SAFRAS (09) - Novamente a crise no setor imobiliário norte-americano pressionou os mercados de ações no mundo. No Brasil, o Ibovespa registrou baixa de 3,28% a 53.
430 pontos, e gerou um volume financeiro de R$ 4,387 bilhões.
"Estamos pegando a repercussão do cenário externo, caindo por causa do mercado de crédito imobiliário subprime", explicou o assessor de investimentos da corretora Souza Barros, Luiz Roberto Monteiro. "A bola da vez não é mais o juro dos EUA, mas o crédito imobiliário e o subprime, cuja queda pode ter reflexos negativos na economia", continuou Monteiro. O pessimismo de hoje foi desencadeado pela notícia de que o banco francês BNP suspendeu o resgate em três de seus fundos de hedge, alegando ter que avaliar corretamente esses ativos. "Esse problema de liquidez com subprime já tinha acontecido na Austrália e Alemanha. Agora foi a vez de um banco grande de lá. Os investidores estão preocupados, porque não se consegue mensurar o tamanho do problema", disse o assessor. Segundo ele, o mercado subprime representa 17% do mercado imobiliário dos EUA, algo em torno de US$ 2 trilhões. "Estamos sofrendo o reflexo do cenário negativo em função do subprime. O mercado nessas horas acaba zerando posições ou (os investidores) ficam de fora, olhando. Mas os fundamentos econômicos brasileiros positivos não mudaram". Monteiro aconselha cautelosa para os investidores que estiverem pensando em aproveitar o momento para fazer posições: "ainda há espaço para correções e ordens de venda de carteira".
O operador da corretora Alpes, Expedito Araújo, cita que o pessimismo pode se refletir na queda da liquidez mundial. "Ainda bem que nossas reservas internacionais estão altas", chegou a dizer. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou que o Brasil "está no time dos muito sólidos" e por isso não deve sentir conseqüências graves da crise que afeta hoje os mercados internacionais. "Houve hoje um nervosismo maior que não chegou ao Brasil, que está sólido, tem dinheiro de sobra, especialmente com as reservas no patamar que estão. Hoje, somos US$ 100 bilhões mais resistentes", disse. Mantega afirmou ainda que o mercado olha com segurança para o Brasil, e que o Tesouro Nacional não verificou nenhum movimento de venda de ativos brasileiros diferente do normal.
O noticiário do mercado de trabalho dos EUA também não foi dos melhores, ao apontar perda de postos de trabalho. Na semana encerrada no dia 4 de agosto, o volume de pedidos de seguro-desemprego aumentou 7 mil e atingiu 316 mil, acima da expectativa de 310 mil e dos 309 mil da leitura anterior.
Os dois papéis de maior peso no Indice Bovespa, Petrobras PN e Vale do Rio Doce PNA, cederam respectivamente 3,03% a R$ 51,05 e 3,3% a R$ 77,50, aprofundando o desempenho negativo do índice. Operando em baixa, também estavam as ações ordinárias da Cyrela Commercial Properties, a CCP, desvalorizando 13,38% a R$ 2,32. A CCP é resultante da cisão de parte do patrimônio líquido da Cyrela ABC Brasil. Os acionistas interessados receberam uma ação ordinária da CCP para cada ação ordinária da Cyrela. A partir de hoje, as negociações com a Cyrela (CYRE3) seguem sem o direito de troca e começam os negócios com os papéis da CCP. No pregão, essas ações caíram 2,51% a R$ 19,79. Em siderurgia, as ações Usiminas PNA terminaram em queda de 3,57% a R$ 113,01. A Usiminas informou que seu lucro líquido consolidado foi de R$ 802 milhões no segundo trimestre de 2007, 14% superior ao ganho de R$ 704 milhões verificado no mesmo trimestre de 2006. O acréscimo na receita líquida, em decorrência dos melhores preços médios praticados, melhoria de mix de produtos, associado à redução das despesas financeiras foram os principais fatores que influenciaram este resultado.
Em alta, fecharam as ações preferenciais da Ultrapar (+1,08% a R$ 65,40).
Hoje a Ultrapar Participações dá início à recompra de ações preferenciais nominativas da companhia em poder do mercado, para cancelamento ou manutenção em tesouraria. Segundo comunicado enviado à Bovespa, a Ultrapar pretende adquirir até 2.362.131 ações, que correspondem a 10% dos papéis dessa classe em circulação no mercado.
A recompra será feita num período de 365 dias e se encerrará, portanto, em 8 de agosto de 2008. No setor aéreo, os papéis Gol PN aumentaram 2,63% a R$ 48,74. Apesar do prejuízo no segundo trimestre, a Gol anunciou a retomada das rotas internacionais com a recém-adquirida Varig. A Gol espera que a Varig atinja o break even (ponto de equilíbrio) no balanço ao longo do terceiro trimestre.
"Estamos implementando na Varig a mesma cultura e a mesma política de custos reduzidos que já temos na Gol. A aquisição está superando as nossas expectativas", disse Constantino de Oliveira Júnior, presidente da companhia. No segundo trimestre, a Gol registrou prejuízo líquido consolidado de R$ 35,4 milhões no segundo trimestre, frente o lucro de R$ 106,7 milhões verificado no mesmo trimestre de 2006. Esse prejuízo foi resultado da incorporação dos resultados da Varig, de um ambiente de baixos retornos no mercado doméstico, atrasos imprevisíveis e cancelamentos inesperados que suprimem a demanda e também de uma alta exposição do assunto na imprensa, reduzindo as taxas de ocupação. O Ebitdar (caixa operacional) somou R$ 72,2 milhões, contra um resultado de R$ 221,6 milhões no mesmo período, o que corresponde a uma queda de 67,4%. E no pregão anterior à divulgação dos resultados do segundo trimestre, as ações Tam PN aumentaram 2,56% a R$ 55,08. A Tam manteve a liderança no mercado doméstico, passando de 49,11%, em junho, para 50,63% de participação no mercado em julho. No mesmo mês de 2006, a participação foi de 50,78%. Já a Gol passou de 39,83% para 36,90% (36,33% há um ano). As informações são da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Entre as ações mais negociadas do final da primeira etapa, estavam Petrobras PN, girando R$ 531,980 milhões e Vale do Rio Doce PNA movimentando R$ 502,170 milhões. Também entre os mais negociados, figuravam as units do Unibanco, com giro de R$ 186,575 milhões. O Unibanco informou esta manhã que registrou lucro líquido de R$ 841 milhões no segundo trimestre de 2007 e de R$ 1,422 bilhão no acumulado do primeiro semestre do ano, o que corresponde a crescimentos de 53,5% e de 33,1% em relação aos ganhos respectivos dos mesmos períodos de 2006. As units subiram 0,18% a R$ 21,99.
Mercados internacionais O mercado de ações norte-americano encerrou a quinta-feira em queda. O índice Dow Jones Industrial desabou 2,83% no fim do pregão com 13.271 pontos. Da mesma forma, o índice Nasdaq C decresceu 2,16% para 2.516 pontos. Também em baixa encerrou o S&P 500, com desvalorização de 2,96% a 1.453 pontos.
Na Europa, o problema no setor de hipotecas de alto risco (subprime) dos Estados Unidos levou o banco francês BNP a suspender o resgate em três de seus fundos de hedge, alegando ter que precificar corretamente esses ativos. Isso levou a uma forte corrida por liquidez na Europa, e o BCE (Banco Central Europeu) passou a oferecer larga quantidade de moeda para redesconto a taxas mais baixas, visando evitar maiores altas dos juros. O índice FTSE-100, da Bolsa de Londres, perdeu 1,92% em 6.271,20 pontos e o DAX-30, da Bolsa de Frankfurt, com retração de 2,00% com 7.453,59 pontos. Entre os principais índices do velho continente, o que encerrou com maior queda foi o CAC-40, da Bolsa de Paris, que desvalorizou 2,17% para situar-se em 5.624,78 pontos.
Nos mercados internacionais o petróleo operava em direção baixista. Na bolsa de mercadorias de Nova York, o preço do barril de petróleo WTI com entrega para setembro de 2007 caía 0,77% a US$ 71,59. Em Londres, a cotação do petróleo Brent com entrega para setembro de 2007 depreciava 1,04% a US$ 70,25. Câmbio No mercado de câmbio, o dólar comercial fechou cotado a R$ 1,9260, alta de 2,06%. O dólar futuro com vencimento em setembro subiu 2,29% a R$ 1,9320 na BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Hoje o Banco Central realizou mais um leilão para compra de dólares. A taxa de corte do leilão foi de R$ 1,9258. Juros Os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), negociados na BM&F, projetavam uma taxa de 11,33% em janeiro de 2010, alta em relação ao fechamento de quarta-feira, 11,13%. Hoje foi o primeiro dia de negócios após a atualização da taxa básica de juro da economia para 11,5% ao ano.
A Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou há pouco que o Indice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) registrou aceleração em cinco das sete capitais pesquisadas na primeira quadrissemana de julho. Ontem a FGV informou que o indicador registrou inflação de 0,34%, 0,06 ponto percentual acima da taxa divulgada na última apuração. Agenda do próximo dia A economia norte-americana trará, amanhã, o montante do Orçamento do Tesouro, além preços de bens exportados e importados, todos referentes a julho.
Em território nacional, saem os índices de inflação IPC-Fipe (1a quadrissemana de agosto) e IGP-M (1o decêndio de agosto). Uma grande expectativa deverá ocorrer, por conta da divulgação do balanço do segundo trimestre da Petrobras, após o fechamento. Além da petrolífera, está previsto a divulgação dos resultados da Copasa, Cesp, Tam, CCR, Profarma e Alpargatas, entre outras. As informações são da Agência Leia.
(CBL)