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Carnes: na avaliação da acsurs, suinocultura viveu tres momentos em 2008

19/12 - 10:54 - Agência Safras

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SAFRAS (19) - "Se esperança desse dinheiro a suinocultura seria o mais rico entre os segmentos do agronegócio brasileiro". A afirmação é do presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (ACSURS), Valdecir Folador, ao fazer sua avaliação do corrente ano e projetar o próximo.

Para ele, a suinocultura gaúcha viveu três momentos distintos no decorrer de 2008, com meses de recuperação, seguidos de retração.

Os seis primeiros meses de 2008 foram considerados ruins pelo Presidente.

"2007 foi um período complicado, com o custo de produção alto e o valor do suíno baixo. Em 2008 iniciou a recuperação econômica dos produtores e do preço do suíno, mas o custo do milho, do farelo de soja e dos insumos continuava alto.

A partir do segundo semestre, especialmente de julho a setembro, passamos a viver outra realidade, com a recuperação da rentabilidade, embora lenta", afirma Folador.

A recuperação destacada por Folador se deu em função da baixa nos insumos e valorização do suíno. Na primeira semana de janeiro, o milho era cotado em média a R$ 27,36 e o farelo de soja, para pagamento a vista em R$ 652,50. O preço do suíno gaúcho era cotado em R$ 2,32. Seis meses depois o milho e o farelo de soja eram comercializados a R$ 25,43 e R$ 625,25 respectivamente, enquanto o quilo de suíno era cotado em R$ 2,63. "As perspectivas eram boas e se desenhava um fechamento positivo para 2008. O mercado externo vinha bem, tanto em volume como em valores. Mas em meados de outubro fomos pegos pela crise econômica mundial que afetou de forma direta a suinocultura, principalmente as exportações", lamenta o Presidente.

Desde o início da turbulência, o valor do suíno gaúcho teve redução de cerca de 40%. Em outubro chegou a ser cotado, em média, a R$ 3,26 e na cotação desta semana a R$ 1,98.

Com a crise os importadores tiveram dificuldade na concessão de crédito o que causou retração das exportações brasileiras, tanto em volume como em valores. O Brasil ainda depende muito do mercado exportador. Cerca de 20% da produção de carne suína são destinados à venda ao exterior. "Apesar do final de ano ser uma época boa para o mercado interno, a queda no volume exportado fez com que tivéssemos uma oferta acima do normal. Isso ocasionou a queda no preço do suíno e o produtor, que estava colocando as contas em dia depois de um período ruim, novamente se deparou com um final de ano nada satisfatório", observa Folador.

Ele salienta que 2008 é um ano a ser bem avaliado por toda a cadeia produtiva de suínos. "Em termos de rentabilidade é um ano para ser esquecido.

As exportações, mesmo com a queda superaram as de 2007 em termos de receita. Mas não deu tempo dessa receita chegar ao bolso do produtor", afirma.

Expectativas para 2009 Quanto ao próximo ano, o presidente da ACSURS, projeta um início complicado e difícil, em função da demanda retraída. Em termos de volume, o primeiro trimestre do ano naturalmente apresenta demanda retraída. "Há a expectativa da abertura do mercado chinês. Tivemos no segundo semestre uma missão chinesa em visita ao Rio Grande do Sul conhecendo nosso sistema de produção. Se desenha uma expectativa positiva, mas nada é certo ainda, não houve um fechamento de acordo. O Brasil já realizou uma visita oficial à China para um acordo sanitário para que no futuro próximo possamos entrar neste importante mercado. 2009 nasce com esta esperança", afirma Folador.

Também há a possibilidade do Brasil iniciar tratativas para alcançar o mercado japonês. "Quem sabe poderemos conquistar uma fatia do mercado europeu.

É um sonho mais distante, para médio e longo prazo", diz o presidente.

Folador ressalta que 2009 será um ano de muita cautela, de investimentos engavetados. A estiagem, que afeta diversos municípios gaúchos e deve causar a quebra da safra de milho, é mais um agravante para o setor. A escassez do cereal deverá elevar o custo de produção do suíno.

Para o Presidente, é importante que a suinocultura continue crescendo, mas é necessário que este crescimento não seja apenas em volume, mas também em receita. "A cadeia precisa fazer uma análise disso. Já está ocorrendo a redução no peso do abate para que mais adiante tenhamos um equilíbrio, sem super oferta de carne no mercado interno. Não adianta produzirmos grandes quantidades com prejuízo. Temos que agregar valor no nosso produto", observa.

Para ele, 2009 é mais um ano de esperança. "Somos os mais esperançosos dentro do agronegócio brasileiro. Nos últimos anos estamos vivendo de esperança.

Cada vez que o ano inicia esperamos que seja melhor do que o anterior.

Novamente estamos com esperança para 2009", declara Folador. Com informações da assessoria de comunicação da ACSURS. (AB)




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