SAFRAS (27) - As bolsas de valores de todo o mundo sofreram fortes quedas nesta terça-feira com o estopim da turbulência mundial tendo origem na Bolsa de Xangai, na China, que caiu quase 9% - a maior baixa desde fevereiro de 1997 - e contaminou os mercados europeus e norte-americanos, com oscilações de queda mais expressiva no Brasil. Hoje, o Ibovespa registrou baixa de 6,63% - a maior desde junho de 2002, para 43.
165 pontos, alcançando o menor patamar desde 18 de janeiro de 2007, quando fechou em 42.477 pontos. O volume financeiro negociado foi de R$ 5,499 bilhões. A queda generalizada dos mercados acionários globais teve origem com a notícia vinda da China de que o governo daquele país poderá conter investimentos especulativos, com a criação de uma força-tarefa destinada a prevenir atividades ilícitas no mercado de ações e a prestar esclarecimentos sobre a regulação desse segmento. Além disso, os bancos com sede na China também foram chamados para examinar os empréstimos pessoais concedidos, com o objetivo de descobrir se eles estão sendo usados para comprar ações. A lei chinesa proíbe que as instituições financeiras emprestem dinheiro para investimentos em bolsa. Antes disso, o Banco Popular da China aumentou de 9,5% para 10% o depósito compulsório dos bancos, levando a diminuição dos recursos disponíveis para concessão de empréstimos. A medida pode, ainda, reduzir ligeiramente o ritmo de crescimento econômico chinês, que chegou a 10,7% em 2006.
Diante dessas iniciativas, os investidores ficaram temerosos de que novas medidas de aperto pudessem ser instauradas e deram início ao movimento de venda de ativos no mercado chinês. Com isso, as bolsas de valores no restante do mundo caminharam rumo à mesma direção "vendida", refletindo o crescimento da aversão dos investidores ao risco e também um temor de que a China realmente reduza seu ritmo de expansão, o que afetaria o desempenho de fornecedores (principalmente de commodities) e de empresas com negócios no país. O economista-chefe do Grupo Schahin, Sílvio Campos, lembra que a China é um dos grandes compradores mundiais e que qualquer início de crise naquele país afeta todo o mundo, em função do risco de queda da demanda por bens de consumo e de capital, puxando o desaquecimento global. Campos diz, também, que ainda é cedo para antecipar se as baixas de hoje foram pontuais, indicando algo passageiro, ou se a fuga de aplicações em renda variável pode durar mais tempo.
"É preciso que se explique melhor essa operação de coibir operações irregulares na China, mas a gente sabe que algumas informações vindas de lá são de acesso mais restrito", completa.
Com isso, muitos agentes já estão anteciparam os temores com a sessão de amanhã, preocupados com uma possível surpresa na divulgação dos números da economia norte-americana ou com novidades negativas nos países asiáticos.
Outros fatores que contribuíram para a piora do humor dos investidores foi o atentado suicida do talibã a uma base militar dos Estados Unidos no Afeganistão, onde estava o vice-presidente dos EUA, Dick Cheney; o discurso proferido ontem pelo ex-presidente do Federal Reserve (banco central dos EUA), Alan Greenspan, de que o ciclo de expansão dos EUA se aproxima do fim; além da forte queda no relatório de pedidos de bens duráveis no mercado norte-americano, anunciados hoje na pauta de indicadores econômicos do dia. Pela manhã, o Departamento do Comércio dos Estados Unidos informou que os pedidos de bens duráveis despencaram em janeiro no seu maior ritmo em três meses, uma vez que a forte queda nas encomendas de aeronaves afetou praticamente todo o segmento de bens manufaturados. Os pedidos afundaram 7,8% para US$ 203,9 bilhões, depois do indicador ter apresentado uma alta revisada de 2,8% em dezembro. Já a confiança dos consumidores norte-americanos subiu inesperadamente em fevereiro para o seu maior nível desde os ataques terroristas de 11 de Setembro de 2001.
O índice de confiança medido pelo Conference Board avançou para 112,5 em fevereiro, depois de ter ficado em 110,2 em janeiro. As expectativas de inflação para os próximos 12 meses recuaram de 4,7% para 4,6%. Por fim, as vendas de imóveis usados nos Estados Unidos subiram mais do que o previsto e com extrema robustez em janeiro, porém o preço médio das casas caiu pelo sexto mês seguido.
As vendas avançaram 3% para uma taxa anualizada de 6,46 milhões de residências, depois do valor revisado de 6,27 milhões de unidades em dezembro, divulgou há pouco a Associação Nacional dos Corretores. As vendas acumulam uma queda de 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior.
No pregão de hoje da Bovespa, das 58 ações que compõem o índice o principal índice acionário da bolsa paulista, o Ibovespa, nenhum papel fechou em alta.
Dentre as maiores baixas, lideraram as perdas as ações preferenciais da Telemig Celular Participações, que cederam 10,02% para R$ 3,77, seguidas pelos papéis PNA da Usiminas, com queda de 9,73%, a R$ 84,40 e pelas ações preferenciais da Transmissão Paulista que cederam 9,27%, para R$ 26,90. Já os maiores volumes negociados do dia ficaram por conta das ações preferenciais classe A da mineradora Vale do Rio Doce, que movimentaram R$ 652,845 milhões, e registraram queda 7,92%, a R$ 60,26. Já as ações preferenciais da Petrobras tiveram o segundo maior volume de negócios, com um giro de R$ 606,111 milhões, e queda de 6,59% nos papéis, cotados em R$ 42,60, seguidos pelas ações preferenciais do Bradesco, que perfizeram um montante de R$ 212,768 milhões, e tiveram queda de 6,02%, a R$ 78,00. Mercados internacionais Nos Estados Unidos, o mercado de ações norte-americano fechou forte queda, com investidores digerindo a venda desenfreada de ações na China, um ataque no Afeganistão e os dados ruins de bens duráveis. No fim da tarde, as operações nos mercados em Wall Street ficaram limitadas (trading curbs) para evitar uma queda mais acentuada. Com isso, as bolsas norte-americanas despencaram nesta quinta-feira, na sua maior queda em pontos dos últimos anos. O Dow Jones Industrial caiu 3,29% a 12.216 pontos, o Nasdaq 100 decresceu 4,05% a 1.756 pontos e o S&P 500 recuou 3,45% a 1.399 pontos. As principais bolsas européias tiveram hoje o pior dia em quase quatro anos, à medida que novas preocupações com a economia norte-americana, uma queda acentuada do mercado acionário chinês e incertezas geopolíticas incentivaram uma realização de lucros. O FTSE-100 de Londres caiu 2,15%, a 6.296 pontos, o CAC-40 de Paris recuou 2,95%, em 6.820 pontos e o DAX-30 de Frankfurt desceu 3,02%, fechando em 5.588 pontos. No mercado de petróleo, o contrato WTI com vencimento em abril fechou em alta de 0,11% a US$ 61,46 em Nova York. Já em Londres, o Brent com entrega em abril caiu 1,33% a US$ 60,51. Câmbio No mercado de câmbio, o dólar comercial subiu 1,72%, encerrando o dia cotado em R$ 2,120 na venda, a maior alta em nove meses. O dólar futuro, com vencimento em março desse ano, negociado na BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros), fechou cotado em R$ 2,133, subindo 0,63%. Na tarde de hoje, o Banco Central manteve a seqüência de realização de leilão de compra de dólares no mercado à vista, com a taxa de corte em R$ 2,1130. Desde o final de setembro, o banco realiza essas operações em cada dia útil de pregão. Em fevereiro, já foram realizados 17 leilões em 17 dias úteis. Juros E os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI), também negociados na BM&F, projetavam uma taxa de 12,21% em janeiro de 2008, alta de 0,08 ponto percentual em relação ao fechamento de sexta-feira. A taxa básica de juros da economia está em 13,00% ao ano. A próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) acontece no início do mês que vem, dias 6 e 7 de março. Agenda do próximo dia A pauta de indicadores econômicos amanhã traz como destaque os números de crescimento das economias brasileiras e norte-americanas, com a divulgação dos dados em volume do PIB do quarto trimestre de 2006 do Brasil (às 9h30) e da segunda prévia em do PIB dos Estados Unidos, referente ao mesmo período. Ainda na agenda doméstica, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) divulga, às 8 horas, os dados da Sondagem Industrial referentes a fevereiro. Pouco depois, às 10h30, o Banco Central anuncia os dados sobre a Política Fiscal referentes a janeiro. Já na safra de balanços das empresas com capital aberto, os investidores recebem os resultados financeiros do quarto trimestre de 2006 e do fechado do ano passado das seguintes empresas: Energias do Brasil, Randon, Fras-le, Natura e American Bank Note. Nos Estados Unidos, além da segunda prévia do PIB no quarto trimestre, que será anunciado às 10h30, os mercados acionários também aguardam o indicador PMI Chicago de atividade industrial em fevereiro, às 11h45 e os números das vendas de imóveis novos em janeiro, que será divulgado às 12 horas. Pouco depois, às 12h30, a agenda de indicadores econômicos finaliza com a divulgação do relatório semanal dos estoques de petróleo. As informações são da Agência Leia.
(CBL)