04/09 - 09:44 , atualizada às 10:15 04/09 - Redação com Agência Brasil
BRASÍLIA - A expansão das universidades públicas federais por meio da criação de novas vagas e de novos locais de ensino sem a participação e a discussão da comunidade acadêmica vai comprometer a qualidade do ensino superior público. A avaliação é do diretor regional do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes), Luis Mauro Magalhães.
Na última quarta-feira o ministro da Educação, Fernando Haddad, anunciou a criação de 44 mil vagas nas universidades federais em 2009. A medida faz parte do Programa de Apoio a Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni).
“Isso certamente vai prejudicar a qualidade do ensino superior público, está se fazendo uma expansão quantitativa, esquecendo a qualidade”, avaliou Magalhães, que também é professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Segundo o sindicato, o programa não está se dando “de acordo com as demandas e necessidades acadêmicas”, como por exemplo a garantia do tripé ensino, pesquisa e extensão. “Alguns cursos estão sendo implantados sem que os departamentos de ensino e os colegiados sejam ouvidos durante o processo”, afirmou.
Outra preocupação da entidade, segundo Magalhães, é a garantia do repasse de verbas pela União.
“Nos contratos entre os entre reitores e o MEC, a gente não tem uma expansão de recursos compatível com a expansão que as universidades se comprometeram. Além disso, não existe uma obrigação, o governo entra com os recursos para a universidade caso haja disponibilidade, não há garantia para os próximos anos ”, disse.
Segundo o MEC, a verba repassada para o Reuni até 2012 será de R$ 2 bilhões.
Magalhães cita ainda casos de campi que estão sendo inaugurados sem que as obras de novos prédios estejam concluídas.
“Na própria UFRJ foi feita uma expansão em que o prédio não está pronto e a universidade alugou um outro local muito precário para as aulas. Isso tem acontecido, são locais sem condições mínimas de trabalho, sem laboratório, feito às pressas”, afirmou.
O dirigente ressaltou que o Andes não é contrário à expansão, desde que não prejudique a qualidade.
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