SAFRAS (13) - O presidente em exercício da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Ricardo Caldas, afirmou nessa quarta-feira(12), que o conjunto de medidas divulgado pelo governo federal permitirá a fusão de empresas instaladas nos Arranjos Produtivos Locais (APLs). Com isso, os incentivos permitirão que as empresas se tornem mais competitivas e gerem mais empregos.
Caldas considerou bastante inteligente a tributação específica para as importações de vestuário, que passa a ser pelo critério de peso e não mais pelo valor declarado. As medidas são positivas para os setores manufatureiros a partir do momento em que o governo buscou resolver a questão do câmbio sem influenciar na cotação da moeda americana. Se isso ocorresse, estaria afetando outros setores da economia, afirmou Caldas.
O pacote de medidas beneficiará as indústrias exportadoras brasileiras que nas últimas semanas tiveram prejuízos em função da desvalorização do dólar. A principal ação é uma linha de crédito de R$ 3 bilhões, com taxas de juros mais atrativas, além o aumento da taxa para importações de têxteis. O anúncio feito pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, beneficiará os segmentos de calçados e artefatos de couro, têxtil, confecções, moveleiro, eletroeletrônico e automotivo. As medidas irão beneficiar de forma mais intensa as indústrias instaladas nas regiões Sudeste e Sul do país. Isso porque as fábricas instaladas no Centro-Oeste, Nordeste e Norte são micro e pequenas empresas. Para o presidente do Sindicato das Indústrias de Madeira e do mobiliário do Distrito Federal (Sindimam-DF), José Maria de Jesus, as medidas irão permitir a geração de mais emprego e renda no país. Isso é muito importante porque irá alavancar o setor moveleiro, permitindo o aumento da produção e, como conseqüência, a contratação de mão-de-obra, disse José Maria. Para o empresário, a indústria de móveis do Distrito Federal, poderá ter acesso à linha de crédito para a aquisição de equipamentos. Pelo menos 21 empresas brasilienses estão no aguardo da liberação de R$ 2,5 milhões junto ao Banco do Brasil. Entraves burocráticos produzidos pelo setor de meio ambiente dificultam o repasse dos recursos. O presidente da Abimóvel (Associação Brasileira da Indústria do Mobiliário) e exportador José Luiz Diaz Fernandez considerou que as ações foram tímidas.
O setor esperava ousadia por parte do governo federal como a desoneração da folha de pagamento, quanto tributárias. Tão importante a valorização do real frente ao dólar foram os aumentos da matéria prima e dos insumos, afirmou o empresário.
A indústria do vestuário do DF também manifestou apoio às medidas divulgadas. O presidente do Sindiveste-DF, Márcio Franca, lembrou que a indústria têxtil vem se mobilizando contra a concorrência predatória. Nesta quarta-feira (13/6), a Câmara dos Deputados promove debate sobre as dificuldades enfrentadas pelas empresas deste segmento. Estão previstas exposições do secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, e do presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Josué Gomes da Silva. As medidas anunciadas pelo governo devem ser apresentadas por Rachid.
Uma nota técnica preparada pela Fibra diz que as medidas para estimular os setores que estão sendo prejudicados pela valorização do real frente ao dólar vão desde a redução do custo financeiro de crédito até a isenção de impostos.
Essas medidas, segundo a nota, têm como principal objetivo amenizar os efeitos gerados pela valorização da moeda brasileira, em torno de 12%, em relação ao dólar, nos últimos meses.
Trata-se de uma cotação baixa e prejudicial às empresas exportadoras, que registram lucro menor ao vender seus produtos no exterior, e também no mercado interno, já que os produtos importados ficam mais baratos e atraentes aos consumidores. Esse efeito já vem sendo percebido pelos principais indicadores que medem o nível de evolução da atividade industrial, diz o texto.
As medidas estão sendo tomadas num momento em que a indústria no Distrito Federal encerrou o primeiro trimestre do ano apresentando leve queda (-0,9%), em relação ao primeiro trimestre de 2006. o setor de vestuário se destacou com o recuo de 7,78% no faturamento frente a igual período do ano anterior. As informações são da Unidade de Comunicação da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra).
(VA)