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Decretos não serão revogados, mas podem ser aperfeiçoados, diz secretário

24/05 - 07:12, atualizada às 22:36 24/05 - Da Redação do Último Segundo

SÃO PAULO – Terminou há pouco a reunião entre a comissão de 30 alunos da USP e o secretário da Justiça de São Paulo, Luiz Antônio Marrey. Uma nova reunião foi marcada para a segunda-feira. Segundo Marrey, a nova reunião não significa que a ordem de reintegração de posse não será cumprida. Os estudantes já ocupam o prédio da reitoria há 21 dias.

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    Sobre os decretos, Marrey afirmou que não é possível voltar atrás, mas que os decretos podem ser melhorado. Para ele, houve uma má compreensão por parte dos manifestantes e os decretos não são uma ameaça à autonomia universitária.

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    Ocupação "ilegal"

    O Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) tentou impedir, por meio de liminar, que a reintegração fosse feita nesta quinta-feira, mas o juiz Edson Ferreira da Silva, da 13ª vara da Fazenda Pública, do Tribunal de Justiça (TJ), negou o pedido.

  • Bruno B. Soraggi
    Alunos dão abraço simbólico na reitoria
    Segundo a assessoria do TJ, o Sintusp pediu a revogação da liminar de reintegração de posse pelo prazo de 10 dias para tentativa de acordo. O juiz entendeu que o pedido não pode ser atendido diante da “ilicitude da ocupação de dependências administrativas da universidade por estudantes, como forma de pressão para atendimento de suas reivindicações” e ainda não reconhece o Sindicato como parte legítima da ação.

    De acordo com um dos integrantes da comissão de estudantes da USP, Carlos Gimenes, a decisão do STJ dificulta as negociações, "temos nos esforçado para avançar nas conversas, mas o caso não deveria ser levado à Justiça". Os estudantes reafirmaram que vão levar adiante a ocupação.

    Ainda nesta quinta, uma liminar foi concedida em outra ação, proposta pela universidade contra o sindicato, para coibir atos que perturbem a ordem nas dependências da USP. Chamada de interdito proibitório, a liminar estabalece uma multa diária de mil reais quando os atos forem verificados. 

     

    Clima tranqüilo

     

    O clima é de tranqüilidade no prédio da reitoria da USP ocupado há 21 dias por cerca de 300 alunos. Esta atmosfera é bem diferente da tensão que envolveu os alunos durante a madrugada desta quinta. Por volta das 6h, os ocupantes chegaram a afirmar que a PM já havia iniciado a reintegração de posse. A informação foi desmentida em seguida quando os próprios manifestantes disseram à imprensa que receberam, "através da promotoria do Estado, notícia de que o pelotão de choque não estava a caminho".

    “Existiu um pouco de tensão, sim, mas esse é um movimento pacífico e nós já havíamos decidido que não reagiríamos”, disse a estudante de Letras e integrante da Comissão de Comunicação dos estudantes, Alba Marcondes. “Já é uma violência muito grande a polícia entrar no campus para reprimir um movimento estudantil legítimo”, protesta.

    Para Alba, a Polícia Militar não "pauta nada que diga respeito à universidade". "Nós não temos nada a negociar com a PM. Nossa discussão será tratada com a reitoria", complementa.

    Reforço

    Por volta das 10h30 desta quinta, um microônibus da USP de Piracicaba chegou com cerca de 38 funcionários. Eles pretendem ajudar na ocupação.

    Bruno B. Soraggi
    Lanche "X-Greve" é distribuido aos estudantes
    Uma barricada de pneus, que aumentou durante a madrugada, foi erguida em volta do prédio pelos estudantes. Os alunos chegaram a afirmar que iriam atear fogo na barreira e enfrentar o policiamento caso a Tropa de Choque resolvesse agir. Por volta das 6 horas, quando houve o rumor da chegada da polícia, o prédio era ocupado por cerca de 200 estudantes e 20 professores. Muitos estudantes, com medo da repentina chegada do policiamento, deixaram o prédio na madrugada levando mochilas, colchões e colchonetes.

    Ainda durante toda a madrugada, os estudantes prometeram abrir a reitoria para que os jornalistas fizessem imagens do prédio e ficasse assim registrado que, durante estes 21 dias, o interior da reitoria não havia sido destruído.

    Os universitários afirmaram temer que, com a entrada da PM, pudesse haver alguma destruição e que a responsabilidade fosse atribuída a eles. A imprensa, no entanto, não teve acesso à parte de dentro do prédio.

    Contrários ao protesto

    Apesar da grande adesão de universitários da USP, nem todos são a favor do protesto. O estudante de Ciências Sociais Renato Villela diz não aprovar a ocupação. “Para mim isso é uma violência contra a faculdade”. Segundo ele, não há organização no local. “Eu fui lá entrei e conheci. Eles dizem que há uma organização. Mentira, está uma bagunça.”

    Redondezas

    Alguns estabelecimentos localizados na redondeza do prédio ocupado chegaram a sofrer reflexos da movimentação no local, como afirmam funcionários da Farmácia da USP (Farmusp) que não quiseram ser identificados. “O movimento no estabelecimento diminuiu um pouco desde a ocupação”.

    Na padaria ao lado, freqüentada por funcionários da reitoria, o movimento diminuiu no período da manhã e tarde, mas aumentou durante a noite. “Normalmente, os maiores freqüentadores da padaria são os funcionários que trabalham no prédio da reitoria. Como ele está ocupado e eles não estão trabalhando o movimento durante o período de almoço caiu. Mas, durante a noite, essa movimentação aumentou já que o restaurante da USP está fechado e não há lugares próximos para se comer”, afirmou uma funcionária que também não quis ser identificada.

    Já para o estudante de geografia Marcos, residente do bloco E do Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp), a movimentação ao redor da ocupação não afetou sua rotina. “O barulho causado pelos manifestantes acontece só pela parte da manhã e, ainda, isoladamente. Isso até agora não atrapalhou meus estudos e nem de ninguém que eu tenha conhecimento”, afirmou.

    Máscaras de papel

    Alguns universitários improvisaram e usaram pela manhã máscaras de papel xerocado com o rosto do governador do Estado, José Serra. Um caixa eletrônico do Bradesco foi interditado com faixas de papel e todo o acesso ao prédio da reitoria ficou bloqueado. Um carro de som encostou próximo ao prédio.

    A PM tem uma ordem do poder judiciário para reintegração de posse. Caso os alunos não saiam, o coronel Joviano Conceição Lima, comandante do Batalhão de Choque da Polícia Militar, disse que irá pessoalmente à reitoria para explicar como será feita a reintegração de posse, já concedida pela Justiça. Caso haja resistência, a polícia poderá entrar no local e prender os alunos.

    (*colaboraram Carla Sasso e Bruno Soraggi, do Último Segundo)

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    Bruno Soraggi, repórter do Último Segundo

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