SAFRAS (29) - Em 2007, o Paraná foi o terceiro Estado com o maior montante de exportações aos países árabes, num total acima de US$ 633 milhões, com crescimento de 17% em relação ao ano anterior. Os principais produtos exportados foram carnes, madeira, açúcar, tratores, veículos e soja.
Em contrapartida, as importações cresceram 39%, num total de US$ 192 milhões em produtos adquiridos, com destaque para o petróleo e fertilizantes.
Com a predominância do Islamismo nos países árabes, a adaptação cultural foi fator decisivo para a consolidação dos produtos estaduais num mercado distinto como o do Oriente Médio. Segundo o secretário da Indústria, do Comércio e Assuntos do Mercosul, Virgílio Moreira Filho, seguir características diversas trouxe aos empresários novos compradores. "Atingimos uma diversificação da pauta de produtos exportados e inserção de empresas que até então desconheciam o cenário internacional", disse.
Mercado O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado do Paraná (Faciap), Ardisson Akel, explica que é preciso moldar os produtos locais para ganhar mercado. Um exemplo é a técnica do abate "halal", palavra árabe que significa legal, permitido. A técnica é uma exigência para a exportação de carne, na qual a morte do animal deve ser rápida, sem sofrimento e o sangue deve ser retirado totalmente da carcaça.
Para Akel, o mercado árabe é uma oportunidade para os empresários paranaenses que desejam ampliar a participação no comércio exterior. "Cada país árabe tem características e necessidades próprias, que vão do fornecimento de alimentos à importação de tecnologia", explica. São 22 países árabes formadores do bloco (entre países asiáticos e africanos), onde a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos figuram como os principais parceiros árabes do Paraná.
Empresas Com um faturamento acima de R$ 1 bilhão em 2007, a cooperativa Lar, de Medianeira, na região Oeste, exporta frango em corte para os Emirados Árabes desde 2001. Giovana Rosas, coordenadora de exportações da empresa, explica que a região é um bom mercado para as empresas que estão começando. "Os Emirados Árabes foi o primeiro país que a cooperativa exportou seus produtos.
Outros mercados são bem mais restritos", diz.
Com um total de 50% da produção voltada à exportação, a empresa Diplomata Industrial e Comercial, de Cascavel, vende para países árabes como Kuwait, Arábia Saudita, Iraque e, com destaque, para a Jordânia. De acordo com Eduardo Almeida, do departamento de comércio exterior da indústria, os principais produtos exportados são carne, filé de peito, coxa, sobrecoxa e fígado. "A Jordânia está se tornando cada vez mais rentável para as empresas do Paraná", afirma.
Negócios com o Irã País com fronteira para alguns países árabes e do Oriente Médio, o Irã é outro pólo de parcerias comerciais do Paraná. No início deste ano, representantes do país vieram ao Brasil em busca de novos fornecedores. A principal solicitação foi o aumento das exportações de alimentos, minérios de ferro, automóveis e tecnologia para gerar energia.
De acordo com o diretor comercial da Câmara de Comércio e Indústria Brasil Irã, Darci Itibere Vilela, o desenvolvimento de políticas que promovam a comercialização entre os países é fundamental para o crescimento. "Temos de criar padrões de exportação que desenvolvam o intercâmbio comercial entre os países", diz ele.
A demanda interna do País, aliada ao alto poder aquisitivo, contribui para a ampliação dos laços econômicos. "O Irã é um mercado que deve ser explorado e que tem 'caixa' por ser um grande exportador de petróleo", acrescenta Vilela.
A empresa Biodinâmica Química e Farmacêutica, de Ibiporã, Norte do Estado, vende produtos odontológicos para o Irã, além da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes. Para a assistente de comércio exterior da empresa, Juliana Silva, a procura dos produtos nacionais é muito grande no Oriente Médio. "A região também possui grande poder de compra", ressalta.
Café Pelé no mundo árabe Conhecer a fundo o mercado, criar percepção de oportunidades, além de preencher anseios latentes são algumas das dicas para alcançar novos compradores. Apostar em produtos industrializados e com qualidade também permite um diferencial sobre possíveis concorrentes. Com exportações para 76 países nos cinco continentes, a Cia. Cacique de Café Solúvel, de Londrina, está na Jordânia desde 1999. Sob a marca Café Pelé contrato entre a empresa e o craque brasileiro - atualmente o produto chega a diversos países da região como Líbano, Arábia Saudita e Iraque.
Segundo Argelia Andrade, gerente de contas do Departamento Comercial da Cacique, a empresa está empenhada em ampliar os negócios com os clientes já existentes e prospectar outros mercados. Para o presidente da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Antônio Sarkis Jr. (veja entrevista), a vantagem principal ao se negociar com o Brasil é a qualidade dos produtos brasileiros. "É preciso continuar investindo em adaptação de produtos, marketing, diferencial e serviços atrelados à venda", resume. As informações partem da Agência Estadual de Notícias do Paraná.
Entrevista com Antônio Sarkis Jr, presidente da Câmara de Comércio Árabe- Brasileira: Quais são os fatores que contribuíram para o crescimento da comercialização entre o Brasil e os países árabes? Um dos principais é o aumento contínuo da dedicação das empresas brasileiras a esses mercados. Além do mercado de commodities, que conta com grande participação na balança comercial entre o Brasil e os países árabes, podemos destacar o aumento da diversificação de produtos, entre eles os de maior valor agregado, como é o caso de maquinários, aeronaves, automóveis e partes, além de bens de consumo. Este fato se deu graças à mútua percepção do potencial dos mercados consumidores, árabe e brasileiro, como alternativa para o suprimento com produtos de qualidade. Sem dúvida alguma, as ações da Câmara de Comércio Árabe têm contribuído muito para o aumento desse comércio, com participações em feiras, realizações de missões, visitas oficiais, realização de seminários com a presença de consultores locais especializados, estudos de hábitos, como e onde compram, para o que realmente dão valor, como são suas características familiares, marcas líderes e nossos concorrentes em cada país.
Existe espaço para os produtos brasileiros no mercado árabe e quais são os produtos de melhor aceitação? Os países árabes possuem economias distintas, algumas mais dependentes da indústria petrolífera, outras com variedade industrial relativamente superior.
De maneira geral, pode-se dizer que o Brasil tem excelentes oportunidades numa grande gama de setores, entre os quais podemos destacar: alimentos (não somente in natura, mas também industrializados), moda (roupas, calçados, cosméticos); maquinários (construção e agrícola), materiais de construção e móveis.
Os árabes têm interesse em aumentar as exportações em quais produtos? Vários países árabes como Tunísia, Síria, Egito e Marrocos, por exemplo, possuem uma variedade significativa de produtos a serem exportados. Fertilizantes e outros produtos derivados do petróleo já estão conquistando parcelas cada vez mais significativas da pauta de importação brasileira dos países árabes. Há também oportunidades para outros produtos como: móveis e produtos de decoração diferenciados, tecidos, frutas secas, temperos, alimentos, tapetes, azeite entre outros.
Existem planos e iniciativas para aumentar as negociações? Expectativas para 2008? É previsto um aumento de 10% no comércio entre o Brasil e os países árabes em 2008, em comparação a 2007. Pretendemos diversificar mercados, ampliar o escopo de ações setoriais e aprofundar as ações realizadas em feiras que tradicionalmente participamos. Além disto, a Câmara Árabe está desenvolvendo missões empresariais árabes ao Brasil, bem como a vinda de especialista para orientação e preparo do empresário brasileiro para a consolidação junto aos mercados árabes.
(CBL)