SAFRAS (15) - Com a terceira queda de hoje no pregão (-3,19%), o Ibovespa fecha em 49.285 pontos e volta a operar em patamares anteriores a maio.
No dia 2 de maio, o fechamento do pregão foi de 49.471 pontos. O volume financeiro de hoje foi recorde: R$ 18,388 bilhões, em função do exercício de opções sobre índice. Para o assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Monteiro, o recuo de hoje não é um evento excepcional. Está em curso apenas uma desmontagem de posições tanto por parte de investidores estrangeiros, ávidos por liquidez, quando de nacionais que haviam se alavancado no mercado à vista e em contratos a termo e de opções. "A Bolsa bateu recordes seguidos. Muita gente se alavancou e agora começa a desmanchar as posições. Isso leva a um efeito dominó, que acaba levando o Ibovespa para baixo", afirma. "O problema é que todo mundo acha natural a bolsa subir e se esquece de que existem períodos de queda". Ele lembra que o mercado trabalha com três pisos. Os mais otimistas esperam um recuo do Ibovespa até os 48 mil pontos. Os moderados trabalham com 45 mil. Já os pessimistas acreditam que o piso é 38 mil pontos. Tudo vai depender dos desdobramentos da crise de crédito que ameaça a economia norte-americana. O economista do Itaú, Joel Bogdanski, afirma que o movimento de busca por liquidez por parte de investidores estrangeiros é o principal responsável pela queda dos papéis no Brasil. Como o mercado brasileiro é muito líquido, é natural que os investidores desmontem posições, vendendo ações, ainda com lucro, para cobrir posições em seus países de origem. "A avaliação é de que os ativos brasileiros são bons. Com a liquidez da bolsa, o investidor consegue vender rapidamente os papéis por um preço razoável e mandar o dinheiro para fora", afirma Bogdanski.
Em julho, a inflação ao consumidor subiu 0,1% e o núcleo de preços, que desconsidera as variações de preços dos alimentos e dos combustíveis, cresceu 0,2%, resultado projetado pelos analistas. No mês de junho, os dois índices haviam crescido 0,2%. Por outro lado, a atividade industrial apresentou ligeira melhora. A produção industrial cresceu os esperados 0,3% do mercado, mas a capacidade utilizada atingiu 81,9%, acima da expectativa de 81,7% e dos mesmos 81,7% de junho. Na região de Nova York, a produção local foi de 25,1 em agosto, melhor que a expectativa de 19 pontos mas ainda abaixo da de julho, 26,5.
Pela manhã, o Federal Reserve (banco central dos EUA) informou que injetou mais US$ 7 bilhões no sistema bancário, apesar de um total de US$ 47,575 bilhões de propostas ter sido submetido. Do montante injetado, US$ 4,5 bilhões foram provenientes de operações lastreadas por hipotecas. Na segunda-feira, o Fed injetou apenas US$ 2 bilhões no fluxo monetário. Na semana passada, foram aplicados um total de US$ 62 bilhões, sendo US$ 24 bilhões na quinta-feira e US$ 38 bilhões na sexta-feira.
No cenário corporativo, destaque para as empresas que divulgaram seus resultados do segundo trimestre entre ontem e hoje. Entre elas está a Embraer, que informou ontem, depois do fechamento do mercado, que atingiu lucro líquido de R$ 79,7 milhões, o que representa uma queda de 48,9% em relação ao ganho de R$ 155,8 milhões verificado no mesmo período do ano passado. O Ebitda ficou em R$ 78,7 milhões no segundo trimestre, contra R$ 305,2 milhões nos mesmos meses de 2006, o que representa uma diminuição de 74,2%. As ações ON da fabricante de aeronaves encerraram o dia em forte queda, perdendo 8,61% a R$ 21,00. Mas os registros negativos não incluem apenas empresas que apresentaram recuos em seus resultados trimestrais. A CSN, por exemplo, apresentou lucro líquido de R$ 952 milhões, aumento de 25% ante o registrado nos três primeiros meses deste ano e 133% maior que o alcançado no segundo trimestre de 2006. A empresa apresentou um Ebitda de R$ 1,282 bilhão no segundo trimestre, crescimento de 26% sobre o apurado no primeiro trimestre e 169% superior ao registrado em igual período do ano passado. As ações ON da siderúrgica caíram, ao final do pregão desta quarta-feira, 3,53% a R$ 97,05. Já o Grupo Pão de Açúcar informou, também ontem à noite, que registrou crescimento de 6,4% nas vendas líquidas no segundo trimestre, atingindo R$ 3,547 bilhões, ante receita de R$ 3,333 bilhões no mesmo período de 2006. O lucro líquido, no entanto, recuou 32,7%, de R$ 41 milhões para R$ 21 milhões. No semestre, as vendas líquidas cresceram 6,6%, de R$ 6,638 bilhões em 2006 para R$ 7,078 bilhões. O lucro líquido recuou 37,2%, de R$ 101 milhões para R$ 64 milhões. O Ebitda somou R$ 228 milhões no segundo trimestre, queda de 5,5% em relação aos R$ 242 milhões do mesmo período do ano passado. A margem foi de 6,4%, ante 7,3% em 2006. No semestre, o Ebitda atingiu R$ 463 milhões, recuo de 7,7% na comparação com 2006 (R$ 501 milhões). A margem foi de 7,6% para 6,5%. As ações preferenciais da varejista registraram desvalorização de 7,32% a R$ 61,26.
Entre as poucas ações que encerraram o dia em alta está a Tam, com avanço de 0,51% a R$ 49,25. A empresa anunciou ontem que irá redobrar o sistema de segurança das aeronaves e vai adquirir um equipamento que alerta se o manete (alavanca que controla a potência das turbinas) da aeronave está fora de lugar.
O equipamento, um software denominado FW3, já existe e foi encomendado pela empresa aérea. A decisão foi tomada depois de quase um mês do acidente envolvendo o Airbus-A320 da TAM, em que há suspeitas de que os manetes não estavam na posição correta.
Os papéis de maior volume negociado foram as PNA da Vale do Rio Doce, com R$ 986,305 milhões. As ações da mineradora registraram queda de 5,19% a R$ 67,31. Em seguida aparecem as preferenciais da Petrobras, com R$ 947,882 milhões, queda de 2,02% a R$ 48,44. Já as ações PNA da Usiminas, que caíram 2,50% a R$ 100,01, movimentaram o montante de R$ 276,049 milhões.
Mercados internacionais As bolsas dos EUA terminaram em alta, apesar das turbulências do mercado imobiliário local. O índice Dow Jones encerrou o dia em queda de 1,29% com 12.861 pontos. Da mesma forma, o índice Nasdaq Composto perdeu 1,61% com 2.459 pontos. O índice S&P 500 também cedeu 1,39% com 1.407 pontos.
O setor bancário puxou as quedas de hoje nos principais índices europeus, com investidores preocupados que os problemas no setor de crédito hipotecário de alto-risco (subprime) possam prejudicar os ganhos destas companhias em 2007. O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, perdeu 0,56% em 6.109,30 pontos e o DAX-30, da Bolsa de Frankfurt, foi o único dentre os principais índices que subiu, crescendo 0,28% para situar-se em 7.445,90 pontos. Também em queda encerrou o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, que terminou o dia com baixa de 0,66% com 5.442,72 pontos.
Nos mercados internacionais o petróleo operava em alta. Em Nova York, o contrato com entrega para setembro era negociado em avanço de 1,31% a US$ 73,33, e em Londres, a cotação do petróleo Brent com entrega para setembro de 2007 apreciava 1,26% a US$ 71,40. O Departamento de Energia norte-americano (DoE) informou que os estoques de petróleo nos Estados Unidos caíram 1,5% ou 5,2 milhões de barris, para 335,2 milhões de barris na semana encerrada em 10 de agosto. Os estoques de gasolina recuaram 0,6% ou 1,1 milhão de barris, para 201,9 milhões de barris. Os estoques de destilados cresceram 0,1% ou 200 mil barris, para 127,7 milhões de barris. As refinarias operaram a 91,8% de sua capacidade. Os estoques das Reservas Estratégicas de Petróleo ficaram inalterados em 690,3 milhões de barris.
Câmbio No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou cotado a R$ 2,0300, alta de 2,26%. O dólar futuro com vencimento em setembro subiu 0,78% a R$ 2,0500 na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Hoje o Banco Central realizou mais um leilão para compra de dólares. A taxa de corte do leilão foi de R$ 1,8894. O dólar comercial não fechava acima do patamar de R$ 2,00 desde 15 de maio. Pelo segundo dia seguido, o Banco Central não fez leilão de compra de dólares.
Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), negociados na BM&F, projetavam uma taxa de 11,78% em janeiro de 2010, alta sobre o fechamento de terça-feira, 11,72%. A taxa básica de juro da economia está em 11,5% ao ano. Agenda do próximo dia Com as atenções voltadas ao setor imobiliário norte-americano, os dados setoriais da quinta-feira tenderão a ser bem monitorados. No período de doze meses encerrados em julho, serão anunciados o volume de início de construção de casas e o de alvará de construção de casas. E o Departamento de Trabalho do país vai atualizar o nível semanal de pedidos de seguro-desemprego, referente à semana encerrada em 11 de agosto. E o dado de atividade industrial da região da Filadélfia em agosto também será conhecido.
Amanhã é dia de IPC-S (Indice de Preços ao Consumidor Semanal) no Brasil, da segunda quadrissemana de agosto. As informações são da Agência Leia.
(CBL)