SAFRAS (04) - O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), encerrou o pregão desta quinta-feira em queda de 3,96%, aos 51.408 pontos.
O volume financeiro negociado pela bolsa brasileira foi de R$ 5,217 milhões. Este é o menor nível de pontuação registrado desde o mês de agosto de 2007, quando teve início a crise do sub-prime.
"O que derrubou a bolsa brasileira e Wall Street foi a percepção de que a economia norte-americana já está em recessão", diz o sócio da Beta Advisors, Rogério Betti Marques. Para ele, a fala do presidente do Banco Central Europeu (BCE, na sigla em inglês), Jean Claude Trichet, afirmando que a inflação continua sendo um grande risco, aumenta a expectativa de que o Fed, o banco central norte-americano, não só deixe de reduzir a taxa de juros como a aumente.
"Além disso, os dados de desemprego divulgados hoje vieram acima das previsões, o que aumentou a tensão do mercado", completa Marques.
Hoje foi anunciado que o número de novos pedidos de seguro-desemprego nos Estados Unidos subiu acima do esperado. Na semana encerrada em 30 de agosto, o Departamento do Trabalho contabilizou 444 mil requerimentos, bem acima dos 420 mil calculados pelos analistas e dos 429 mil do período anterior. A preocupação com a capacidade norte-americana em gerar postos de trabalho tem sido acompanhada com bastante atenção pelos agentes. Amanhã, sai o relatório oficial sobre a criação de vagas e a taxa de desemprego no mês de agosto.
O sócio da Beta Advisors acredita também que "tudo leva a crer" que o Ibovespa deverá continuar em queda. "O mercado está reagindo fortemente a qualquer notícia, e, além disso, ainda existe uma grande dificuldade em se saber o real tamanho da crise, que já completou um ano e não se sabe quando ela irá acabar", completa Marques.
Para o sócio da XP Investimentos, Rossano Oltramari, um dos motivos que impulsiona a queda do Ibovespa é o ciclo de vendas de papéis iniciado após a perda dos 53 mil pontos. "Este é um fator técnico importante para quem utiliza análises de gráficos", explica. Para ele, o patamar dos 53 mil pontos era considerado um nível de suporte. O próximo nível de suporte, na opinião de Oltramari, é o de 47 mil pontos. Os dados do cenário internacional também contribuem com a retração do Ibovespa. Segundo o sócio da XP Investimentos, a queda nos preços das commodities influencia os papéis de blue chips brasileiras, como a Vale.
Ainda no que se refere a emprego nos Estados Unidos, um indicador publicado pela Automatic Data Processing (ADP) e pela Macroeconomic Advisers antecipou que foram eliminadas 33 mil vagas em agosto, refletindo o enfraquecimento do mercado de trabalho, sobretudo no setor industrial. Os dados de julho foram revisados para a criação de mil vagas. Analistas previam que fossem fechados 30 mil postos de trabalho, depois de a pesquisa ADP indicar a criação de nove mil vagas no mês anterior (dados não-revisados).
Além disso, o Departamento do Trabalho informou que a produtividade dos Estados Unidos cresceu mais do que o esperado no segundo trimestre, com os dados sendo revisados para cima, refletindo o avanço de 3,4% na produção e a queda de 0,8% nas horas trabalhadas. A produtividade, que é a medida de quanto uma pessoa produz em cada hora de trabalho no país, excluindo o setor agrícola, subiu 4,3% na taxa anualizada, acima do ganho de 2,2% apurado na medição anterior. O valor é comparado a uma alta de 2,6% no primeiro trimestre. Na comparação com o segundo trimestre de 2007, o avanço foi de 3,4%.
Já o Instituto de Gerência e Oferta mostrou que a atividade do segmento não-industrial nos Estados Unidos, que representa quase 80% da economia do país, voltou a registrar avanço em agosto, após dois meses seguidos de contração. O índice ISM Serviços avançou para 50,6 em agosto, acima dos 49,5 apurados em julho. Uma leitura acima de 50 indica expansão e uma leitura abaixo de 50 representa contração da atividade. Economistas esperavam que o indicador ficasse estável no mês passado.
No cenário corporativo brasileiro, merece destaque o fato de que, das 66 empresas listadas no Ibovespa, apenas cinco terminaram o dia em alta. A maior valorização foi a da Comgás (CGAS5), que cresceu 1,58%, para R$ 42,18. A Votorantim Celulose e Papel (VCP) também teve um dia positivo, e as ações VCPA4 subiram 0,31%, a R$ 34,60. A empresa possui a maior desvalorização do ano entre as empresas do setor, e analistas previam que a companhia se destacaria no mês de setembro. Até ontem, a empresa tinha o menor recuo do segmento: 1,26%.
A CCR (CCRO3) terminou o dia em alta de 0,71%, a R$ 28,30, e a TAM (TAMM4) avançou 0,28%, a R$ 34,90. A companhia aérea acompanhou o novo recuo do preço do petróleo, enquanto a sua principal concorrente, a Gol (GOLL4) não teve o mesmo desempenho e perdeu 4,84%, a R$ 14,13.
Na manhã de hoje, a empresa divulgou boas notícias: a taxa de ocupação (load factor) do seu sistema total (Gol e Varig) - atingiu 57,6% em agosto, alta de 3,4 pontos percentuais na comparação com igual período de 2007, segundo estatísticas preliminares de tráfego relativas ao mês passado. No mercado doméstico, a taxa de ocupação cresceu 0,9 ponto percentual, para 54,7%.
A maior desvalorização do dia ficou por conta da BM&FBOVESPA (BVMF3), com queda de 11,34%, para R$ 10,55. Com a desvalorização do Ibovespa, a companhia também é afetada. As ações da Vale também tiveram um dia negativo: as ordinárias (VALE3) perderam 3,02%, a R$ 40,34, e as PNAs (VALE5) recuaram 3,11%, para R$ 35,51.
Siderúrgicas chinesas teriam confirmado que a Vale enviou e-mail para clientes ontem, para anunciar novo reajuste do minério de ferro, em 20%. De acordo com informações publicadas em agências internacionais, que citam fontes de mercado, a Associação de Minério de Ferro e Aço chinesa (CISA, na sigla em inglês) estaria avaliando a situação, já que considera que a companhia violou o contrato assinado no início do ano - quando foi determinado reajuste entre 65% e 71%. As notícias também comentam que as siderúrgicas chinesas não irão aceitar facilmente o aumento.
Os papéis da Lojas Renner (LREN3) perderam hoje 0,84%, para R$ 28,25. Hoje pela manhã a varejista informou ao mercado que adquiriu o controle acionário da Lojas Leader por R$ 670 milhões. Deste preço, R$ 230 milhões serão retidos pela companhia, valor que será liberado parceladamente durante o prazo de cinco anos.
A operação, realizada pela LR Investimentos, inclui a compra de 100% das ações de emissão da União de Lojas Leader S.A. e 50% das ações de emissão da LeaderCrédito. Esta última por meio de um acordo de acionistas com o banco Bradesco, que detém os outros 50% do capital social da LeaderCrédito. Neste contrato, a Lojas Renner outorgou ao Bradesco a opção firme para a venda das ações de sua propriedade de emissão da Leader Crédito e o Bradesco, por sua vez, outorgou à rede varejista uma opção firme para a compra das referidas ações.
As ações com o maior volume financeiro negociado foram Vale PNA, com R$ 832,488 milhões, seguidas por Petrobras PN (PETR4), com R$ 644,460 milhões (recuo de 3,52%, para R$ 31,45). As informações partem da Agência Leia.
(CBL)