06/08 - 09:36 - Agência Nordeste
RECIFE - Após o 28º dia sem aulas e 55 dias de greve - a mais longa da educação de Pernambuco -, os 1.105 alunos poderão voltar às escolas estaduais. Segundo os professores, mesmo com a decisão de acabar com a paralisação, na última sexta-feira, a retomada do calendário letivo não representa acordo entre o Governo do Estado e os educadores pernambucanos.
De acordo com o grupo, o impasse quanto aos pontos de solicitação ainda permanece, visto que o aumento de 5% oferecido pela gestão não seria suficiente. Além disso, os docentes dizem-se contrários à exigência da administração estadual, a qual pede a assinatura de um termo de compromisso para reposição do calendário escolar, para definir o formato de restituição do período em que as unidades de ensino ficaram sem atividade. Dessa forma, seria devolvido o quantitativo descontado das folhas salariais dos servidores.
“Estamos voltando às aulas hoje, somente porque não queremos prejudicar mais os estudantes. Eles não têm nada a ver com a intransigência do Governo. Por isso, deixamos claro que, se retomamos o ano letivo, é porque entendemos que não mais avançávamos nas negociações”, argumentou um dos diretores do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), Valdênio Carvalho. Quanto ao fato de a categoria se recusar a assinar o termo de compromisso de reposição de aulas, publicado sábado passado, no Diário Oficial, o representante dos docentes disse que, “ao longo dos 25 anos do movimento sindical no Estado, nunca antes foi preciso conduta do tipo”.
De acordo com Valdênio, a reposição dos dias de paralisação seria um compromisso histórico do grupo. “Não entendemos o porquê de assinar um documento, se a greve acabou”, salientou. Ainda segundo o diretor do Sintepe, a exigência vai de encontro à autonomia das escolas, em definir seus próprios calendários. Para eles, os 200 dias letivos devem ser cumpridos, porém conforme as possibilidades de cada escola.
A administração estadual, por meio da assessoria de imprensa da Secretaria de Educação, disse ter estabelecido o procedimento de compromisso, para ter a certeza de que os dias em que os alunos ficaram sem aula serão repostos. Caso seja firmado este acordo entre a categoria e o Governo, o primeiro dia não sofreria alteração no horário, porém, a partir de amanhã, haverá o acréscimo de uma hora, diariamente. Também haverá necessidade de aulas em sete sábados, até dezembro. Nesta quarta-feira, está marcada mais uma reunião entre os professores, a partir das 14h, na sede do Sintepe.
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