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Reitoria da USP entra com pedido de reintegração de posse

16/05 - 11:11, atualizada às 21:35 16/05 - Carla Sasso, do Último Segundo

SÃO PAULO – A reitoria da Universidade de São Paulo (USP) entrou com pedido de reintegração de posse, no início da noite desta quarta-feira. Pela manhã, os funcionários da instituição entraram em greve por tempo indeterminado. De acordo com o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Magno de Carvalho, cerca de 30 funcionários já ocupam o prédio da reitoria junto com os estudantes. Os professores prometem entrar em greve no próximo dia 23.

Os funcionários decidiram ocupar o prédio em uma assembléia realizada nesta quarta, devido ao risco de represália contra os estudantes, que invadiram a reitoria há 13 dias.

De acordo com o diretor, ao todo, 70% dos serviços dos campi da capital, Ribeirão Preto, São Carlos, Piracicaba e Lorena estão paralisados. “Somente o hospital deve continuar funcionando, pois ele atende à população e não é esse o objetivo”, explica. Nesta quarta-feira, há pucas aulas no campus por falta de alunos, funcionários e equipamentos.

Os estudantes realizam nova assembléia neste momento.

Funcionários, estudantes e professores irão realizar um ato, nesta quinta-feira, na Assembléia Legislativa de São Paulo junto com o pessoal da Universidade de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Invasão da Reitoria

Os estudantes da USP ocuparam o prédio no dia 3 deste mês. Na última terça-feira a reitoria deu um prazo para os manifestantes desocuparem o local, mas eles decidiram continuar o protesto.

A reitoria da universidade divulgou na terça-feira uma nota na qual reitera o pedido de desocupação. “[A reitoria] condiciona o atendimento das propostas à desocupação do prédio da Reitoria até as 16h do dia 15/05/2007. Assim ocorrendo, a Reitoria se dispõe a prosseguir na análise dos temas da pauta de reivindicações, por comissão de professores e alunos, a ser constituída após a desocupação”.

No último dia 10 a reitoria divulgou um comunicado em resposta às reivindicações dos estudantes. Nele, a reitora apresentou as propostas que poderia cumprir, mas foram consideradas insuficientes pelos manifestantes.

De acordo com o documento, seriam construídas moradias com 198 vagas no campus Butantã, 68 vagas para Ribeirão Preto e 68 para o campus de São Carlos. Além disso, seria realizada uma reunião com a direção da unidade para debater a necessidade de construção de novos edifícios.

Unesp de Marília

Segundo nota oficial da reitoria da Universidade Estadual Paulista (Unesp), 20 alunos ocupam o saguão do edifício da Diretoria da FFC — Faculdade de Filosofia e Ciências do Câmpus de Marília. A ocupação que teve início na noite desta terça-feira, por um grupo de 50 a 60 alunos que protestam contra decretos do governador José Serra. De acordo com a assessoria da universidade, os manifestantes devem se reunir com a diretora para passar suas reivindicações.

Exigências

Nesta terça-feira, foi votado e aprovado o Projeto de Lei Complementar 32/2006, que cria 1900 vagas para professor doutor na USP, apresentado em 2006 por Cláudio Lembo, então Governador do Estado de São Paulo.

Segundo a Assembléia Legislativa, o projeto corrige a falta de professores doutores para atender às demandas geradas pelos programas de extensão de vagas no ensino superior, em especial na USP-Leste.

Os recursos para as despesas da aplicação da referida lei complementar correrão à conta das dotações próprias consignadas no orçamento da USP.

A medida atende a uma das principais reinvidicações dos alunos que ocupam a reitoria, que é a contratação de mais professores.

Cerca de 200 estudantes se revezam para manter a ocupação que exigem que a USP se posicione publicamente sobre os decretos do governador José Serra. Para eles, os decretos ferem a autonomia da universidade, que passaria para as mãos da Secretaria de Ensino Superior, à qual estão ligadas as universidades públicas paulistas.

Os universitários também exigem a substituição imediata dos docentes que se aposentam e uma reforma de faculdades. Outra portaria que causou o protesto é a que determina o contingenciamento das verbas das universidades. Eles reclamam ainda do veto do ex-governador Cláudio Lembo (PFL), no último dia de seu mandato, ao aumento dos recursos destinados à educação no Estado. A medida foi tomada, segundo declarou Lembo, com a concordância de Serra.

Os estudantes da USP elaboraram um documento com 14 itens a serem reivindicados junto à reitoria. Dentre eles, constam:

  • Que a Reitoria se posicione publicamente perante os decretos do governador José Serra, acerca da educação no Estado (nº 51.460, 51.461, 51.471, 51.636 e 51.660); 
  • Que a Reitoria atenda as necessidades de moradia estudantil (formulação de um projeto de longo prazo para todos os campi; a construção imediata de três novos blocos de moradia no campus Butantã, que abram 594 vagas, bem como a reforma dos blocos existentes; a garantia de moradias decentes para todos os estudantes alojados no CepeUSP e no Crusp); 
  • Que sejam contratados mais professores, de acordo com as demandas específicas de cada unidade, e haja a imediata liberação das vagas de docentes aposentados ou desvinculados à USP;
  • Que seja iniciada a reforma da infra-estrutura da FFLCH, IME e Fofito, que tem sido postergada durante os últimos anos;
    Realização de um Conselho Universitário aberto, tendo os decretos como pauta.




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