen, a criaçao do IDH foi importante num momento em que o desenvolvimento só era mensurado pelo PIB, que leva em conta apenas a renda da população, sem olhar para outros fatores como educação, por exemplo. O IDH classifica a condição de 187 países a partir da expectativa de vida (longevidade), da educação e da renda do povo. Mesmo assim, concorda que muitos outros fatores poderiam ser incluídos, como as desigualdades de gênero, a segurança e a liberdade.

Ao ser questionado se mudaria a composição do IDH hoje, o indiano disse que esse não é um cálculo fácil, porque “quanto mais itens você coloca em um índice, menos importância eles têm no resultado final”. Para o economista, os índices são necessários porque a sociedade anseia por números para rotular uma realidade, mas eles devem ser encarados apenas como um convite para olhar os detalhes que não sao observados nas métricas. “Não se concentrem muito em elaborar rankings”, provocou.

Cotas

No dia em que o Supremo considerou constitucional as cotas para negros em universidades brasileiras, Amarya Sen afirmou que pesquisas nos Estados Unidos mostram que pessoas que foram beneficiadas por reserva de vagas tendem a ser profissionais que contribuem mais para o bem-estar da sociedade. Apesar de a experiência da Índia, o primeiro país a adotar esse tipo de politica, não ter comprovado mudanças significativas na sociedade de castas, Sen disse que acredita que a política traz benefícios.

Desconhecendo a realidade brasileira, não arriscou uma opinião específica para o País, mas ponderou que é importante valorizar os ganhos obtidos com reserva de vagas independente de eles ocorrerem em larga escala. A superintendente do Instituto Unibanco, Wanda Engel, que organizou o evento Diálogos sobre Educação com o nobel em economia, foi mais categórica em defender a aprovação de cotas no Brasil. Para ela, é preciso adotar ações para diminuir a desigualdade de oportunidades.

Wanda também comemorou a oportunidade de educadores brasileiros podererem presenciar a conversa com Amarya Sen, porque ele ensina um novo conceito de justiça focado em garantir oportunidades a todos. “No Brasil, os jovens estudam 9 anos. Isso é desperdiçar recursos humanos, é não dar chance à nossa juventude”, explica. “Precisamos acabar com a evasão no ensino médio”.

Participaram também do Diálogos sobre Educação o subsecretário de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Ricardo Baes de Barros, e o diretor acadêmico do IBMEC/RJ, Fernando Schüler.

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